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Comunidade quilombola
TCC de estudante quilombola do Piauí aborda ancestralidade e uso de plantas medicinais
TCC de Paloma Sá foi motivado pela própria vivência dela na comunidade quilombola Artur Passos - Foto: Incra/PI
Uma pesquisa sobre saberes ancestrais e o uso de plantas medicinais na comunidade quilombola Artur Passos, localizada no município de Jerumenha (PI), resultou no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Paloma Matos de Sá - estudante de Licenciatura em Ciências Biológicas, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), campus Amílcar Ferreira Sobral, em Floriano (PI).
A autora explica que a escolha do tema foi motivada pela própria vivência na comunidade. “Sou quilombola de Artur Passos e sempre tive contato direto com esses saberes, o que despertou o interesse em registrar esse conhecimento tradicional”, afirmou.
O estudo teve caráter quantitativo e qualitativo, com entrevistas e questionários aplicados aos moradores da área remanescente de quilombo em setembro de 2025. Segundo Paloma, o trabalho se relaciona ao cotidiano da comunidade, onde o uso de plantas medicinais “faz parte da rotina familiar e comunitária”. Ela relata práticas presentes em sua própria família, a exemplo do uso de hortelã e capim-santo como calmante, aroeira para inflamações, alecrim em gripe e boldo para problemas digestivos.
O TCC, aprovado em dezembro de 2025, aponta que o conhecimento sobre as plantas é transmitido principalmente por pais, avós e outros membros da família, com destaque para o papel das mulheres. “São elas as principais guardiãs e transmissoras desses saberes, especialmente no cuidado da saúde e na identificação e preparo das espécies”, explica a autora.
Entre as plantas mais citadas pelos entrevistados estão: catinga de porco, hortelã e aroeira. “Esse conhecimento, transmitido de geração em geração, promove a autonomia terapêutica da comunidade e contribui significativamente para a preservação da identidade cultural e dos saberes ancestrais quilombolas”, afirma.
O estudo também registrou a percepção de moradores sobre mudanças climáticas, como a redução das chuvas e o aumento das queimadas - notados como fatores que influenciam a disponibilidade de plantas medicinais no território.
Orientado pelo professor doutor José Ribamar Sousa Júnior, o TCC destaca a importância do registro acadêmico dos conhecimentos tradicionais quilombolas e da adoção de políticas públicas voltadas à valorização desses saberes e à conservação da biodiversidade local.
Para Paloma, que fará colação de grau em março de 2026, o trabalho representa “um marco pessoal e acadêmico”, além de ter reforçado seu interesse em seguir carreira como professora e ingressar no mestrado e doutorado. “Tenho a intenção de seguir a carreira como educadora, contribuindo para a formação de novos profissionais e compartilhando o conhecimento adquirido ao longo da minha formação acadêmica”, disse.
Regularização fundiária
A comunidade quilombola Artur Passos possui certificação de autoidentificação emitida pela Fundação Cultural Palmares desde 2010. O processo de regularização fundiária, que estava paralisado por decisão judicial há vários anos, será retomado nas próximas semanas em parceria entre Incra e Instituto de Terras do Piauí (Interpi).
A retomada ocorre após sentença de setembro de 2025 em que a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região reformou decisão de anulação do processo administrativo de demarcação e titulação. A retomada dos trabalhos atende a recurso judicial que foi apresentado pelo Incra, Defensoria Pública da União e Fundação Cultural Palmares.
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