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SPM: condenação de assassino após 21 anos é conquista das mulheres brasileiras
José Ramos Lopes Neto foi condenado a 79 anos de prisão em regime fechado, pelo assassinato da ex-mulher, Maristela Junt
A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) considera uma vitória a condenação de José Ramos Lopes Neto a 79 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato da ex-mulher, Maristela Junt, após 21 anos. O crime ocorreu em abril de 1989, em Jaboatão dos Guararapes (PE). Além da esposa, o algoz foi condenado por tentativa de homicídio contra os dois filhos, na época com 2 e 4 anos, e o cunhado. A sentença do júri popular de homicídio duplamente qualificado e tentativa de homicídio qualificado foi anunciada pela juíza Inês Maria de Albuquerque, na madrugada desta quarta-feira (2/6).
Aparecida Gonçalves, subsecretaria de Enfrentamento á Violência contra a Mulher da SPM, afirma que essa condenação “é uma conquista das mulheres no combate a impunidade em casos de violência doméstica e familiar no Brasil”. Ela cita ainda que as mudanças ocorridas nos últimos anos na legislação brasileira como a criação da Lei Maria da Penha e a implantação da Central de Atendimento a Mulher - Ligue 180 - são importantes medidas adotas pelo governo federal no enfretamento à violência. “È de fundamental importância que a população e as instituições responsáveis pela aplicabilidade das leis se conscientizem da necessidade de combater esse tipo de crime em nosso país” declara.
A Secretaria da Mulher e o Fórum de Mulheres do estado de Pernambuco se mobilizaram para apoiar os familiares da vítima e pedir a condenação do acusado. A secretária de Estado da Mulher, Cristina Burque, ressaltou a importância da presença do governo local e sociedade civil organizada para que esse processo fosse revertido “não podemos mais conviver com a impunidade, nem tolerar a violência contra a mulher, precisamos unir forças para que os culpados sejam condenados,” afirmou.
Entenda o caso - Os crimes foram cometidos há 21 anos. Maristela Just foi morta na casa dos pais, no bairro de Piedade, em Jaboatão de Guararapes. De acordo com as investigações, José Ramos Lopes Neto, que estava separado da mulher havia dois anos, foi à residência no dia 4 de abril de 1989. Lá, ele se trancou com Maristela e os filhos do casal em um dos quartos. José Lopes teria dado três tiros na ex-mulher, um tiro na cabeça do filho, então com 2 anos, e outro no ombro da filha de 4 anos.
O irmão de Maristela, Ulisses Just, foi baleado quando tentava socorrer a irmã e os sobrinhos. José Ramos, que é filho do advogado criminalista Gil Teobaldo, chegou a ser preso. Ficou por um ano no presídio Aníbal Bruno e prestou vários depoimentos. Foi solto depois de um “habeas corpus” concedido pela Justiça.
O primeiro julgamento do réu foi marcado para o 13 de maio, mas como ele e o seu advogado não compareceram, houve o adiamento para primeiro de junho. Desta vez, mesmo sem a presença dos dois, o julgamento ocorreu à revelia. Após a decisão, o condenado pode ser preso a qualquer momento. Se isso acontecer deverá permanecer no mínimo 13 anos em prisão de regime fechado.