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Reforma Agrária
Emoção marca entrega de CCUs e créditos a famílias do assentamento Cícero Guedes (RJ)
Centenas de pessoas participaram da atividade no Centro de Convenções Oscar Niemeyer da UENF - Foto: Incra/RJ
“Todos só falavam nesse momento. Alguns nem conseguiram dormir de tão emocionados que estão, porque é um sonho realizado e concretizado. É uma etapa que termina, e uma nova se inicia agora como assentados da Reforma Agrária”. A fala da coordenadora do Projeto de Assentamento Cícero Guedes e dirigente regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Ana Paula Saraiva, demonstra a euforia que contagiou o Centro de Convenções Oscar Niemeyer da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF).
Na ocasião, ocorrida durante os dias 31 de março e 1º de abril de 2026, foram entregues pelo Incra no Rio de Janeiro Contratos de Concessão de Uso (CCUs) e Contratos de Crédito, na modalidade Apoio Inicial, às 185 famílias selecionadas para o Assentamento Cícero Guedes, em Campos dos Goytacazes.
No primeiro dia, foi realizada solenidade com a presença da superintendente regional do Incra/RJ, Maria Lúcia de Pontes; da reitora da UENF, Rosana Rodrigues; do deputado federal Reimont; da deputada Marina do MST; e da defensora Pública Estadual do 1º Núcleo Regional de Tutela Coletiva de Campos dos Goytacazes, Carolina Hennig - entre outras autoridades federais, estaduais e municipais, além de movimentos sociais da região.
Ditadura militar
Realizada na data que marcou os 62 anos do golpe que instaurou a ditadura militar no Brasil, o fato foi lembrado nas falas. O Assentamento Cícero Guedes foi criado em terras da extinta Usina Cambahyba, em cujos fornos foram incinerados pelo menos 12 corpos de presos políticos torturados e mortos durante a ditadura, segundo revelou o ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI) Claudio Guerra, o que foi confirmado pela Comissão Nacional da Verdade.
“Hoje é um dia que lembramos esse triste momento da história brasileira, mas agora essa data também será um dia feliz, quando 185 famílias acessam o Programa Nacional de Reforma Agrária. O próprio Cícero Guedes foi assassinado, assim como o Oziel Alves. Apesar das dores, a gente consegue ter esperança, quando há luta, resistência e um governo que nos apoia e nos acolhe”, declarou a superintendente Maria Lúcia de Pontes.
“A luta valeu a pena”
“Esse CCU não é apenas um documento. Ele representa uma vida de luta, resistência, esperança, fé e amor pela terra. Cada família que acreditou, o companheiro que persistiu, a criança que cresceu dentro dessa luta, os pais que sonharam com esse dia. Tenho a certeza de que a luta valeu a pena. E sigo firme, com o coração cheio de emoção, gratidão e responsabilidade, honrando a memória do meu pai, a história do nosso povo e a força de cada um que caminhou até aqui”, disse a presidente da Associação Oziel Alves II do Assentamento Cícero Guedes, Shaiana Wunara.
Para a reitora da UENF, professora Rosana Rodrigues, foi uma data histórica para a instituição. “Nós sediamos esse momento da entrega do CCU para os assentados do Cícero Guedes, o que reforça o papel da UENF de universidade pública implantada em Campos para atender o desenvolvimento econômico, social, ambiental e atuar junto das comunidades no interesse coletivo”, afirmou ela, lembrando que Cícero Guedes também é o nome do Restaurante Universitário da UENF.
Também esteve presente na solenidade um grupo de representantes do Acampamento Leonel Brizola I, em Campos. “Me emocionei, pois compartilho com quase 200 famílias o desejo de conquistar um pedaço de terra. Sabemos que trabalhando para os fazendeiros e usineiros, a concretização desse sonho se torna distante. A menção frequente ao nosso acampamento e o reconhecimento do compromisso do governo, através do Incra e do MDA, foram extremamente gratificantes”, pontuou o coordenador Abdala Nilton.
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