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MEMÓRIA
MDHC participa de missa em homenagem a Mãe Bernadete
(Foto: Duda Rodrigues/MDHC)
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) esteve, neste domingo (19), em Salvador (BA) para a missa em homenagem a Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete. Ialorixá, ativista e líder quilombola brasileira, foi executada aos 72 anos, em 2023, na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares Caipora, em Simões Filho (BA), na Região Metropolitana de Salvador.
O secretário nacional substituto de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos do MDHC, Eduardo Luz, reafirmou o legado da ialorixá na defesa dos direitos humanos e no combate à intolerância religiosa, reforçando a importância da justiça no caso.
“Enquanto Governo do Brasil, junto com o governo do estado, estamos envidando todos os esforços para avançar no desenrolar de todo esse processo. Continuamos aqui na defesa dos direitos humanos e sempre lembrando do legado de Mãe Bernadete, que hoje faria 75 anos”, afirmou.Ao coordenar a realização da agenda, por meio do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), em articulação com o Governo da Bahia, por meio de sua Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos (SJDH), e com a parceria do Instituto Mãe Bernadete, o MDHC reforça seu papel na promoção e defesa dos direitos humanos.
Além de Eduardo Luz, o MDHC também esteve representado pelo coordenador-geral do PPDDH, Igo Martini.
“A atuação do PPDDH na coordenação da atividade reafirma, diante da sociedade, que a memória de Mãe Bernadete segue viva como referência de dignidade, resistência e transformação, e que a proteção de lideranças quilombolas e de comunidades tradicionais constitui dever permanente do Estado”, destacou ele.
Legado
Líder religiosa reconhecida internacionalmente, Mãe Bernadete trabalhava incansavelmente pelo bem-viver do quilombo e era respeitada por pessoas de diversas religiões. Para o padre Edson Menezes, que celebrou a missa na Igreja Nosso Senhor do Bonfim, a luta da ialorixá permanecerá fortalecendo sua comunidade. “Eu a conheci e convivi muito de perto. Sei da sua luta, da sua lealdade, da sua fidelidade, e era uma pessoa muito querida, muito amiga. Justiça para aqueles que cometeram a atrocidade”, defendeu.
Para o filho de Mãe Bernadete, Wellington Pacifico, presidente do Instituto Mãe Bernadete, a missa reconhece a luta de sua mãe em defesa das comunidades tradicionais, em especial das comunidades quilombolas. Segundo ele, se estivesse viva, Mãe Bernadete estaria celebrando o aniversário com fomento à cultura local com samba de roda, com feira de artesanato e Feira de Agricultura Familiar.“Ela mantinha os saberes e fazeres dos ancestrais vivos. Uma guerreira que se foi fisicamente, mas espiritualmente está no coração de todos nós. Mesmo diante de tanta dor, o legado continua. Mãe Bernadete, sempre presente”, reforçou.
Wellington Gabriel, babalaô e faolê, defensor de direitos humanos e neto de Mãe Bernadete, também relembrou o quanto o dia do aniversário da liderança era uma celebração para toda a comunidade. “Ela estaria fazendo uma bela panela de feijão para alimentar seus filhos e netos, de criação e do quilombo, porque foi isso que ela fez a vida toda: combater a insegurança alimentar e levar a alimentação digna para o povo do Quilombo Pitanga dos Palmares Caipora”, afirmou.
De acordo com Felipe Freitas, secretário de Estado de Justiça, Direitos Humanos da Bahia, é inegável o simbolismo da ialorixá na luta quilombola e das comunidades tradicionais em defesa do povo de Santo da Bahia, e pelo legado de valorização da cultura, de organização comunitária e de defesa do seu território. “A nossa presença aqui, hoje, é uma maneira de lembrar da sua trajetória e destacar a importância de pessoas como ela na construção de um Brasil melhor. Para construir uma sociedade justa, é fundamental o papel das defensoras e dos defensores de direitos humanos”, destacou.
Felipe afirmou que, ao mesmo tempo em que existe a indignação com a violência que foi praticada contra a Mãe Bernadete, a missa faz uma memória carinhosa e afetiva por tudo que ela representou. “Abraçamos sua família nesse dia que é de luto, de tristeza, mas também de celebração dessa importante lutadora do povo brasileiro. Mãe Bernadete era uma pessoa especial, que falava de território e de relações justas, fraternas e solidárias. Viva, Mãe Bernadete!”, finalizou.
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Texto: R.M.
Edição: F.T.
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