Sala do Artista Popular recebe arte indígena Baniwa

Publicado em 31/03/2024 13:44Modificado em 29/04/2024 14:52
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Foto: Francisco Moreira da Costa, artesão Francisco Luiz Fontes trançando o arumã

O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan) recebe, até o dia 19 de maio, na Sala do Artista Popular, a exposição Trançados de arumã e tucum: artes de uma comunidade baniwa. O público poderá conferir a produção artística da etnia indígena Baniwa, que habita a região do baixo Içana, afluente do Rio Negro, localizada no município amazonense de São Gabriel da Cachoeira. 

O belo trançado desenvolvido com arumã e tucum, plantas presentes em abundância na localidade, transforma-se em balaios, jarros, fruteiras, peneiras, abanos e outras criações, que têm forte conexão com o modo de viver cotidiano. Tipitis, peneiras, aturás, por exemplo, são utilizados no processo de produção de farinha e beiju para o consumo familiar, a partir da mandioca. 

“Aprendeu sozinho a fazer artes como cestaria, para poder comprar sua sandália, uma camisa, uma peça de roupa”, conta, sobre seu pai, a antropóloga Francy Baniwa, no livro de sua autoria Umbigo no Mundo. Francisco Luiz Fontes, um maadzero (sábio, em baniwa), benzedor, narrador, mestre de danças, de cantos, de instrumentos musicais e artesão, mantém viva junto com outros mestres mais velhos a tradição do trançado em arumã, também transmitida às novas gerações na escola indígena multilíngue e intercultural Kariamã. 

Já o artesanato em tucum é produzido pelas mulheres da comunidade, que se dividem entre a criação intensa de peças artesanais e a mobilização coletiva. A coordenadora da Associação das Artesãs de Assunção de Içana, Vigília Arágua Almeida, ou Nassaro, disse desde cedo entender a importância das associações na luta pela educação, pela saúde e pelo bem viver da comunidade. 

O artesanato de arumã e tucum é parte integrante da cultura material ligada ao Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, registrado em 2010 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural Brasileiro. É parte dessa riqueza que poderá ser conhecida na Sala do Artista Popular, até 19 de maio.

Sobre o Programa Sala do Artista Popular

Trançados de arumã e tucum: artes de uma comunidade baniwa é a 206ª exposição do Programa SAP, criado em 1983 com o intuito de oferecer um espaço de exposições de curta duração, voltado para difundir e comercializar as obras de artistas e comunidades da cultura popular. Cada mostra conta com catálogo desenvolvido a partir de pesquisa etnográfica e documentação fotográfica realizada pela equipe do CNFCP. Mesmo depois de encerrada a exposição, os artistas podem continuar enviando suas obras para o espaço de comercialização do Centro. A partir da divulgação e do contato direto com o público, abrem-se oportunidades de expansão de mercado e de produção.

Veja aqui a versão online do catálogo

Realização

Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan)  

Associação dos Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro (Acamufec)

Parceria:

Ministério dos Povos Indígenas
Fundação Nacional dos Povos Indígenas
Museu Nacional dos Povos Indígenas
Diretora: Fernanda Kaingáng

Serviço:

Exposição: Trançados de arumã e tucum: artes de uma comunidade baniwa

Onde: Sala do Artista Popular do CNFCP, Rua do Catete, 179 (prédio principal)

Inauguração: 04/04/2024, às 17h

Período: 04/04 a 19/05/2024

Dias e horários: Terça a sexta-feira, das 10h às 18h

Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h

Informações: atendimento.cnfcp@iphan.gov.br 

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