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Laudo que identifica restos mortais do morto político Alex Xavier é entregue à família
Após 42 dois anos de angústias e incertezas, chegou ao fim, na manhã desta quarta-feira (26), mais uma etapa de busca pela localização e reconhecimento dos restos mortais do militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), Alex de Paula Xavier. Isso porque, o Governo brasileiro, por meio da Comissão Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) e a Polícia Federal, entregaram à família de Alex, morto político não identificado, um lado de identificação de seus restos mortais, que aguardavam reconhecimento há 35 anos, desde que foram localizados no cemitério de Perus, em São Paulo. Alex foi morto em 20 de janeiro de 1972.
Bastante emocionada a mãe de Alex, Zilda Xavier, agradeceu o empenho de todos que trabalharam para que a edificação fosse possível e lembrou dos anos de angústia que ela e toda a sua família viveram na busca pela identificação dos restos mortais de seus dois filhos, que foram torturados e mortos pela ditadura militar. “É uma dor muito grande o assassinato de dois filhos. Até hoje sinto muito a falta deles. Não Sei como agradecer o trabalho de todos que atuaram para que isto fosse esclarecido, pois infelizmente não posso mais ter meus filhos”, disse dona Zilda de 88 anos, que se locomove com o auxílio de uma cadeira de rodas.
Na ocasião, foi apresentado um vídeo com registros fotográficos e um depoimento da irmã de Alex, Iara Xavier Pereira, que encabeçou a luta pela memória e à verdade, desde que teve seus irmãos assassinados. “Há 42 anos buscamos pela verdade e memória dos meus irmãos e do meu ex-marido. Esse é o fechamento de um ciclo de luto. Agora vamos esperar pela justiça”, declarou. No vídeo, Iara lembra que sua mãe também militou contra a ditadura, inclusive sendo aprisionada em uma unidade hospitalar psiquiátrica, de onde conseguiu fugir. O primeiro marido de Iara, Arnaldo Cardoso Rocha, também foi torturado e assassinado pela ditadura. Seus restos mortais também já foram identificados, assim com o de seu irmão Iuri Xavier Pereira.
Bastante comovida, a Ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, ressaltou a importância do laudo entregue à família e ressaltou o papel do governo brasileiro na elucidação de todos os fatos relacionados às graves violações aos direitos Humanos ocorridas no país, em especial aos relacionados à ditadura militar. “Não temos um dia se quer a perder, além dos que já foram perdidos. Ao assumir esta Secretaria, me dediquei desde o primeiro dia a essa causa”, lembrou Rosário que aproveitou para agradecer aos familiares de mortos de desaparecidos políticos pela persistência e colaboração com as investigações em curso no país.
Desaparecimento – Alex Xavier Pereira desaparecido em 20 de janeiro de 1972. Hoje, sabe-se que ele estava com um colega militante trafegando pela Avenida República do Líbano, na zona sul de São Paulo, quando foi morto a tiros por policiais da equipe B do Destacamento de Operações de Informações, do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). Mas sua morte não foi admitida pelo governo militar, tanto que ele continuou sendo processado por atos contra a ditadura até 1979, quando foi aprovada a Lei de Anistia.
Um irmão de Alex, o também militante Iuri Xavier Pereira, foi morto 146 dias depois, em 14 de junho de 1972, aos 22 anos, durante um suposto tiroteio na porta de um restaurante em São Paulo. Como os dois corpos desapareceram, a família passou a procurá-los em cemitérios. Em 1973, uma tia de Alex e Iuri localizou o corpo de Iuri no Cemitério Dom Bosco, em Perus, na zona norte de São Paulo. Ele havia sido enterrado com o nome verdadeiro. O irmão não constava da lista de enterrados, mas a família suspeitou que um homem enterrado como João Maria de Freitas pudesse ser Alex. Em 1979, a família pediu a transferência dos cadáveres para o túmulo da família, em Inhaúma, no Rio, o que foi feito em 1980.
Quando eles foram exumados, verificou-se que as características físicas não correspondiam. No local onde o corpo de Alex estaria enterrado, havia o cadáver de uma mulher. Foram abertas outras sepulturas até se chegar a corpos com características condizentes com os irmãos, e os cadáveres foram transferidos para o Rio. Em 1996, os corpos foram exumados e submetidos a exames. Na ocasião, Iuri foi identificado oficialmente por DNA, mas o corpo de Alex estava em piores condições e não respondeu à tecnologia da época.
Desta vez, com o avanço da tecnologia, a identificação foi possível, a partir de um osso do fêmur de Alex Xavier, que estava em poder da Polícia Civil de Brasília. O material havia sido recolhido à época da primeira exumação.
Assessoria de Comunicação Social com Agências