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DIGNIDADE E MEMÓRIA
Ministra Macaé Evaristo defende diálogo e enfrentamento ao discurso de ódio em encontro com a comunidade judaica de São Paulo
(Foto: Clarice Castro/MDHC)
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, cumpriu, nessa segunda-feira (26), uma agenda institucional junto à comunidade judaica de São Paulo (SP), no bairro do Bom Retiro, ao lado da secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Élida Lauris. A programação integra um conjunto de ações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) voltadas ao enfrentamento do antissemitismo, do racismo, dos discursos de ódio e da não repetição de intolerâncias graves, em consonância com o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro.
Durante a visita, a ministra destacou que a agenda se insere no compromisso do Estado brasileiro com a defesa da dignidade humana e com a promoção do diálogo entre diferentes comunidades. “Essa visita está ligada à pauta do combate ao antissemitismo e ao discurso de ódio, que hoje afetam não apenas a comunidade judaica, mas também a população negra, os povos indígenas, pessoas imigrantes e diversos grupos em todo o mundo”, afirmou.
Segundo Macaé Evaristo, a atuação do MDHC se orienta pela defesa da pluralidade e pela construção de pontes entre diferentes realidades sociais e culturais. “Não coaduna com os princípios dos direitos humanos colocar uma comunidade contra a outra. É fundamental distinguir ações de governos e Estados da vida cotidiana das comunidades, que são formadas por pessoas, histórias e contribuições diversas”, ressaltou.
A ministra também enfatizou que o diálogo é um eixo central da política externa e interna do país. “O Brasil atua pela solução pacífica dos conflitos, pelo respeito à vida humana, pelo multilateralismo e pela soberania dos países. É esse posicionamento que nos move e orienta nossas ações”, declarou.
Ao longo da agenda, Macaé Evaristo reiterou que o enfrentamento ao antissemitismo integra uma estratégia mais ampla de combate a todas as formas de racismo, preconceito e discriminação, enfatizando que, sem memória, o risco de repetição de graves violações de direitos humanos é muito grande. “O antissemitismo, assim como o racismo, propõe a desumanização, a segregação e a hierarquização de pessoas. Nosso papel é atuar na desconstrução dessas lógicas e na construção de uma cultura de direitos”, afirmou.
A ministra ainda destacou que o MDHC atua de forma transversal, dialogando com todas as comunidades e populações. “Temos uma área específica dedicada à população imigrante, estamos atentos à situação de brasileiros repatriados e seguimos trabalhando para garantir proteção, acolhimento e direitos. O foco é sempre a dignidade humana”, disse.
Memória, educação e direitos humanos
A agenda incluiu visitas a organizações da comunidade judaica paulistana que desenvolvem ações nas áreas de assistência social, cultura, memória, educação em direitos humanos e enfrentamento às intolerâncias.
A primeira visita foi à Ten Yad, instituição beneficente judaica fundada em 1992, inspirada nos ensinamentos de solidariedade do Rebe de Lubavitch. No local, a ministra e a secretária nacional foram recebidas pela equipe da instituição e participou de um diálogo sobre o trabalho desenvolvido, metas, indicadores e desafios da iniciativa.
Na sequência, Macaé Evaristo e Élida Lauris estiveram na União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social (Unibes), organização com 110 anos de atuação, voltada à promoção da dignidade humana, ao fortalecimento de vínculos familiares e comunitários e à inclusão social. A ministra e a secretária acompanharam atividades desenvolvidas pela instituição, incluindo uma apresentação realizada por pessoas idosas atendidas pelo serviço, e participaram de uma conversa sobre políticas públicas, direitos humanos e o papel das organizações da sociedade civil na promoção da cidadania.
Outro ponto da programação foi a visita ao Memorial do Holocausto de São Paulo, espaço dedicado à preservação da memória, à educação em direitos humanos e ao enfrentamento das intolerâncias. A visita institucional contou com a presença de um sobrevivente do Holocausto, proporcionando um momento de reflexão sobre os impactos do ódio, da discriminação e das violações de direitos humanos ao longo da história.
Diálogo e construção de pontes
A agenda se encerrou com um encontro na Casa do Povo, instituição fundada em 1946 por judeus e judias do Leste Europeu, com o objetivo de manter viva, por meio da cultura, a luta contra o fascismo. No local, a ministra Macaé e a secretária Élida se reuniram com movimentos sociais para dialogar sobre a questão judaica e suas alianças com outras lutas de grupos minorizados e racializados.
Ao final da programação, Macaé Evaristo destacou a importância de conhecer as experiências concretas das comunidades e de valorizar suas contribuições para a sociedade brasileira. “Quando pensamos uma comunidade, não podemos partir de ideias pré-concebidas. É preciso conhecer as pessoas, suas histórias, suas práticas e suas contribuições. Isso é essencial para a construção da democracia, de uma sociedade justa, solidária e plural”, afirmou.
Segundo a ministra, a solidariedade exige ações concretas e disposição para o encontro. “Precisamos ser ponte. É assim que fortalecemos a democracia e avançamos no enfrentamento de todas as formas de preconceito e discriminação no nosso país”, concluiu.
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Texto: E.G.
Edição: F.T.
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