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ABRINT GLOBAL CONGRESS
Informação ao consumidor ainda é o ponto mais crítico da banda larga, afirma Anatel
Cristiana Camarate (ao centro) representou a Anatel em debate no Abrint Global Congress (AGC) 2026
Apesar da avaliação geral positiva dos usuários sobre a banda larga no Brasil, a qualidade da informação prestada ao consumidor permanece como o principal ponto negativo do serviço, segundo a superintendente de Relações com Consumidores daa Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Cristiana Camarate, durante sua participação nesta sexta-feira (8/5) no Abrint Global Congress (AGC) 2026, em São Paulo.
A análise se baseia em pesquisas da Anatel que combinam indicadores técnicos e percepção dos usuários, mostrando que, embora haja satisfação com o funcionamento da internet, ainda existe déficit relevante na transparência e na clareza das informações oferecidas ao consumidor.
Ao abordar a evolução da banda larga, Cristiana destacou o avanço expressivo da infraestrutura no país. Segundo ela, a velocidade média contratada saiu de cerca de 89 Mbps, no fim de 2020, para quase 500 Mbps em 2025, um crescimento de 557% em cinco anos.
“Isso representa que o Brasil e as empresas estão investindo em infraestrutura, e isso é real”, disse.
Sobre a multiplicidade de metodologias de medição da internet no Brasil, a superintendente da Anatel ponderou que a existência de diferentes modelos de medição, como os adotados pela Anatel, pelo NIC.br e por entidades internacionais, não deve ser vista como um problema, mas como um conjunto de evidências complementares.
“Os dados devem todos se juntar e gerar um indicativo de atuação”, afirmou, seja para orientar políticas públicas ou estratégias de mercado.
Dentro desse esforço, a superintendente destacou as parcerias para medição da qualidade da banda larga, que envolvem diferentes entidades e metodologias. A iniciativa busca consolidar indicadores mais confiáveis e abrangentes sobre o desempenho real da internet, refletindo melhor a experiência do usuário, em projeto que segue em evolução na Anatel e entre seus parceiros.
Um dos pontos centrais do debate foi a percepção do consumidor, ainda fortemente associada à velocidade contratada. Segundo Cristiana, isso é consequência direta de anos de comunicação comercial do setor centralizada na velocidade.
Ela defendeu que o consumidor precisa ter clareza sobre o serviço adquirido para fazer melhor uso e tomar decisões mais adequadas.
Nesse sentido, reforçou que a Anatel não dissocia a percepção do usuário dos critérios técnicos na avaliação de qualidade. A Agência trabalha com um modelo que integra desempenho da rede, entrega efetiva do serviço e qualidade da informação prestada ao consumidor, compondo um padrão regulatório único. Esse modelo também fundamenta iniciativas como o selo de qualidade, voltadas a dar maior previsibilidade e confiança ao mercado.
“O que importa é que sempre haja transparência e comunicação assertiva com o consumidor, para que ele saiba o que está comprando e receba exatamente aquilo”, afirmou.
No campo das políticas públicas, Cristiana foi perguntada sobre o recente acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) a respeito de conectividade em escolas. Segundo ela, a decisão ainda está em análise pela Anatel, mas já é vista como positiva por estimular maior coordenação entre iniciativas governamentais.
“Entendemos como muito positiva toda a sinalização e o apoio a uma maior sinergia das ações e políticas públicas”, disse.
Ela ressaltou que a Agência já atua de forma relevante no tema, por meio de iniciativas como os compromissos do leilão do 5G, que destinaram cerca de R$ 3,1 bilhões para a conectividade escolar.
A superintendente ressaltou, contudo, a preocupação em evitar duplicidade de esforços.
“Sempre que optamos por implementar políticas de conexão de escolas, temos a preocupação de não haver sobreposição das escolas a serem conectadas”, afirmou.
A avaliação da Anatel aponta que, enquanto a infraestrutura avança e amplia a capacidade da banda larga no país, os desafios se concentram cada vez mais na transparência da oferta, na qualidade da informação
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A Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), organizadora do Abrint Global Congress, reúne empresas responsáveis por boa parte da expansão recente da banda larga no país. A entidade representa provedores regionais que atuam na chamada “última milha” e têm papel relevante na interiorização da infraestrutura e na ampliação da concorrência no setor.