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ACOLHIMENTO
MDHC promove o 1º Encontro Cultural de 2026 no CREDHYY e CAICYY, em Roraima
(Foto: Daniela Pinheiro/MDHC)
Na última quinta-feira (22), os Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana (CREDHYY) e o Centro de Atendimento Integrado às Crianças Yanomami e Ye’kwana (CAICYY), equipamentos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), realizaram o 1º Encontro Cultural 2026, na sede dos Centros, em Roraima.
Durante o evento, foi apresentado o Mural Cultural dos Povos do CREDHYY e do CAICYY, com a participação de artesãos, além da instalação da Placa do Tapiri, construção tradicional confeccionada em madeira e coberta com palha de buriti.Segundo explica a coordenadora-geral do CREDHYY, Icleia Moura de Castro, o tapiri apresenta similaridades com o chapono, habitação tradicional do povo Yanomami.
“Essa estrutura contribui para a construção de um ambiente mais acolhedor e respeitoso para os povos indígenas que acessam o espaço. Ao reconhecerem e utilizarem uma edificação semelhante às existentes em seus territórios, muitas pessoas se sentem mais seguras, confortáveis e conectadas à sua cultura e às suas raízes. O tapiri não se configura apenas como uma construção física, mas como um símbolo de respeito cultural, de acolhimento humanizado e de valorização dos modos de vida indígenas”, afirmou.
O 1º Encontro Cultural de 2026 integrou a missão institucional realizada em Roraima e constituiu uma oportunidade para celebrar os três anos da resposta humanitária voltada à proteção e à garantia dos direitos dos povos Yanomami.
Nesse contexto, sob a coordenação do MDHC, o CREDHYY e o CAICYY realizaram o primeiro evento cultural de 2026, estruturado como um encontro com exposição de artesanato. A iniciativa teve como objetivo fortalecer os laços interétnicos e reafirmar a importância do reconhecimento e da valorização das culturas dos povos originários, bem como reiterar o compromisso do MDHC com a articulação da rede de serviços e o fortalecimento de ações intersetoriais voltadas à promoção dos direitos humanos de crianças, adolescentes e famílias indígenas em Roraima.
Escuta qualificada
A secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos do MDHC, Élida Lauris, relembrou que, há três anos, foi reconhecida a situação de calamidade vivenciada pelo povo Yanomami em Roraima e que, desde então, o Ministério atua de forma contínua no território, em articulação com diferentes órgãos e instituições, junto às populações Yanomami e Ye’kwana.
Segundo a secretária, “o ministério tem assegurado o funcionamento de um centro multidisciplinar integrado, garantindo uma escuta qualificada e protegida, além de uma atuação voltada à defesa dos direitos humanos das populações indígenas”.
A titular da SNDH disse que nenhuma ação em direitos humanos se realiza sem articulação, parceria e colaboração, tanto com os entes estaduais e municipais quanto com organizações da sociedade civil: “Trata-se de um conjunto de organizações que têm nos apoiado no Centro na realização do atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade, abrangendo não apenas as populações indígenas, mas também com atenção especial às populações migrantes e refugiadas”.Élida Lauris enfatizou ainda que o trabalho conta com o apoio de diversas organizações, entre elas o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que atuam na região no fortalecimento das políticas públicas e das ações intersetoriais em desenvolvimento.
A coordenadora-geral do CAICYY, Jackline Ferreira Costa, que também participou da programação, afirmou que as ações realizadas com a presença de todos os parceiros reforçam a continuidade das atividades em 2026, consolidando os compromissos articulados em 2025 e ampliando as perspectivas de atuação junto aos povos indígenas.
Segundo ela, as iniciativas fortalecem o trabalho da equipe do CAICYY em articulação com a Rede de Proteção Integral da Criança Indígena no estado de Roraima. “A rede de articulação amplia e fortalece o espaço de atuação, possibilitando a garantia prioritária do atendimento, a escuta protegida da criança e a construção de novos fluxos que se mostrem necessários”, destacou.
Jackline explicou ainda que o CAICYY possui relevância estratégica para o estado de Roraima, sobretudo para o enfrentamento de gargalos e fragilidades identificadas nos equipamentos públicos. “De forma articulada, estamos superando barreiras que, anteriormente, não eram possíveis de transpor. A partir dessas articulações, temos avançado no alinhamento dos fluxos de atuação entre os equipamentos, as redes, os conselhos tutelares, as varas da infância e o hospital da criança”, complementou.
Preservação da natureza
Jackson Raposo, indígena macuxi da região da Raposa Serra do Sol, antropólogo e integrante da equipe do CAICYY, explicou que seu trabalho consiste em apoiar as coordenações, intérpretes e demais profissionais em temas relacionados à antropologia, atuando como ponte intercultural entre os povos indígenas e a percepção que eles têm da cidade e dos serviços ofertados pelo Centro. “Faço essa ponte intercultural entre os indígenas e as outras etnias com quem eles têm contato, assim como com os profissionais da cidade, tanto na área médica quanto nas áreas jurídica, assistencial e de documentação civil”, afirmou.
Com foco na antropologia oral, a partir de histórias, mitos e lendas de seu povo — e agora também dos territórios Yanomami e Ye’kwana —, Jackson coleta relatos sobre cosmologia e vivências ligadas à espiritualidade indígena. Ele ressaltou a importância da ancestralidade na cosmologia indígena, que orienta a convivência em sociedade desde a infância.
Durante a exposição, Jackson apresentou pinturas nas paredes do Centro que representam a cosmologia indígena, expressa por meio de manifestações corporais, artesanato e pinturas em paredes e pedras. Segundo o antropólogo, as obras refletem a vida, os pensamentos, as memórias e o cotidiano dos povos indígenas que as produziram, retratando árvores, animais, rios, serras, montanhas e pássaros. Ele destacou que, apesar da diversidade de etnias e cosmologias, há um pensamento comum voltado à preservação da natureza e do meio ambiente, intrinsecamente ligado às dimensões territorial e espiritual.Jackson também enfatizou a importância de eventos como o realizado pelo MDHC em parceria com outras organizações, por ampliarem a compreensão de que a cultura indígena vai além do que é visível, abrangendo músicas, danças, pintura corporal, artesanato e pinturas rupestres, todas profundamente conectadas à cosmologia, à espiritualidade e à relação contínua com o território.
Para o advogado do CAICYY, Kim Reis, que atua no monitoramento de decisões judiciais com impacto sobre as populações indígenas, o encontro foi fundamental para o planejamento das ações de 2026 voltadas às crianças e adolescentes indígenas em Boa Vista, além de constituir uma referência de boas práticas para outras regiões do país. “É fundamental fiscalizar a atuação do Poder Judiciário e trazê-la para a realidade indígena, garantindo que nossas necessidades, nossos costumes e nossa cultura sejam respeitados”, destacou.
A coordenadora-técnica do CAICYY, Natália Dornelles, ressaltou que o evento, estruturado como uma feira multicultural com a comercialização de produtos artesanais, também teve caráter celebrativo, ao reconhecer as conquistas alcançadas ao longo dos últimos três anos. “O Centro se consolida como referência em direitos humanos e na proteção integral da criança e da família. Momentos como esse unem as várias etnias aqui presentes no estado, além de nossos amigos, irmãs e irmãos indígenas e migrantes. O Centro é um ponto de referência e acolhimento para todas essas etnias”, concluiu.
Durante a missão, também foram realizadas visitas técnicas aos pontos de atendimento da Operação Acolhida, além de reuniões com representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, organismos internacionais e entidades da sociedade civil que atuam na região, com o objetivo de aprimorar as políticas públicas e as ações intersetoriais em curso.
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Texto: R.M.
Edição: G.O.
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