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CONECTIVIDADE
Projeto da Anatel com universidade leva cidadania a pessoas em situação de vulnerabilidade
Pessoas sentadas à mesa conversam sobre a importância do projeto.
Aumentar a autonomia de cidadãos em situação de vulnerabilidade e reduzir as desigualdades regionais no acesso ao conhecimento digital são os pilares do Projeto Cidadania Digital. A iniciativa, que beneficiará inicialmente cerca de 600 moradores dos municípios de Alcântara e Raposa, foca na transformação da conectividade em uma ferramenta real de transformação social. O objetivo é permitir que comunidades quilombolas e pesqueiras utilizem as tecnologias digitais como instrumentos de informação, acesso a serviços e exercício pleno da cidadania.
O projeto é resultado de discussões sobre a implantação da tecnologia 5G no Brasil, que identificaram a necessidade de somar a expansão da infraestrutura a ações de capacitação da população. Para o conselheiro da Anatel, Alexandre Freire, a iniciativa é fundamental para que a conectividade se converta em inclusão efetiva. Segundo o conselheiro, o projeto reflete uma regulação inclusiva voltada a atender diretamente o cidadão. "O acesso às redes precisa vir acompanhado de conhecimento, autonomia e capacidade crítica para o uso das tecnologias", afirmou Freire.
Na mesma linha, o conselheiro Octavio Pieranti reforçou a necessidade de ir além da infraestrutura técnica. "Falamos muito em conectividade significativa, mas, para avançar nesse tema, é fundamental que a sociedade brasileira tenha acesso à internet, claro, mas isso, por si só, não basta. É fundamental que o povo brasileiro tenha acesso a redes cada vez mais rápidas, cada vez mais seguras e saiba utilizar, cada vez mais, as ferramentas que a internet proporciona", destacou Pieranti.
Parceria
A viabilização do projeto ocorre por meio de uma parceria estratégica entre a Anatel e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), oficializada em cerimônia de lançamento realizada na universidade no último dia 16. A superintendente substituta de Relações com Consumidores da Anatel, Irani Cardoso, explicou que a universidade atuará como um braço da Agência nas comunidades, utilizando sua expertise multidisciplinar para capacitar os moradores. "É fundamental que o povo brasileiro tenha acesso a redes cada vez mais rápidas e seguras, mas que também saiba utilizar as ferramentas que a internet proporciona para o seu desenvolvimento econômico, cultural e social", pontuou.
Segundo o coordenador-geral do Projeto Cidadania Digital, Saulo Pinto, a iniciativa surgiu a partir de indicadores que conectam desigualdade social à falta de instrução tecnológica, criando ambientes propícios a fraudes e golpes na internet. "Não adianta só levar a conectividade, levar o cabeamento, se os indivíduos não possuem a capacidade de usar o smartphone e a internet de maneira adequada. Isso pode ser observado, por exemplo, no impacto de golpes no INSS, no vício em jogos e em uma série de variações deletérias que o mau uso desses instrumentos acaba produzindo", destacou.
Cidadania
O caráter pedagógico e social da ação foi reforçado pela pró-reitora de Extensão da UFMA, Zefinha Bentivi, que ressaltou que não se pode pensar em cidadania plena sem o domínio da cultura digital. De acordo com a pró-reitora, o projeto promove o diálogo com a sociedade e a formação de cidadãos preparados para os novos meios de comunicação. O reitor da UFMA, Fernando Carvalho, complementou que o entendimento de como a população compreende o universo digital permitirá a consolidação de núcleos de cidadania em dez comunidades, gerando dados valiosos para futuras políticas estaduais e municipais.
As atividades do Projeto Cidadania Digital incluem levantamentos populacionais para identificar demandas específicas, seguidos por formações em campo conduzidas por professores e alunos. Todas as etapas e resultados da iniciativa podem ser acompanhados pelo portal oficial do projeto (http://cidadaniadigital.ufma.br/).