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Projeto Mão na Massa inicia sua terceira turma
Ao final, 40 mulheres, moradoras de comunidades de baixa renda, como pedreiras e carpinteiras de forma serão qualificadas
Começou hoje (1º/09), no Rio de Janeiro, a terceira turma do Projeto Mão na Massa – mulheres na construção civil. Promovido pela Federação de Instituições Beneficentes (FIB-RJ) com o apoio da Petrobrás, Eletrobras e Abrigo Maria Imaculada, o curso qualificará 40 mulheres, moradoras de comunidades de baixa renda, como pedreiras e carpinteiras de forma. Ao fim do curso, as mulheres receberão certificado do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e serão encaminhadas para as centrais de intermediação de mão-de-obra do Ministério do Trabalho e Emprego.
A aula inaugural realizada hoje, no Espaço Cultural Cedim, contou com a presença da ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM), da superintendente de Direitos da Mulher e Presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Cecília Teixeira Soares, da gerente de Responsabilidade Social da Petrobrás, Janice Dias, da gerente de Responsabilidade Social da Eletrobrás, Tereza Cristina Pinto, da presidente da Federação de Instituições Beneficentes do Rio de Janeiro e diretora do Abrigo Maria Imaculada, Deise Gravina, e da coordenadora do projeto, Norma Sá, dentre outras autoridades.
Em sua fala a ministra disse que o projeto é um exemplo porque gera empregos para as mulheres. "Vocês estão fazendo história no país, pois daqui a alguns anos vão falar das mulheres do Projeto Mão na Massa, que abriram pioneiramente o mercado da construção civil para outras mulheres, disse.
Na aula inaugural, foram entregues o diploma para 50 alunas participantes da segunda turma, iniciada em março. Segundo pesquisa realizada no início desse curso, 72% delas tinham experiência em construção civil e 89% desse total realizava serviços em benefício próprio. E agora, antes mesmo da formatura, 15% dessas alunas já estão empregadas em obras das empresas Cofix, Geomecânica, Estratégia e 10% delas prestam serviços autônomos.
Projeto
Durante quatro meses, as alunas terão aulas teóricas e construção em ambiente fechado. Para que ganhem mais segurança, a etapa prática será desenvolvida em dois meses com supervisão de uma engenheira, um arquiteto e uma técnica de edificações. Esse trabalho renderá uma obra social ao município. As alunas serão certificadas pelo Senai e poderão trabalhar na função de meio-oficial em canteiros de obra, cargo situado acima do de ajudante e servente.
Segundo a coordenadora do projeto Norma Sá, o objetivo do Mão na Massa é não só formar, mas dar condições práticas para que as profissionais busquem mais facilmente uma posição no mercado de trabalho. "Essas mulheres constroem uma nova etapa em suas vidas. Um emprego e a segurança da carteira assinada é o sonho que todas elas querem conquistar". Norma garante que as mulheres chegam para disputar fatias antes reservadas aos homens, pois as tecnologias disponíveis nos canteiros dispensam a força física como principal atributo. E, para ela, as operárias do sexo feminino são mais atentas ao detalhe e cuidadosas no acabamento, arremate e pintura, o que aumenta a possibilidade de colocação.
Absorção pelo mercado
Com o canudo na mão, as futuras profissionais serão encaminhadas para as centrais de intermediação de mão-de-obra do Ministério do Trabalho e Emprego. A situação favorável do mercado de trabalho, e a carência de profissionais especializados, também pode ajudar na empregabilidade. De acordo com informações da Secretaria Estadual de Trabalho e Renda, somente as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) devem abrir 4,6 mil vagas na área de construção civil, sendo que cerca de 20% das vagas serão destinadas às mulheres. A estimativa é que as faixas salariais para esses cargos variem de R$ 600 a R$ 900.
Histórico do projeto
O projeto Mão na Massa - Mulheres na construção civil foi criado a partir de uma pesquisa realizada em 2007 com 216 mulheres, familiares de crianças atendidas no Abrigo Maria Imaculada. Dirigido para mulheres de 18 a 45 anos, de baixa renda, que tenham cursado até a 5ª série do ensino fundamental, o projeto oferece também cursos de qualificação social, com a valorização do auto-conhecimento e o estimulo a práticas eficazes de preservação do meio ambiente e consumo responsável, e de orientação na gestão de um negócio.
A iniciativa tem um índice de empregabilidade de 50% das 50 alunas formadas na primeira turma, em maio, que foram empregadas em obras do PAC Manguinhos, PAC Alemão, construtora Brascan e Lopez Engenharia. Cerca de 15% delas executam serviços autônomos. O Mão na Massa tem como parceiros o Sistema Firjan e Serviço Social da Indústria da Construção Civil (Seconci).