Patrimônio Arqueológico

Publicado em 10/09/2021 12:38Modificado em 31/07/2026 11:36
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tijelas em louça

O estado da Bahia abriga um patrimônio arqueológico de valor incalculável para a compreensão do povoamento e da formação histórica do Brasil. Sua vasta extensão territorial e diversidade ecossistêmica abrigam vestígios que remontam desde milhares de anos antes da chegada dos colonizadores europeus até o período colonial e imperial.

Esses testemunhos do passado estão distribuídos por diversas regiões baianas, com características e tipologias marcantes: a Chapada Diamantina e Região Arqueológica Central, com seus complexos painéis de arte rupestre (pinturas e gravuras) gravados em paredões e grutas, revelando a cosmologia e o cotidiano de grupos caçadores-coletores pré-coloniais; o Baixo-Médio São Francisco e Serra Geral, de intensa ocupação pré-histórica, com abundância de sítios líticos e registros rupestres de diferentes tradições estilísticas e o Recôncavo Baiano e Costa do Descobrimento, regiões fundamentais tanto para a arqueologia histórica, quanto pré-colonial, muitas das vezes com sítios arqueológicos destes períodos ocupando um mesmo espaço, registrando o contato entre povos originários, africanos escravizados e colonizadores europeus.

Atualmente, a Bahia conta com cerca de 4.000 sítios arqueológicos cadastrados no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA). Embora a grande maioria corresponda a registros de representações rupestres, o estado destaca-se também pela expressiva presença de sítios cerâmicos atribuídos a populações agricultoras e ceramistas pré-coloniais; sítios líticos formados pela ação de grupos caçadores-coletores com seus instrumentos de caça e trabalho em pedra; sítios subaquáticos distribuídos por toda a costa, com embarcações, peças de artilharia, mercadorias e objetos de navegação dos séculos XVI ao XIX; além dos sítios históricos onde predominam ruínas de engenhos, missões religiosas, fortificações e antigos assentamentos urbanos.

A gestão, promoção, proteção, conservação e valorização desse acervo cabem à Superintendência do IPHAN na Bahia, atuando por meio do seu Núcleo de Arqueologia, que desenvolve um trabalho contínuo centrado em três pilares fundamentais: Preservação e Fiscalização, monitorando intervenções, licenciamento ambiental de grandes obras e combate ao vandalismo ou à destruição deliberada de sítios arqueológicos; a Gestão de Dados e Mapeamento constante do território para inclusão de novas descobertas na base oficial do Governo Federal e a Educação Patrimonial e Difusão, desenvolvendo ações para aproximar a sociedade, integrando a preservação arqueológica às paisagens de conservação ambiental, aos roteiros de turismo sustentável e ao reconhecimento dos territórios dos povos originários e comunidades tradicionais.

Para além disso, o IPHAN-BA fomenta a criação e o fortalecimento de instituições de guarda e pesquisa arqueológica (como museus, universidades e centros de documentação), garantindo que os artefatos resgatados sejam adequadamente higienizados, catalogados, conservados e disponibilizados para estudos, pesquisas e difusão pública.

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