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Marcha das Margaridas por igualdade e justiça
A IV Marcha das Margaridas reuniu 70 mil mulheres de todas as partes do Brasil e países vizinhos
Milhares de mulheres, do cerrado, da caatinga, da floresta e da cidade de todas as regiões do Brasil vieram à Brasília, nesta quarta-feira (17/8), reivindicar o desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade, liberdade e justiça, na IV Marcha das Margaridas. O evento que este ano reuniu cerca de 45 mil mulheres, teve a participação de representantes de movimentos de camponesas do Peru, Bolívia, e Paraguai.
As campesinas se orgulham de ter elegido a primeira mulher presidenta do Brasil, elas se identificam com a história de Dilma Roussef.“A Dilma é um referencial, exemplo e nossa heroína, estamos aqui para agradecê-la pelo que já tem feito, e também, para pedir que invista ainda mais no enfrentamento à violência contra nós mulheres tanto da cidade quanto do campo”, disse Ilze Aparecida, presidente da Associação da Mulher, da Vila São Pedro de São Bernardo do Campo São Paulo.
Histórias de luta
As Margaridas são trabalhadoras rurais, ribeirinhas, quebradeiras de coco babaçu, seringueiras, das várzeas, geraizeiras, catingueiras, ocupantes dos fundos de pastos, faxinalenses, pantaneiras, cerratenses e florestanas, que trazem consigo diferentes histórias de luta, garra e coragem na luta por seus direitos. A distância que percorreram e o desconforto do alojamento improvisado no Parque da Cidade não as intimidaram. “Isso nos dá ainda mais força na busca pelos nossos objetivos” afirmou Maria de Fátima, que viajou dois dias e meio de Santo Antônio do Tauá/PA para estar aqui hoje.
Josete Rosa, de Nova Xavantina/MT, hoje com 35 anos, trabalha em fazendas de desde criança. Primeiro foi com os pais e agora com omarido. “Estou nessa jornada para conseguir uma terra e garantir mais conforto para minha família. Cansei de trabalhar para os outros e não ter nada, preciso dar um futuro melhor para os meus filhos”, relatou.
Já dona Rita Lopes, 52 anos, lavradora, veio de Itaubal/AP pedir que sejam criados postos de saúde em vilasmais próximas às fazendas. “Nasci e criei meus cinco filhos na roça. Uma das nossas dificuldades é chegar à cidade para fazer consultas e exames, como o tempo é pouco a gente vai deixando e só procura um médico quando algo mais grave acontece”, declarou.
Outro problema enfrentado pelas famílias das trabalhadorasé a falta de escolas ruraise melhores condições das estradas, contaIvone Sabiano, 60 anos, de Tuparetama/PE. “Tive quatro filhos, apenas um deles conseguiu se formar a custa de muito esforço, os outros não forampersistentes e hoje são lavradores também”, falou.
Segundo Ivone, se naquela épocaa prefeitura fosse buscar as crianças nas fazendas, talvez todos seus filhos tivessem concluído o ensino superior, “mas vim aqui em busca de melhor oportunidade de ensino para os meus netos e para os filhos das demais trabalhadoras rurais” finalizou.
Símbolo de luta
A Marcha das Margaridas homenageia a trabalhadora rural e líder sindical Margarida Maria Alves. Símbolo da luta das mulheres por terra, trabalho, igualdade, justiça e dignidade, ela foi assassinada em 12 de agosto de 1983. Os acusados pelo crime, os usineiros da Paraíba foram absolvidos no julgamento do processo. Margarida ocupou a presidência do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras rurais de Alagoa Grande (PB) por 12 anos. Fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural e lutou contra qualquer tipo de exploração, contra o analfabetismo, pelos direitos dos camponeses e pela reforma agrária.