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MEIO AMBIENTE
Iphan inicia Segundo Ciclo de Diálogos sobre Patrimônio Cultural e Ações Climáticas
Foto: Ricardo Medeiros/Iphan
No contexto do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, celebrado em 18 de abril, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) promoveu a “Formação Institucional: Letramento Climático Aplicado ao Patrimônio Cultural”. Voltada para servidores do Instituto e gestores, a capacitação foi sobre como proteger o patrimônio cultural diante das mudanças climáticas que ameaçam um em cada seis sítios de patrimônio cultural, segundo dado apresentado pelo Grupo de Trabalho em Ação Climática do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS Climate Action Working Group).
O evento híbrido — presencial no Auditório do Iphan, em Brasília, e on-line via Teams — realizado nos dias 16 e 17 de abril, em parceria com o Grupo de Trabalho em Ação Climática do ICOMOS, marcou o início do Segundo Ciclo de Diálogos sobre Patrimônio Cultural e Ações Climáticas e reuniu servidores e colaboradores do Iphan e das unidades descentralizadas. Para o presidente do Instituto, Deyvesson Gusmão, a formação deve preceder a ação.
“Por ser um tema novo e desafiador, precisamos dominar o vocabulário, os instrumentos e os métodos para que a reflexão sobre as mudanças climáticas deixe de ser algo isolado e passe a integrar a consciência coletiva e o cotidiano de trabalho de cada servidor do Iphan”, disse. Segundo ele, a capacitação técnica é o que permite converter conhecimento em prática, ajustando desde intervenções físicas em edificações históricas até a relação da autarquia com as comunidades detentoras do patrimônio cultural imaterial.
O primeiro Ciclo
A ação deste mês dá continuidade ao primeiro Ciclo de Diálogos sobre Patrimônio Cultural e Ações Climáticas, iniciado em outubro de 2023, que em dois anos percorreu seis biomas, ouvindo comunidades tradicionais, povos indígenas, quilombolas, gestores públicos e pesquisadores de todo o Brasil, e resultou em duas publicações de referência: o “Método para Diálogos sobre Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas” e a “Carta Brasileira do Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas”.
Essa primeira etapa ficou marcada pela escuta junto à sociedade civil e, na segunda, o foco será o fortalecimento institucional para a implementação, tanto no próprio Iphan quanto junto a gestores e outros agentes do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural (SNPC).
Dois dias de trabalho: do conceito à prática
O primeiro dia foi de nivelamento conceitual e diálogo técnico. No segundo, os participantes foram convidados a discutir exemplos de ações, projetos, iniciativas ou vivências institucionais, em andamento ou em fase de planejamento, relacionados às mudanças climáticas ou com potencial de integração a estratégias de adaptação no campo do patrimônio cultural.
A oficina foi ministrada pela professora Luana Campos, do Mestrado Profissional do Iphan/CLC, com apresentações do Departamento de Articulação, Fomento e Educação (Dafe/Iphan) e apoio do Centro Lucio Costa (CLC). O conceito central da formação foi apresentado por ela logo na abertura: letramento climático.
O que é letramento climático e por que ele importa para o patrimônio?
Letramento climático é a capacidade de entender de que forma o ser humano influencia o clima, interpretar os seus impactos e identificar as melhores formas de agir, no caso do patrimônio, sob uma perspectiva cultural. Nas palavras da professora Luana, trata-se de um conceito que investiga “os impactos climáticos ao patrimônio e à cultura simultaneamente, de forma a otimizar o potencial da cultura como um vetor para as ações climáticas”.
Na prática, isso significa reconhecer que a mudança climática ameaça o patrimônio de duas formas:
- pelos danos físicos visíveis, como inundações e ondas de calor que deterioram monumentos, lugares que abrigam patrimônios imateriais e territórios em geral; e
- pelos danos invisíveis, como a perda de línguas, rituais, narrativas orais e o sentimento de pertencimento de uma comunidade ao seu lugar.
Patrimônio como agente
Um dos eixos mais relevantes da formação foi a afirmação do patrimônio cultural não apenas como objeto de risco, mas como parte ativa da resposta à crise climática.
O primeiro exemplo vem do ambiente construído: restaurar um edifício histórico é, em termos ambientais, mais sustentável do que demolir e construir um novo, pois evita o custo ambiental inteiro de uma nova obra, da extração de matérias-primas à construção em si.
O segundo vem das comunidades: povos indígenas e comunidades tradicionais acumulam, ao longo de gerações, conhecimentos sobre manejo do território e técnicas construtivas adaptadas ao clima, que são saberes reconhecidos como ferramentas tão valiosas quanto as soluções baseadas em conhecimento científico.
Essa perspectiva se conecta a uma preocupação ética central de que as mudanças climáticas não afetam a todos da mesma forma. Comunidades que menos contribuíram para o aquecimento global são, muitas vezes, as que mais sofrem seus efeitos. Em mensagem lida por Luana Campos durante a abertura do evento, o Grupo de Trabalho em Ação Climática do ICOMOS reafirmou o compromisso de garantir que a ação climática no patrimônio seja, acima de tudo, justa e inclusiva.
Próximos passos
Nos próximos meses, o Iphan trabalhará na construção e no lançamento da Estratégia Nacional de Patrimônio Cultural e Ação Climática, prevista para ocorrer entre maio e junho. O Segundo Ciclo será estruturado como um dos instrumentos de implementação dessa estratégia.
Para a diretora do Dafe, Cejane Pacini, a formação é o alicerce do que vem a seguir. “A formação iniciada neste ciclo é fundamental para nivelarmos o entendimento sobre os conceitos climáticos aplicados ao patrimônio. Ela possibilita o fortalecimento institucional nesta temática, alinhado aos objetivos da Estratégia Nacional para Patrimônio Cultural e Ação Climática que está sendo consolidada, com ênfase na promoção da integração da perspectiva climática aos instrumentos de preservação e salvaguarda do patrimônio cultural".
Mais informações
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