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HUMANIDADE NA GUERRA
Ministra Janine Mello destaca importância do direito à memória na abertura de exposição da Cruz Vermelha Internacional em Brasília
Mostra “Humanidade na Guerra” trata de consequências humanitárias dos conflitos armados em países como Iêmen, República Democrática do Congo, Síria, Armênia, Palestina, República Centro-Africana e partes das Américas
Publicado em
29/04/2026 19h22
(Foto: Duda Rodrigues/MDHC)
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, prestigiou a abertura da exposição “Humanidade na Guerra” nessa terça-feira (28). Promovida pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a mostra reúne fotografias premiadas com retratos das consequências humanitárias dos conflitos armados em países como Iêmen, República Democrática do Congo, Síria, Armênia, Palestina, República Centro-Africana e partes das Américas.
Para Janine Mello, a exposição na capital do país, e sua realização no Panteão da Pátria, reforçam a importância do direito à memória e o compromisso democrático que o governo federal tem com o povo brasileiro. “É por meio da memória que reconhecemos as marcas deixadas pelos conflitos e evitamos que a indiferença se normalize. Cultivar a sensibilidade diante do sofrimento humano é também um exercício de responsabilidade democrática. Quando somos capazes de nos enxergar no outro, fortalecemos não apenas a empatia, mas também os pilares do multilateralismo e da cooperação internacional”, ressaltou.
O embaixador Carlos Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores (MRE), ressaltou que a exposição evidencia a importância do trabalho humanitário em diversos contextos de conflitos armados e crises. Ele mencionou que o Brasil é um dos países co-líderes da iniciativa global para fortalecer o compromisso político com o direito internacional humanitário, que é visto não apenas como um imperativo jurídico e ético, mas também como uma ferramenta estratégica para mitigar os efeitos dos conflitos e criar condições para a paz.
Convite à solidariedade
Pierre Krähenbühl, diretor geral do CICV, destacou que a exposição posiciona a fotografia na intersecção do registro histórico e da responsabilidade moral, resistindo à normalização da guerra e convidando à atenção pública para suas consequências humanitárias. “Nossa lente está fundamentada na humanidade. O foco está nas pessoas afetadas por conflitos armados, civis, crianças, mulheres e pessoas idosas cujas vidas diárias são moldadas pela violência prolongada”, refletiu.
A ministra Janine também afirmou que as fotos da exposição ampliam a capacidade de reconhecer a humanidade comum que sustenta a paz e dá sentido às instituições democráticas. “Essas imagens transcendem meros registros visuais. São um convite para a reflexão e para a ação; para que instituições, lideranças políticas e a sociedade como um todo reafirme, de forma clara e inequívoca, qual o projeto de humanidade que desejamos enquanto conflitos armados se intensificam, crises humanitárias se aprofundam e a linguagem da violência volta a ocupar espaços que deveriam ser do diálogo e da mediação pacífica de conflitos. Nós insistimos na promoção e na defesa dos direitos humanos”, defendeu.
De acordo com Pierre, em toda a exposição, as fotografias documentam padrões de deslocamento forçado, perda de vidas, futuros interrompidos e como efeitos do conflito se estendem além dos campos de batalha imediatos, onde as condições humanitárias continuam a se deteriorar. Ao apresentar essas imagens como evidência de testemunho, a exposição reforça o papel da fotografia na documentação de violações do direito internacional humanitário e no apoio à conscientização sobre as regras que buscam limitar os efeitos do conflito humano.
Retratos do custo da guerra
Jorge Silva, fotojornalista mexicano com 30 anos de experiência, é o curador da exposição Humanidade na Guerra. Ele, que cobriu conflitos em locais como Iraque, Afeganistão, Hong Kong, Venezuela e Myanmar, destacou a importância de mostrar essas imagens em Brasília, o coração político do Brasil, para que o público reflita sobre quem paga os custos da guerra.
Jorge defende que as imagens representadas na exposição, para além do fotojornalismo, são testemunhos de graves violações de direitos humanos e revelam que as vítimas dos conflitos são seres humanos de carne e osso. Para ele, o grande desafio da curadoria foi selecionar fotografias que tivessem um toque mais humano e criassem uma conexão com o público, mesmo que fosse difícil encontrar beleza em meio à dureza.
“É, também, uma homenagem aos fotojornalistas que arriscaram suas vidas para estar nesses lugares”, afirmou Silva, ressaltando a importância de órgãos como o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania prestigiarem a exposição para abrir discussões sobre o papel dos civis diante dos conflitos.
As 45 imagens desta exposição foram premiadas pelo Prêmio Visa d’Or Humanitário CICV nos últimos 15 anos. Esta é uma das categorias do Festival Internacional de Fotojornalismo Visa pour l’Image, realizado anualmente na França.
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Texto: R.M.
Edição: F.T.
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