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10/11 – Conferência de Sergipe reúne 400 delegadas e amplia debates
A III Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres de Sergipe contou com 400 delegadas e foi aberta por Maria Telles, chefe da Secretaria Especial do estado. “Dos 75 municípios 27 já contam com organismos de políticas para as mulheres”, destacou ela.
A ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para Mulheres, disse na cerimônia de abertura que a presença de centenas de delegadas em um estado relativamente pequeno como Sergipe demonstra o compromisso e a organização dos movimentos, entidades e o diálogo com o poder público na construção de políticas para as mulheres.
Iriny desejou uma boa conferência e afirmou que as mulheres estão muito bem organizada em Sergipe. Ela lembrou, em seu discurso, a história de militante feminista e social de Maria Telles, e também da secretária de Ação Social Eliana Aquino e da deputada Ana Lúcia, entre outras parlamentares e autoridades presentes.
Iriny Lopes ressaltou que o enfrentamento à violência contra a mulher continua sendo um programa prioritário para a SPM, que neste governo da presidenta Dilma Rousseff colocou como desafio fundamental a construção de políticas públicas para a superação da desigualdade. “Por isso, em todas as etapas preparatórias para a 3ª Conferência Nacional, temos colocado foco na autonomia e igualdade”.
AVANÇOS – A ministra cumprimentou o governador Marcelo Déda por constituir a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (ligada ao gabinete, mas sem status de secretaria) e espera que, “como Lula fez, quando retirou o caráter especial e colocou a SPM com status de ministério, o governo de Sergipe em alguns anos também poderá fazer essa transformação”.
VIOLÊNCIA – A ministra pediu empenho ao governo e aos operadores de segurança pública no cumprimento da Lei Maria da Penha. “Dados do Fonavide dão conta que quase metade das agressões contra mulheres não é formalizada. Isso porque, os policiais que atendem a ocorrência forçam ‘a conciliação’. Entendemos que a conciliação pode ser usada em disputas patrimoniais, em acidentes de trânsito, mas nunca em relação à violência contra a mulher. Diferente de outros conflitos, as agressões contra as mulheres são repetitivas, aumentam de graduação com o decorrer do tempo e não raramente levam à morte. A Lei Maria da Penha surge inclusive para corrigir a distorção da legislação anterior, que permitia ao agressor `pagar` a violência com cestas básicas”, criticou a ministra.
JUDICIÁRIO – A ministra Iriny Lopes foi recebida pelo presidente do Tribunal de Justiça, desembargador José Alves Neto, antes da III Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres de Sergipe. Ela fez gestão junto ao desembargador Lopes no sentido de criar Juizado Específico para atendimento de mulheres vítimas de violência – Sergipe é o único estado que não conta com o atendimento judicial exclusivo, como previsto pela Lei Maria da Penha, a despeito do número crescente de processos.
O presidente do TJ não excluiu a possibilidade de transformar a Vara de Atendimento de Vulneráveis (além de mulheres, que representam mais de 70% dos processos, recebe demandas de casos envolvendo crianças e adolescentes e idosos), mas alegou não ter orçamento e nem “onde colocar as ações de menores e outros vulneráveis”.
“Mantivemos um bom diálogo e acho que a proposta pode evoluir num futuro próximo”, afirmou a ministra.