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POLÍTICA LGBTQIA+
Secretária Symmy Larrat destaca disputa de memória e patrimônio LGBTQIA+ em fórum do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural
(Foto: Késsiley Jordan/SNLGBTQIA+)
A secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Symmy Larrat, participou, na quarta-feira (4), em Brasília (DF), do painel “Patrimônio LGBTQIAPN+: luta por direitos e expressões de resistência”, realizado durante o 1º Fórum do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural (SNPC).
O encontro reuniu representantes do poder público, da academia e da sociedade civil para discutir o papel das políticas de patrimônio cultural na valorização da diversidade e das trajetórias históricas da população LGBTQIA+ no Brasil.
Promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o fórum teve como objetivo ampliar o diálogo sobre políticas públicas de preservação, memória e patrimônio cultural, além de fortalecer a articulação institucional entre diferentes áreas do governo e da sociedade.
Durante o painel, Symmy Larrat ressaltou que a discussão sobre patrimônio envolve também disputas simbólicas relacionadas à memória, à moral e aos chamados “bons costumes”. Para a secretária, ampliar o entendimento do que constitui patrimônio cultural é fundamental para reconhecer histórias, identidades e formas de resistência historicamente invisibilizadas.
“Quando a gente fala em patrimônio, muita gente ainda imagina apenas prédios antigos ou monumentos históricos. Mas patrimônio também é memória, é narrativa, é história de vida. É aquilo que faz parte da construção da nossa identidade coletiva”, afirmou.
A secretária destacou que ampliar esse conceito é um passo importante para que as trajetórias e experiências da população LGBTQIA+ também sejam reconhecidas como parte do patrimônio cultural brasileiro: “Disputar o patrimônio é disputar memória, disputar narrativa e disputar verdade. Sem ressignificar esses conceitos, a gente não consegue questionar estruturas históricas que excluíram determinadas histórias e identidades”.
Memória, território e resistência
Durante sua participação, Symmy também compartilhou experiências que evidenciam como espaços e territórios podem ganhar novos significados a partir da atuação de movimentos sociais e políticas públicas. Entre os exemplos citados, ela mencionou a gestão do Casarão da Diversidade, em Salvador (BA), espaço histórico localizado no Pelourinho que foi transformado em um centro de acolhimento, serviços e articulação para a população LGBTQIA+.
Segundo a secretária, iniciativas como essa demonstram como a disputa pelo patrimônio também é uma disputa pela memória e pela presença da população LGBTQIA+ na história do país: “Quando a gente ressignifica esses espaços, reconectamos passado, presente e futuro. São experiências que evidenciam que nossas histórias também fazem parte da construção cultural e política do Brasil”.
Durante o painel, Symmy Larrat também apresentou iniciativas que integram a Política Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, entre elas a criação das Casas da Cidadania, uma rede de espaços voltados ao fortalecimento da cidadania, da memória e da cultura LGBTQIA+ nos territórios.
Inspirada na lógica dos pontos de cultura da Política Nacional de Cultura Viva, a proposta prevê que diferentes organizações e equipamentos possam se integrar à rede, promovendo ações de acolhimento, cultura, memória, pesquisa e formação.
“Queremos espaços vivos, onde as pessoas possam acessar direitos, mas também se reconectar com sua história, com sua cultura e com suas referências. A ideia é construir uma rede ampla, que dialogue com educação, ciência, cultura e direitos humanos”, explicou.
A iniciativa está em fase inicial de implementação e prevê a articulação com universidades, organizações da sociedade civil e diferentes órgãos públicos.
Fórum do SNPC
O 1º Fórum do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural reuniu especialistas, gestores públicos, pesquisadores e representantes de movimentos sociais para discutir estratégias de fortalecimento das políticas de patrimônio cultural no Brasil.
Além da secretária Symmy Larrat, participaram do painel representantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), do Instituto LGBT+, do coletivo Baianas Ricas de Maracatus e do Iphan do Pará.
O encontro integrou a agenda de debates sobre políticas públicas de preservação cultural, promovendo reflexões sobre memória, identidade, diversidade e direitos humanos no campo do patrimônio cultural brasileiro.
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Texto: E.G.
Edição: G.O.
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