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EDUCAÇÃO E DIREITOS HUMANOS
Ministra Macaé Evaristo destaca liderança feminina e papel da educação pública na promoção de direitos humanos em João Monlevade (MG)
(Foto: Gabriela Matos/MDHC)
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, apresentou, nessa segunda-feira (9), a aula magna “Escola é Lugar de Mulher: Liderança Feminina e Transformação da Educação Pública”, em João Monlevade (MG). A atividade integrou as celebrações pelo Dia Internacional da Mulher e marcou a abertura da formação da Rede Municipal de Educação da cidade, reunindo educadoras, gestoras públicas e lideranças femininas.
A iniciativa teve como objetivo estimular reflexões sobre liderança feminina, educação pública e promoção dos direitos humanos, além de fortalecer a articulação local para o enfrentamento à violência contra as mulheres e para o desenvolvimento de políticas públicas intersetoriais.
Durante sua fala, a ministra destacou a importância de reconhecer e valorizar o papel histórico das mulheres na construção da educação brasileira e na defesa de direitos. “Também queremos provocar os corações e as mentes para pensar cada vez mais na necessidade de construirmos um país que efetivamente respeite as mulheres, que dê às mulheres o seu legítimo valor e que respeite a dignidade que carregamos em cada um dos nossos corpos”, afirmou Macaé Evaristo.A ministra ressaltou que a história do acesso à educação no Brasil está profundamente ligada às lutas sociais, especialmente protagonizadas por mulheres. “A própria luta pelo acesso e pela garantia do direito à educação foi uma luta que muitas mulheres precisaram travar. Muitas vezes se trata o magistério como vocação ou caridade, quando estamos falando de políticas públicas e de profissionais que precisam ser valorizadas e reconhecidas como trabalhadoras da educação”, pontuou.
Macaé Evaristo também relacionou o debate à desvalorização histórica de profissões ocupadas majoritariamente por mulheres, como a educação, a enfermagem e o trabalho doméstico, destacando a importância de políticas públicas que reconheçam e apoiem o trabalho de cuidado. “O cuidado precisa ser pensado como política pública. Muitas mulheres estão, ao mesmo tempo, cuidando de filhos, netos ou sobrinhos e de familiares idosos, sem que haja políticas estruturadas que apoiem esse trabalho. Isso impacta diretamente suas trajetórias profissionais”, explicou.
Violência contra mulheres e proteção de crianças
Outro ponto abordado pela ministra durante a aula magna foi o crescimento da misoginia e dos discursos de ódio, especialmente no ambiente digital. Segundo ela, o enfrentamento a essas práticas é uma prioridade no âmbito das políticas de direitos humanos. “Hoje, temos redes criminosas especializadas em produzir violência contra mulheres e meninas no ambiente digital. Muitas vezes, isso aparece disfarçado de ‘piada’, mas não é recreativo: é violência. Existe inclusive um setor econômico que lucra com a exposição e a violência contra os corpos femininos nas redes sociais”, alertou.A ministra também destacou o papel fundamental da escola e das educadoras na identificação de situações de violação de direitos de crianças e adolescentes. "Eles precisam ser vistos e ouvidos. A escola cumpre um papel essencial na proteção integral. Professores e professoras conseguem identificar sinais de violação de direitos e acionar as redes de proteção”, afirmou.
Ao final do evento, Macaé Evaristo enfatizou a centralidade das mulheres na educação brasileira e defendeu o fortalecimento da liderança feminina nos espaços de decisão. “Nós somos 80% das trabalhadoras que garantem a educação no Brasil. Todos os dias, garantimos que milhões de estudantes estejam na escola, aprendendo e sendo cuidados. Não podemos duvidar da nossa capacidade”, destacou.
“Nós vamos erguer a nossa voz, ocupar espaços e transformar as políticas públicas. Não é apenas ocupar lugares de poder, mas transformar esses espaços, tornando-os mais humanizadores, mais acolhedores e mais comprometidos com a dignidade humana”, completou.
Educação como transformação
A diretora-presidente da Fundação Casa de Cultura de João Monlevade, Nadja Lírio Furtado, também participou da atividade e ressaltou o papel da educação na transformação social e no enfrentamento às desigualdades de gênero.Ao citar versos da escritora Conceição Evaristo, ela destacou a importância de amplificar as vozes historicamente silenciadas. “Quando ela escreveu esses versos, nos entregou mais que um poema. Entregou um compromisso: o de transformar as vozes silenciadas ao longo da história em fala, arte e ação”, afirmou.
Nadja lembrou que a violência contra mulheres ainda é uma realidade alarmante no país, com impactos desproporcionais sobre mulheres negras. “A pergunta que permanece é: como romper esse ciclo? A resposta potente e transformadora está na educação — uma educação que forma consciência crítica e transforma as narrativas que sustentam as desigualdades”, concluiu.
A aula magna integrou a programação formativa da Rede Municipal de Educação e reuniu representantes da gestão pública local, educadoras e diversas lideranças femininas do município, fortalecendo o compromisso coletivo com a promoção da igualdade de gênero, a defesa dos direitos humanos e a construção de uma educação pública mais inclusiva e democrática.
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Texto: E.G.
Edição: F.T.
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