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Reconhecimento internacional de "O Agente Secreto" traz à tona debate sobre o envelhecimento saudável e reforça combate ao idadismo
(Foto: Victor Jucá/Reprodução)
Nesta semana, o filme O Agente Secreto fez história durante a cerimônia do Globo de Ouro ao se tornar o primeiro filme brasileiro a levar dois prêmios em uma mesma edição.
No entanto, ainda que o longa tenha sido premiado nas categorias de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura, o reconhecimento internacional da obra lançou luz sobre um outro fenômeno que ultrapassa as telas: a ascensão da atriz potiguar Tânia Maria, que interpreta Dona Sebastiana.
Com uma trajetória artística que se iniciou aos 72 anos, ainda como figurante em outras obras do cinema, Tânia Maria, hoje com 79 anos, se tornou exemplo de reinvenção profissional e pessoal, autonomia e protagonismo na velhice. Sua história ainda levantou o debate sobre o envelhecimento saudável e ativo, e sobre a importância do enfrentamento ao idadismo — preconceito, estereótipos e discriminação baseados na idade.
“O idadismo é estrutural. Ele aparece nas piadas, nas falas do cotidiano e também na lógica de descarte das pessoas quando elas deixam de ser vistas como produtivas. Isso gera exclusão, isolamento social e abandono”, alertou Kenio Costa Lima, secretário nacional substituto dos Direitos da Pessoa Idosa (SNDPI), do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
Combate ao idadismo
Para Kenio, a história de Tânia Maria reflete o dever estatal de garantir proteção integral para todas as pessoas nas várias fases da vida.
“O papel do Estado, de forma ampla, é garantir a vida para todas as pessoas. E garantir a vida significa garantir proteção. A partir do momento em que a vida de alguém é cerceada, quando sua liberdade é violada, estamos falando de violação de direitos humanos”, afirmou.
Ainda de acordo com ele, O Agente Secreto estabelece uma interface direta com a atuação do MDHC ao abordar a violação de direitos em contextos autoritários ao mesmo tempo em que valoriza o protagonismo da atriz e de sua personagem.
“O filme traz fortemente o papel de uma mulher idosa nordestina, mãe solteira, que começou sua carreira aos 72 anos e que hoje, aos 79, a partir do filme, vive um renascimento com o cinema, a cultura e, consequentemente, trazendo um novo significado para a vida. Isso dialoga diretamente com a missão da nossa secretaria, que é garantir direitos, liberdade e autonomia à população idosa”, analisou.
Envelhecimento ativo e saudável
Segundo o secretário, O Agente Secreto também evidencia o papel estratégico das políticas culturais na promoção da dignidade e do bem-estar das pessoas idosas. “A oportunidade vivida por Tânia Maria serve de espelho para outras pessoas idosas. A história dela mostra que as oportunidades não se encerram aos 60 anos e que é possível recomeçar, refazer a vida, dando outra dimensão a ela ainda na velhice”, destacou Kenio.
O gestor ainda enfatizou que o envelhecimento ativo e saudável se estrutura em quatro eixos fundamentais: educação, saúde, participação e proteção e segurança. “Para que as pessoas envelheçam de forma ativa e saudável, é preciso integrar esses quatro pilares. Educação e acesso à cultura fortalecem a cidadania; saúde garante qualidade de vida; participação assegura protagonismo social; e proteção e segurança são deveres do Estado”, explicou.
“As evidências mostram que só existem dois caminhos eficazes para combater o idadismo: educação para o envelhecimento, desde a pré-escola até o ensino superior, e práticas intergeracionais que criem conexões reais entre as gerações, baseadas no respeito e na construção de um bem comum”, conclui Kenio.
Investimentos
Em 2025, o MDHC, por meio da SNDPI, investiu R$ 13,6 milhões na ampliação de políticas públicas voltadas à promoção do envelhecimento ativo, saudável e no fortalecimento do trabalho integrado nos territórios visando a garantia de direitos das pessoas idosas.
Para o secretário nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva, o ano de 2025 foi decisivo para a consolidação das iniciativas voltadas à promoção e à defesa dos direitos da população idosa.
“Tivemos a ampliação dos Programas Envelhecer nos Territórios, Viva Mais Cidadania, e conseguimos trazer uma inovação em parceria com a Secretaria Nacional da Pessoa com Deficiência (SNDPD/MDHC), que é o Envelhecer sem Limite, para dar atenção a grupos historicamente invisibilizados. Ainda encerramos o ano com a expansão das ações para novos municípios e estados, contemplando pessoas idosas em situação de rua, LGBTQIA+, refugiados, apátridas, migrantes e comunidades ribeirinhas”, afirmou.
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Texto: P.V.
Edição: F.T.
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