Economia & Sociedade - leia mais
Um dos principais indicadores econômicos é o PIB. O que significa esta sigla?
O Produto Interno Bruto (PIB) é o somatório de todos os bens e serviços produzidos pelo país no ano. Seu cálculo é composto de centenas de indicadores econômicos e é uma estatística extremamente importante na sociedade capitalista para avaliar o desempenho das economias dos países.
Por quê?
Em termos práticos, o resultado do cálculo do PIB serve de base aos empresários e seus gerentes para tomarem decisões econômicas relativas ao futuro. Como este é sempre incerto, é preciso ter o maior número possível de informações para a definição de estratégias para a tomada dessas decisões. Não esquecer que essas decisões são responsáveis pelo emprego na sociedade. E sua previsão é o desafio dos analistas econômicos e políticos!
Para antecipar o futuro do cenário econômico é preciso se cercar, dentre outras, de informações relativas ao comportamento da taxa de juros, da taxa de câmbio e dos salários. É por isso que a política econômica do governo é tão importante. Ela arbitra os preços relativos a juros, câmbio e salários. A definição destes preços é feita pelo Estado e eles interferem diretamente na lucratividade das empresas.
Um pouco da história socioeconômica brasileira
No século XX, ao lado do Japão, o Brasil foi um dos países de maior crescimento econômico no mundo. Esse desempenho perdurou até 1980. De um país exportador de café, transformamo-nos em uma economia industrial, produzindo aço, petróleo, automóveis, navios, geladeiras e fogões. Entre as décadas de 1950 e 1980, os setores industrial e agropecuário brasileiros cresceram, em média, 5,67% ao ano. Foram impulsionados pelos setores de infraestrutura energética, comandados pelas empresas estatais, Eletrobrás e Petrobrás e um setor de bens de consumo com empresas nacionais e estrangeiras . De uma população de 18 milhões em 1900, passamos a 118,6 milhões em 1980 (IBGE, Censo 1980).
Em 2010 o Brasil atinge 193,3 milhões de habitantes. Entretanto, o crescimento econômico já não é mais o mesmo das décadas anteriores. De 1981 até 2002, experimentamos taxas muito baixas de crescimento e um surto inflacionário sem precedentes em nossa história (1983/1994). A crise da dívida externa da década de 1980, provocada pelo aumento dos juros americanos, arruinou as economias da América Latina e o Brasil foi junto. A hiperinflação corroeu nossa moeda e, em 1994, o Plano Real reverteu esse quadro, possibilitando a estabilização da economia. Isso foi possível pela renúncia, por parte do Estado, de qualquer intervenção na economia e pela abertura do mercado interno à movimentação de capitais e mercadorias estrangeiras. Apesar disso, o crescimento econômico foi baixo. Entre 1999 e 2002 a taxa média de crescimento foi de 1,99% e o PIB per capita de 0,25% (a relação entre a soma dos bens e serviços e a população).
O crescimento volta a acontecer mais significativamente entre 2004 e 2008, embora a taxas inferiores àquelas exuberantes das décadas anteriores. Nesse período, o Brasil cresce a uma taxa média de 4,81% ao ano. Ele foi estimulado pela forte expansão do comércio internacional liderado pela China, com a elevação da demanda de ferro e aço, soja, algodão, carnes, açúcar e café, além de outros semi-manufaturados industriais. Viramos parceiros comerciais desse grande país.
As mudanças do Governo Lula
A expansão do comércio internacional foi acompanhada de medidas redistributivas da renda nacional: aumentos reais do salário mínimo, expansão do Programa Bolsa Família e do Benefício da Prestação Continuada (BPC) para as pessoas idosas a partir de 65 anos de idade, e a criação do empréstimo consignado com garantia na folha de pagamento. Essa política de renda ampliou o poder de compra dos pobres e teve a maior repercussão na redistribuição de renda da história do Brasil.
Em setembro de 2008, a gravíssima crise bancária nos Estados Unidos espraiou-se pelo mundo, afetando negativamente as taxas de crescimento em todo o planeta. Embora não tenha escapado ao impacto negativo dessa conjuntura desfavorável, o Brasil já possuía fundamentos econômicos mais sólidos e conseguiu dar continuidade ao seu crescimento.
Nessa moldura inicia-se o governo da primeira Presidenta do Brasil – Dilma Rousseff. Esperamos com estas notas iniciais dar o pontapé em nossa conversa sobre Economia & Sociedade. A SPM/PR espera contribuir, deste modo, para esclarecer melhor as mulheres e os homens brasileiros sobre os significados das variáveis econômicas e como elas interferem na vida de todas e todos.
O Governo Dilma
A vitória de Dilma Rousseff, em 2010, foi um momento emblemático da democracia brasileira. Naquele momento, além de se eleger uma mulher à Presidência da República pela primeira vez na história republicana brasileira, tinha início um novo mandato presidencial após quatro mandatos presidenciais consecutivos completos, fato igualmente inusitado. Dilma Rousseff representava a continuidade das políticas da era Lula (início em 2003), voltadas para a estabilidade econômica e a agenda social como prioridade (Programas como Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Minha Vida Melhor, Mais Médicos, dentre outros).
Desde então, a pobreza foi reduzida de forma significativa, com a taxa de domicílios em situação de pobreza caindo de 43% para 22%. A desigualdade social também diminuiu. O emprego com carteira de trabalho assinada elevou-se, tendo sido criados 20 milhões de postos de trabalho formal. Cresceu também a participação do trabalho no PIB. Paralelamente, a dívida social com as mulheres e a população negra vem diminuindo. As mulheres brasileiras ultrapassaram os homens na média em anos de escolaridade e o percentual de negros cursando o ensino triplicou em 2011, quando comparado a 1999.
O cenário econômico
Mesmo assumindo o governo num momento de instabilidade na economia mundial, a Presidenta Dilma tem mantido as contas públicas brasileiras sob controle. Na área cambial, o Brasil acumulou US$ 375 bilhões de reservas, o que representa uma situação confortável frente às incertezas da situação financeira internacional. Ademais, a expansão econômica que promoveu nos últimos anos não se fez à custa da desigualdade social, do desequilíbrio macroeconômico ou da vulnerabilidade externa. Ao contrário, a melhoria da distribuição de renda e a democratização do crédito contribuíram para a construção de um mercado de consumo de massa. A temida inflação em 2013 não passou de 5,6%, dentro da meta estipulada pelo Banco Central do Brasil.
As deficiências na infraestrutura de transportes estão sendo enfrentadas com sucesso. Nos últimos anos foram contratados investimentos para aeroportos, rodovias federais, petróleo, gás e energia. Os leilões de 2013 para a concessão desses serviços atingiram o valor expressivo de R$ 64 bilhões. Incluindo os investimentos previstos para o campo de Libra – licitado em 2013 – o valor chegará a R$ 140 bilhões, o que representa quase 400% a mais do que os investimentos em 2012. Cabe ressaltar que o regime de partilha nas concessões para o pré –sal, é completamente diferente do sistema de privatização, uma vez que o governo federal fica com parte considerável dos benefícios líquidos da exploração de petróleo . Desse modo, o caminho para a expansão do investimento está garantido e o governo Dilma vem agindo com firmeza nessa direção.