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PARTICIPAÇÃO SOCIAL
MDHC realiza encontro de formação do Programa Viva Mais Cidadania em Brasília
(Foto: Clarice Castro/MDHC)
A Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa (SNDPI), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), realizou, nesta terça (10) e quarta-feira (11), o Encontro de Formação para coordenadores e lideranças do Programa Viva Mais Cidadania, em Brasília (DF).
O encontro integra as ações de fortalecimento e ampliação do Programa Viva Mais Cidadania, iniciativa instituída pela Portaria n.º 627, de 2 de outubro de 2023, cujo objetivo é promover os direitos e fortalecer a cidadania de pessoas idosas em situação de vulnerabilidade e vítimas de múltiplas discriminações.
Em sua fala de abertura, o secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva, destacou que o momento representa uma etapa de consolidação das políticas construídas nos últimos anos.
“Esse é um momento muito importante da nossa gestão, porque já é a consolidação de políticas e programas que começamos a estruturar desde 2023. Hoje, boa parte do que desejávamos lá atrás já está acontecendo, e agora também entramos em uma fase de avaliar o que foi feito, isso é bastante transformador e revolucionário”, enfatizou.
Reconhecimento internacional
O representante da SNDPI também mencionou que o governo federal prepara novas ações de cooperação internacional voltadas à promoção do envelhecimento com respeito à autonomia, saúde, segurança e participação ativa na sociedade.
“Estamos avançando em uma parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para compartilhar experiências do Brasil com outros países. Isso reconhece o trabalho que vem sendo feito nos territórios e pode abrir novas oportunidades de cooperação e recursos”, avaliou.
“Se hoje essas experiências chamam atenção internacional, é porque cada um de vocês e suas equipes estão fazendo um trabalho muito importante nos territórios”, celebrou o secretário.
Caderno Metodológico
Durante a reunião, o diretor de Proteção da Pessoa Idosa da SNDPI, Kênio Costa Lima, destacou que o encontro tem como principal objetivo ouvir as lideranças territoriais que atuarão diretamente na implementação do programa.“Esse encontro pretende ser muito potente, porque é o primeiro momento em que estamos reunindo lideranças dos territórios onde o Viva Mais Cidadania vai atuar. Queremos ouvir essas lideranças sobre como trabalhar com os diferentes grupos em seus contextos locais, sempre com um olhar voltado para as pessoas idosas”, afirmou.
Kênio destacou ainda que a troca de experiências entre os participantes de diferentes regiões resultará em um documento com orientações para o desenvolvimento das atividades nos territórios.
“O principal produto desse encontro será um Caderno Metodológico construído a partir das oficinas realizadas durante esses dois dias. Esse material vai reunir propostas e orientações para orientar a implementação do programa”, ressaltou.
Viva Mais Cidadania
Neste momento de expansão, com novas pactuações, o Programa Viva Mais Cidadania amplia sua presença em territórios e públicos diversos, incluindo povos indígenas, povos das águas e ribeirinhos; população LGBTQIA+, pessoas refugiadas e migrantes e população em situação de rua, entre outros grupos que enfrentam múltiplas formas de discriminação.
A atividade marca ainda uma etapa estratégica para o alinhamento metodológico e operacional entre as equipes responsáveis pela execução do programa, além de marcar o fortalecimento de sua atuação diretamente nos territórios.
Vozes dos territórios
O evento também abre espaço para que lideranças comunitárias compartilhem experiências e relatem os desafios enfrentados por grupos sociais que, muitas vezes, permanecem invisibilizados nas políticas públicas.A representante LGBTQIA+ do Rio Grande do Norte, Wanja Celine da Silva, de 63 anos, destacou que muitas mulheres trans e travestis idosas vivem em condições de extrema vulnerabilidade e sem acesso a direitos básicos, especialmente na área da saúde.
“Muito do que se fala sobre direitos ainda não chega até nós, mulheres trans e travestis. Infelizmente, muitas não conseguem nem ser atendidas no posto de saúde. Temos vários casos de pessoas que preferem ficar doentes em casa do que ir a uma unidade de saúde e sofrer discriminação”, afirmou.
Wanja integra a Associação Casa Monique 50+, que atende pessoas LGBTQIA+, com mais de 50 anos, em Natal. A entidade realiza campanhas de arrecadação de alimentos e fraldas geriátricas para auxiliar a comunidade.
Letramento digital
Outra pauta da reunião foi a inclusão digital para idosos e o acesso a serviços públicos, visando autonomia e segurança contra golpes. Para a professora indígena, Ana Cristina de Souza Vargas, da etnia Guarani, que representa as comunidades Jaguapiru e Bororó, no município de Dourados (MS), iniciativas voltadas ao letramento digital, como o Viva Mais Cidadania Digital, são fundamentais para proteger a população idosa de fraudes e ampliar o acesso à informação.
“Hoje existem muitos golpes digitais, e é importante que eles saibam se proteger. Muitas vezes os idosos na comunidade, principalmente os mais humildes, têm dificuldade em falar o português corretamente ou não têm familiaridade com essas tecnologias. Quando conseguimos levar essas orientações por meio de professores que falam a língua indígena, por exemplo, o avanço pode ser muito maior”, explicou.
População em situação de rua
Já para Tereza Cristina, 59 anos, liderança que representa pessoas em situação de rua da cidade de Natal (RN), participar do encontro é uma forma de lutar por mais dignidade. Atualmente vivendo em um abrigo, ela espera que os debates realizados durante os dois dias de formação se transformem em ações concretas.
“Estou aqui para reivindicar os direitos das pessoas idosas. A minha expectativa é que tudo o que foi falado aqui possa realmente ser colocado em prática”, afirmou.
Programação
A programação seguiu na quarta-feira (11), com oficinas voltadas à sistematização de experiências, propostas e reflexões construídas ao longo das discussões que orientarão a implementação do Viva Mais Cidadania nos territórios do país, fortalecendo o diálogo entre governo, academia e sociedade civil.
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Texto: P.V.
Edição: G.O.
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