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Ex-presidentes do Gired recebem homenagem por participação no processo de digitalização da TV brasileira
A sede da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi palco, nessa segunda-feira (9/3), de cerimônia em homenagem aos ex-presidentes do Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (Gired). Instituído em 2014, durante o leilão da faixa de 700 MHz, o grupo se tornou referência em políticas públicas de acesso à radiodifusão e às telecomunicações.
Participaram do evento o conselheiro da Anatel e atual presidente do Gired, Octavio Pieranti; o presidente da Anatel, Carlos Baigorri; e os ex-presidentes do Gired Rodrigo Zerbone, Juarez Quadros e Moisés Moreira. Também foi lembrado, durante a cerimônia, o ex-presidente Leonardo Euler de Morais, que esteve à frente do Grupo e não compareceu por estar em viagem ao exterior.
Durante a cerimônia, Pieranti apresentou um balanço detalhado das ações do Gired desde sua criação. Ele relembrou os desafios iniciais, entre 2013 e 2014, quando havia incertezas sobre a suficiência dos recursos para o desligamento da TV analógica sem prejuízos à sociedade.
"Muitos apostavam que os recursos não seriam suficientes. Não só concluímos a Fase 1, como ainda houve sobra para a Fase 2, que viabilizou a implantação da Infovia entre Santarém e Manaus e o início do Programa Digitaliza Brasil", destacou Pieranti.
O processo resultou no desligamento de mais de 14 mil canais de TV analógica e na inclusão de cerca de 20 mil canais digitais no Plano Básico da Anatel. Também foram distribuídos mais de 14 milhões de kits de recepção para famílias de baixa renda, permitindo que cerca de 1.500 municípios passassem a receber o sinal digital.
Criação
O Gired foi criado em 2014, no âmbito do leilão da faixa de 700 MHz, realizado pela Anatel, com a finalidade de coordenar a redistribuição dos canais de radiodifusão e mitigar interferências entre os serviços de televisão e a banda larga móvel. A liberação dessa faixa era condição necessária para a expansão do 4G no país. O grupo é presidido por um conselheiro da Agência, com a participação do Ministério das Comunicações, das operadoras de telecomunicações e de representantes das radiodifusoras.
Primeiro presidente do grupo, Rodrigo Zerbone destacou o desafio de criar uma governança do zero entre agentes com interesses, muitas vezes, conflitantes. "O Gired foi pensado para ser um centro de conciliação e tomada de decisões. Nosso desafio inicial era construir esse espaço de confiança e legitimá-lo como um caminho único, onde todos pudessem trabalhar em um mesmo sentido", relembrou.
Para o ex-ministro das Comunicações e ex-presidente da Anatel Juarez Quadros, a política pública permitiu a convergência de interesses distintos. "Foi bom para o radiodifusor, foi bom para as operadoras de celular que tinham que entrar para prestar o serviço e foi bom para o governo federal, porque implementou uma política pública social", afirmou.
Presidente mais longevo do Gired, com quase cinco anos de mandato, Moisés Moreira celebrou a perenidade do modelo de funcionamento do grupo. "O mais importante de tudo foi o modelo que criado. A EAD permanece da forma como foi concebida até hoje, sem interferência de governos e obedecendo a regras técnicas, o que dá credibilidade ao processo", afirmou.
A EAD é a Entidade Administradora da Digitalização de Canais de TV e RTV, responsável por executar operacionalmente as decisões do Gired no processo de digitalização da televisão no Brasil.
TV 3.0 e conectividade no campo
Na reunião, o atual presidente do Gired anunciou que o Grupo seguirá atuante até o fim de 2027, com foco na inovação. Ele informou que foram aprovados novos projetos que dividem recursos entre telecomunicações, como a instalação de 4G em distritos não atendidos, e radiodifusão, com destaque para a TV 3.0.
"O Gired atualmente é responsável por implantar projetos de expansão da cobertura 4G, testes e desenvolvimento de aplicativos de TV 3.0 e expansão da TV Digital, com a implementação dos Programas Digitaliza Brasil e Brasil Digital, coordenados pelo Ministério das Comunicações", informou Pieranti.
Além disso, o grupo aprovou o desenvolvimento de aplicativos de serviços públicos, via Gov.br, e a manutenção do Programa Digitaliza Brasil por mais um ano, garantindo a interiorização da tecnologia.