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Assembleia Legislativa do RJ premia mulheres cidadãs
Dando continuidade às comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado no último dia 8 de março, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) entregou, nesta terça-feira (29/03), dez diplomas Mulher-Cidadã Leolinda de Figueiredo Daltro, conferido anualmente pela comissão a ativistas de diversas áreas envolvidas com a causa feminista.
“A cada ano temos um item a mais. Este ano conseguimos distribuir bem o prêmio por todo o estado, para cinco mulheres da capital e cinco de outros municípios. Isso é muito difícil, porque os currículos que chegam da cidade do Rio são em maior quantidade e as mulheres daqui, muitas vezes, têm mais oportunidades de preencher os seus currículos. Por isso faço questão de homenagear também mulheres que são anônimas em suas lutas, mas desenvolvem um belíssimo trabalho na sua região”, explicou a presidente do colegiado, deputada Inês Pandeló (PT). O diploma é entregue há oito anos pela Alerj.
A evolução dos direitos da mulher também foi lembrada pela parlamentar, citando a primeira presidente da República, Dilma Rousseff, e homenageando a chefe de Polícia Civil do Estado, Martha Rocha, com moção de aplausos e congratulações. “É uma grande honra tê-la como a primeira mulher a chefiar a Polícia Civil do estado. É um símbolo de nossas vitórias”, festejou a petista. A delegada contou que a luta pela não violência contra a mulher fez com que ela se tornasse uma feminista. “Agora tenho uma nova missão à frente da polícia. Espero tornar a instituição mais justa, mais eficiente e por que não, mais feminina”, completou.
A pouca representatividade das mulheres nos espaços de poder fez parte do discurso da vice-presidente da comissão, deputada Graça Pereira (DEM), que defendeu a igualdade de salários entre mulheres e homens no mercado de trabalho. “Apesar de todos os avanços conquistados nos últimos anos, as mulheres ainda ganham menos que os homens, exercendo as mesmas funções, e ainda ocupam um pequeno lugar nos espaços de poder”, disse a parlamentar. Agraciada com o diploma, a primeira mulher eleita prefeita de São Gonçalo, cargo que ocupa até hoje, Aparecida Panisset, dividiu o prêmio com as gonçalenses. “As mulheres são muito guerreiras e têm, ao longo do tempo, vencido muitas dificuldades. Precisamos continuar juntas na luta para um País melhor, a fim de deixarmos um mundo melhor para as mulheres que virão depois de nós”, apontou. Outra agraciada com o diploma, a feminista Schuma Schumaher ressaltou a importância da criação de uma secretaria especial para as mulheres no estado do Rio. “A mulher fluminense precisa do seu reconhecimento, a criação de uma secretaria é imprescindível”, enfatizou.
Neste ano, as contempladas com o prêmio foram: a enfermeira Iraci do Carmo de França; a jornalista Madalena Guilhon; a prefeita de São Gonçalo, Aparecida Panisset; a secretária municipal dos Direitos da Mulher de Teresópolis, Norma Suely Gomes dos Santos; a especialista em segurança pública Rita de Cássia Lima Andrea; a professora Rosana da Silva Rosa; a ex-vereadora do município de Niterói, Sonia Maria Saturnino Braga Santos; a conselheira da comunidade do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, Thérphila dos Santos Alves Castro; a fonoaudióloga Verena Bernini e a coordenadora executiva da Ong feminista Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh), Schuma Schumaher.
Pandeló aproveitou a solenidade para fazer uma homenagem póstuma à primeira dama do município de Mesquita e secretária de Assistência Social e Trabalho do município da Baixada Fluminense, Cássia Valéria Marques Furtado. “Cássia foi uma militante ativa, na defesa de conquistas importantes para a causa das mulheres”, lembrou a parlamentar. Também participaram da solenidade a deputada Claise Maria Zito (PSDB); a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ), Margarida Pressburger; a superintendente da Superintendência de Direitos da Mulher da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio, Cecília Teixeira Soares; a juíza do Primeiro Juizado de Violência Doméstica da capital, Ane Cristine Schele, e a Secretária Executiva do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, Susana Cabral, representando a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes.
Histórico de Leolinda Daltro
Natural da Bahia, a educadora Leolinda Daltro trabalhou com grupos indígenas em Goiás. Precursora do movimento feminista no Brasil, fundou, em dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, o Partido Republicano Feminino, depois que a Justiça negou seu pedido de alistamento eleitoral. Também foi a responsável pela mobilização, em novembro de 1917, que reuniu quase cem mulheres, em marcha pelas ruas do Rio de Janeiro pelo direito ao voto. A rebeldia de Leolinda e de suas companheiras chamou a atenção da imprensa, provocou polêmica e deu visibilidade à condição feminina no Brasil. Ela foi a primeira feminista candidata às eleições municipais, em 1919.
Fonte: Vanessa Schumacker, Assessoria de Comunicação da Alerj