Petróleo

A formação do petróleo é caracterizada pelo acúmulo de material orgânico sob condições específicas de pressão e isolamento em camadas do subsolo de bacias sedimentares, sofrendo transformações por milhares de anos. Além de estar em uma bacia sedimentar, os requisitos primários para que se venha eventualmente a localizar um reservatório de petróleo são a presença de algum tipo de rocha reservatório (geralmente porosa) coberta por uma rocha seladora (que impediu que o óleo escapasse para a superfície, vindo a se dissipar).
Ao contrário do que imagina o senso comum, o petróleo raramente se encontra acessível próximo à superfície, jorrando de forma espontânea e abundante. Aprisionado em rochas porosas, a extração deste óleo precisa ser feita por equipamentos que perfurem as camadas rochosas e exerçam a pressão necessária para que o óleo venha até a superfície - quase sempre misturado com sedimentos e gás. Quando a rocha reservatório não possui boa permeabilidade, pode ser necessário fraturá-la para então recuperar o óleo. Existem casos em que, mesmo comprovada a presença de petróleo, não é vantajoso comercialmente ou tecnicamente viável extraí-lo.
- Composição química
Além das diferenças em custo de exploração e produção, dependendo das dificuldades envolvidas em acessar e colocar o reservatório em desenvolvimento, o petróleo pode variar também em composição química, fazendo com que seja necessário maior ou menor investimento em refino para transformá-lo em produtos derivados como gasolina, óleo diesel, querosene, asfaltos, solventes, lubrificantes, plásticos etc.
A composição química do petróleo é uma combinação complexa de hidrocarbonetos (carbono e hidrogênio), podendo conter também quantidades pequenas de nitrogênio, oxigênio, compostos de enxofre e íons metálicos. Um exemplo comum da proporção entre os componentes do petróleo, que pode variar de amostra para amostra, seria:
Carbono - 82% - é o elemento predominante no petróleo
Hidrogênio - 12% - atua com o carbono formando as moléculas
Nitrogênio - 4% - encontrado na forma de amina
Oxigênio - 1% - muito pouco encontrado
Sais - 0,5% - raramente aparecem
Metais (ferro, cobre etc.) - 0,5% - considerados como resíduos - O que se obtém a partir do petróleo
O petróleo bruto é uma mistura complexa de hidrocarbonetos, que precisam ser separados por diversos processos para formar os derivados utilizados pelos consumidores e pela indústria em geral.
Na etapa inicial do refino, o petróleo bruto é aquecido e as diferentes cadeias de hidrocarbonetos são separadas de acordo com as faixas de temperaturas de ebulição. Cada comprimento de cadeia tem uma propriedade diferente, que a torna útil de uma maneira específica. A partir do petróleo bruto se pode obter:
- gás de petróleo: gás residual com 1 a 2 átomos de carbono, usado para aquecimento e para a indústria;
- gás liquefeito de petróleo (GLP): com 3 a 4 átomos de carbono, usado principalmente para cozinhar;
- nafta: com 5 a 10 átomos de carbono, é um produto intermediário que irá se transformar em gasolina ou servirá de matéria-prima para a indústria petroquímica;
- gasolina: com 5 a 8 carbonos, é utilizada como combustível para motores do ciclo Otto*. É uma nafta que se transformou em gasolina por outros processos químicos;
- querosene: com 11 a 12 carbonos, é usado principalmente como combustível para turbinas de jatos, além de outras aplicações;
- óleo diesel: com 13 a 18 carbonos, é um combustível usado principalmente em transporte rodoviário e aquaviário, em motores do ciclo diesel, além de ser utilizado também em termoelétricas e para aquecimento;
- óleo lubrificante: com 26 a 38 carbonos, é usado principalmente na lubrificação de motores e engrenagens e como matéria-prima para graxas;
- óleo combustível: até 39 carbonos, é utilizado principalmente como fonte de calor no segmento industrial;
- resíduos: até 80 carbonos, servem como material inicial para a fabricação de outros produtos. Nesta faixa de compostos mais pesados estão: coque, asfalto, alcatrão, breu, ceras e outros.
- Processos de refino do petróleo
Poucos compostos já saem da coluna de destilação prontos para serem comercializados. A grande maioria deles deve ser processada quimicamente para criar outras frações, melhorar a qualidade ou atender as necessidades do mercado. Por exemplo, dependendo do processo e do tipo de petróleo, pode-se obter mais gasolina ou mais diesel, sendo possível adequar a produção dos derivados à demanda do mercado interno ou às negociações no mercado externo.
Cinco exemplos de processos químicos muito utilizados nas refinarias são:
- craqueamento: divide grandes cadeias de hidrocarbonetos em cadeias menores;
- reforma: combina pedaços menores de hidrocarbonetos para criar outros maiores;
- alquilação: rearranja várias cadeias para fazer os hidrocarbonetos desejados;
- extração de aromáticos: extrai naftas aromáticas leves para a indústria química e petroquímica;
- hidrotratamento: trata cataliticamente com hidrogênio frações leves e médias, como gasolinas e diesel, visando melhorar as respectivas qualidades.
- Curva PEV
A Curva PEV (Ponto de Ebulição Verdadeiro) é uma análise físico-química do petróleo obtida por métodos de destilação estabelecidos pela American Society for Testing and Materials (ASTM) - D2892 e D5236 -, permitindo a caracterização de frações com pontos de ebulição de até 560°C. Os rendimentos dos diversos derivados de petróleo são obtidos em função dos seus pontos de ebulição verdadeiros (AET).
O laboratório de avaliação de petróleos da ANP foi inaugurado em 2010 e funciona no Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas (CPT), em Brasília. O laboratório dispõe de um completo sistema de destilação de petróleo totalmente automatizado, fundamental para a determinação da Curva PEV com inteira confiabilidade.
A Curva PEV e as Participações Governamentais
O Decreto nº 2.705/1998 delega à ANP a fixação do preço mínimo dos petróleos produzidos no Brasil. Esse preço servirá de base para o cálculo das participações governamentais de União, estados e municípios, dentre outros. Para efeito de cálculo do preço mínimo, exige-se que o concessionário apresente o resultado da análise da Curva PEV do seu petróleo.