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Discriminação contra mulheres lésbicas e racismo tem a mesma origem, diz Ideli
“Ninguém conseguirá me ofender me chamando por nomes que significam apenas o meu amor por outra mulher”. A frase é da artista e ativista Vange Leonel, que faleceu este ano e deixou como legado a reafirmação de valores para as mulheres lésbicas.
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) e a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) homenagearam Vange nesta quinta-feira (28) em homenagem ao Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, celebrado em 29 de agosto.
No encontro, a ministra Ideli Salvatti ressaltou a importância do combate ao preconceito e a violência contra lésbicas. Em seguida, elogiou a manifestação enviada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal para que, na ausência de lei específica, casos de homofobia sejam enquadrados como crimes de racismo.
“A base da homofobia e do racismo é a mesma”, explicou a ministra da SDH/PR – enfatizando o compromisso do Estado brasileiro com as mulheres lésbicas. “Isso porque a motivação, seja na questão patrimonial (de classe), seja na questão racial (de gênero), da discriminação, da violência e do preconceito nada mais são do que facetas de disputa de poder.”
A homenagem contou ainda com a presença da juíza do Tribunal de Justiça de Santa Catarina Sônia Moroso Terres e a Presidenta do Tribunal Superior Militar, Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, que também defenderam o enfrentamento à lesbofobia. Estavam presentes ainda a mãe e a companheira de Vange, Maria Helena Leonel Gandolfo e Cilmara Bedaque, que receberam – ambas – placas em homenagem à artista.
Após a homenagem, o filme “Flores Raras”, que conta a história do relacionamento entre Elisabeth Bishop (poeta americana vencedora do Prêmio Pulitzer em 1956) e Lota de Macedo Soares (arquiteta carioca responsável pela construção do Parque do Flamengo), foi exibido em celebração a data.
Ministras – As ministras da Cultura, Marta Suplicy e das Mulheres, Eleonora Menicucci, também participaram da homenagem. Para Marta, o combate a lesbofobia deve ser também o combate ao machismo e o sexismo. “Está cada vez mais difícil lutar por direitos referentes a comportamento”, afirmou. Já Menicucci defendeu que a sociedade não deve mais conviver com o preconceito e a dor das violações de direitos, ressaltando a importância de combater a violência institucional contra mulheres lésbicas.
Data – O Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, foi instituído a partir do I Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), ocorrido na mesma data em 1996, no Rio de Janeiro, por iniciativa do Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (Colerj). Como resultado, foi inserida a letra L, de lésbicas, na sigla LGBT, tornando-se um dos primeiros passos de compromisso do movimento homossexual com a pauta das Lésbicas. Segundo relatório da SDH/PR de 2012, 37,59% das vítimas de violência homo-lesbofóbica são lésbicas.
Assessoria de Comunicação Social