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MEMÓRIA E VERDADE
Familiares de Tenório Jr. recebem pertences do músico morto na ditadura argentina durante cerimônia solene no Rio de Janeiro (RJ)
(Foto: Tania Kolker/Reprodução)
Em cerimônia solene realizada nesta quarta-feira (25), no prédio da Procuradoria Regional da República, no centro do Rio de Janeiro, foram entregues os pertences pessoais de Francisco Tenório Cerqueira Júnior, conhecido como Tenório Jr. O ato aconteceu após esforços da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), em parceria com equipes técnicas de peritos forenses argentinos, e contou com o apoio da Procuradoria Regional da República.
Elisa Andrea Tenório Cerqueira, Margarida Maria Tenório Cerqueira e Francisco Tenório Cerqueira Neto, filhos de Tenório, além de Marina Tenório Oliveira, Sofia Cerqueira Borges e Rodrigo Cerqueira, seus netos, receberam duas correntes que permaneceram guardadas há mais de 50 anos devido a um processo judicial. Os objetos foram entregues por Carlos Somigliana, investigador da Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF).
Para Elaine Pires, coordenadora de apoio à CEMDP, a importância da entrega vai além do material. “Foi mais um importante momento de reparação aos familiares. Os objetos entregues trazem materialidade ao luto e à memória de Tenório Jr”, afirmou.Histórico
Tenório Jr., que acompanhava os músicos Toquinho e Vinicius de Moraes em uma turnê pela América do Sul, desapareceu na madrugada do dia 18 de março de 1976 em Buenos Aires, na Argentina. O episódio ocorreu a poucos dias do início da ditadura militar no país, em 24 de março do mesmo ano.
Em 20 de março, em um terreno baldio na região de Tigre, próxima à capital argentina, um corpo de um homem foi encontrado com marcas de disparos de arma de fogo. Na época, as digitais foram registradas e o homem, que mais tarde seria identificado como Francisco Tenório, foi enterrado como indigente no Don Torcuato, em Buenos Aires.
Identificação
Um levantamento de ações judiciais iniciadas em Buenos Aires entre 1975 e 1983 pela Procuraduría de Crímenes contra la Humanidad da Argentina possibilitou à EAAF investigar a identidade de corpos encontrados durante o período.
A CEMDP, que já vinha realizando o trabalho de coleta de amostras sanguíneas de familiares de mortos e desaparecidos no contexto da Operação Condor, foi notificada pela EAAF sobre o fato em 2025. Com isso, procurou e comunicou à família do artista brasileiro, vítima da violência política de Estado na América Latina.
A comissão brasileira vem acompanhando esse e outros casos relacionados à denominada Operação Condor, já tendo um procedimento próprio para coleta de dados dos desaparecidos políticos brasileiros em outros países.
Operação Condor
Operação Condor é o nome dado à aliança entre as ditaduras instaladas nos países do Cone Sul na década de 1970, e que abrangeu a Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. Por meio dessa cooperação, eram articuladas atividades coordenadas, de forma clandestina e à margem da lei, para vigiar, sequestrar, torturar, assassinar e fazer desaparecer militantes políticos que faziam oposição, armada ou não, aos regimes militares da região.
O Grupo de Trabalho (GT) Operação Condor, da Comissão Nacional da Verdade, examinou um conjunto de documentos, obtidos junto a acervos no Brasil, Argentina, Estados Unidos e Paraguai, que comprovam a participação de órgãos e agentes da ditadura brasileira em atividades que serviram para a preparação de operações que resultaram em graves violações aos direitos humanos de cidadãos brasileiros no exterior, assim como de estrangeiros no Brasil.
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Texto: R.B.
Edição: F.T.
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