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25/11 Brasileiras em Portugal, Espanha e Itália já contam com o serviço do Ligue 180
“Violência é um tema que já deveria ter sido banido da civilização e, como não foi, cá estamos para lutar”. Assim a ministra da Secretaria de Política para Mulheres, Iriny Lopes, apresentou o que chamou de mais um instrumento de luta em defesa das mulheres. Com a ampliação do serviço Ligue 180, inaugurado nesta sexta-feira, 25, o serviço atenderá brasileiras que moram em Portugal, na Espanha ou na Itália.
A solenidade de inauguração contou ainda com a participação do ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e do representante do Ministério das Relações Exteriores, o embaixador Ruy Nunes Pinto Nogueira, além de representantes de vários países e de movimentos em defesa dos direitos humanos.
O clima era de festa, e não só porque a Central de Atendimento à Mulher completa seis anos de atuação, registrando mais de dois milhões de atendimento durante esse tempo. As autoridades fizeram questão de ressaltar a importância do programa como verdadeiro marco, considerando todo o histórico de violência de cidadãs brasileiras dentro e fora do país, além do serviço especializado para reverter a situação. “Elas não estão mais sozinhas numa situação de risco, estão agora abraçadas pelo Estado”, frisou Iriny.
Já Luiz Paulo Barreto destacou o serviço como ferramenta para combater o tráfico de pessoas. Ele lembrou que o Brasil, até a década de 80, sempre hospedou um grande número de estrangeiros, mas hoje a realidade é outra: hoje, há cerca de 4 milhões de brasileiros vivendo fora do país – já significa o dobro do trotal de estrangeiros no Brasil. Daí a necessidade de estender o apoio às cidadãs longe da terra natal.
O ministro se referiu ao tráfico de pessoas como espécie de escravidão moderna, revelou a existência de uma “máfia russa” que usa mulheres brasileiras na Europa e constatou que a luta contra esse tipo de tráfico é grande: “É preciso ter mãos longas para combatê-lo”.
Os folhetos da campanha do Ligue 180 nos três países serão distribuídos em aeroportos e rede de movimentos sociais. De acordo com a ministra Iriny, o programa fora do país está só começando, porque a ideia é não restringi-lo somente a três países. E a solução dos casos, segundo ela, dependerá da natureza dos crimes, há desde ameaças de morte até cárcere privado, por exemplo. “Nossas atendentes (do central) estão capacitadas, foram treinadas para atender as vítimas de violência com o cuidado necessário, para acolher pessoas que estão com medo”, garante a ministra.
Durante a solenidade, todas as autoridades acompanharam a inauguração do serviço no call center, com ligações da Itália, Portugal e Espanha.