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Estudante de Pernambuco desenvolve dicionário tecnológico em LIBRAS
Cícero Carlos Orlando Vidal, estudante de Tecnologia de Alimentos do Instituto Federal do Sertão, campus de Salgueiro (PE), está desenvolvendo um dicionário de termos técnicos na Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, para ser usado por professores no ensino de cursos tecnológicos onde estuda.
O aluno de 29 anos desenvolve o trabalho orientado por dois professores, em uma iniciativa que poderá ser aplicada em toda a rede de ensino e pesquisa do país, graças ao apoio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Surdo desde o nascimento, Cícero propôs o projeto a dois professores a partir da própria experiência. “É muito ruim quando o professor não consegue explicar o que significa determinado termo porque não há sinal para isso”, explica. “Decidi que precisava fazer alguma coisa para mudar essa situação.”
O trabalho foi desenvolvido no âmbito de curso ofertado no âmbito do Programa Nacional de Capacitação da Pessoa com Deficiência, que visa a mudar ampliar o acesso deste público a cursos técnicos e de formação inicial e continuada e agora trabalha para tornar mais fácil o caminho dos próximos alunos surdos ou com deficiência auditiva.
O estudante afirma ter incorporado 400 novos sinais ao vocabulário do curso. “Apesar de ser um processo longo, gosto bastante do que faço”, ressalta. “Entender as palavras e estudar seu conceito, depois transformar tudo isso em símbolos que ajudam a comunicação de pessoas surdas é muito gratificante.”
Segundo a professora de LIBRAS e coordenadora do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (Napnes) do Instituto, Patrícia Lourenço Barros, apesar de mudanças em metodologia de ensino poder causar resistência em instituições, o IF-Sertão acolheu a novidade – que contou com a participação e empenho dos professores.
“Ele sempre foi um aluno bastante crítico”, afirma a professora. “Aos poucos, começamos a perceber que as mudanças realmente eram necessárias, mesmo diante das barreiras burocráticas. Daí surgiu a estratégia de construir um projeto que transforme a experiência do aluno em algo prático para o nosso cotidiano”.
Cícero será o primeiro membro da sua família a concluir o ensino superior e já tem o interesse em investir na carreira de pesquisador. “De repente, posso seguir carreira na pesquisa e no desenvolvimento de soluções para o ensino e inclusão de pessoas com deficiência”, diz.
Assessoria de Comunicação Social