Território quilombola

Mesa Quilombola promove diálogo entre comunidades e poder público no Rio Grande do Sul

Publicado em 24/10/2025 12:27Modificado em 29/10/2025 17:43
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Primeira edição da Mesa Quilombola no Rio Grande do Sul teve cerca de 90 participantes

Com representantes de comunidades quilombolas de todas as regiões do Rio Grande do Sul, foi realizada a primeira edição da Mesa Estadual de Diálogo Quilombola.

O evento, ocorrido 23/10/2025, reuniu cerca de 90 pessoas no auditório da Superintendência Regional do Incra/RS, em Porto Alegre.

A Mesa é uma instância de interlocução entre vários órgãos do Estado brasileiro e da sociedade civil organizada, instituída pelo Incra através da Portaria nº 188 de 2023. Ela é realizada nacionalmente e também por cada regional do Instituto. Nos estados, o principal objetivo é o acompanhamento da política de regularização fundiária quilombola, tarefa desempenhada pelo Incra desde 2003.

Segundo o chefe da Divisão de Territórios Quilombolas do Incra/RS, Sebastião Henrique Lima”, “é uma mesa de diálogo, de formação para o Incra, e de questionamento das comunidades”.

De acordo com o superintendente do Incra/RS, Nelson Grasselli, durante a abertura, “esta plenária foi muito aguardada”. Ele comemorou a chegada de novos servidores lotados na Divisão de Territórios Quilombolas - três Analistas de Reforma e Desenvolvimento Agrário na especialidade Antropologia, que ingressaram em agosto, aumentando a capacidade operacional da autarquia.

Grasselli também ressaltou a parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED), que está viabilizando cadastro de famílias quilombolas e diagnósticos nas comunidades. Uma das finalidades do cadastro é a inclusão de famílias no Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA), possibilitando o acesso às mesmas políticas públicas voltadas a famílias assentadas, como o crédito.

Para a presidente da Federação das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio Grande do Sul (FACQ/RS), Teresinha Lopes Paim, a questão principal a ser tratada com as comunidades é a titulação dos territórios. “Nossa prioridade é a terra. Muitos morreram por isso, e temos que lutar. Queremos titulação já para as comunidades quilombolas”, afirma.

Informações
A programação da manhã incluiu apresentação remota da Coordenadora de Identificação e Reconhecimento de Territórios Quilombolas (DQI) do Incra, Fernanda Anjos, com informações nacionais sobre o trabalho da autarquia. Também participou, diretamente de Brasília, a Coordenadora Jurídica de Territórios Quilombolas Patrícia Rossato. Ela falou sobre inovações na atuação jurídica relacionada à regularização dos territórios. Abordou ainda a atuação judicial do Incra em duas situações conflituosas no Rio Grande do Sul: a comunidade São Miguel dos Pretos, em Restinga Seca, e Vila Kédi, em Porto Alegre.

Pela tarde, foram abordadas questões de licenciamento ambiental. A regional do Incra também apresentou seu trabalho na titulação dos territórios, com dados sobre o andamento dos processos. Cadastramento de famílias pelo TED UFSM e crédito instalação também foram pautados.

Em todos os momentos, houve abertura para perguntas e debate. José Alex Borges Mendes, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) na Região Sul , lembrou que a Mesa vinha sendo reivindicada desde uma reunião com o Incra/RS em janeiro deste ano.

Números
No Rio Grande do Sul, há 115 processos de regularização de territórios quilombolas abertos. O pedido de abertura do 116º foi protocolado no dia do evento por Maria Leci Vieira Vaqueiro, presidente da Associação Remanescente de Quilombo de Ibicuí da Armada - no município de Santana do Livramento.

Maria Leci foi participar da Mesa para ter mais informações e levar para a comunidade. “A titulação é importante para a defesa dos nossos direitos. Para nosso futuro, que terra, que espaço vamos deixar para nossos filhos? Os velhos estão morrendo, os novos estão saindo”, afirma a quilombola.

Do total de processos abertos, quatro comunidades foram tituladas: Chácara das Rosas (no município de Canoas), Família Silva (em Porto Alegre), Casca (Mostardas) e Rincão dos Martimianos (Restinga Seca) - as três últimas parcialmente.

O Incra já identificou, delimitou e reconheceu, por meio de Portaria (etapa anterior à desintrusão e titulação das áreas), 21 territórios quilombolas no Rio Grande do Sul.

Além das comunidades quilombolas, participaram da Mesa representantes de instituições e entidades variadas, como a Emater/RS, a Fundação Cultural Palmares, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (CODENE), UFSM.

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Assessoria de Comunicação Social do Incra/RS
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Agricultura e Pecuária
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