Projeto Tramas do Serro
O projeto Tramas do Serro – Culturas Populares, Patrimônios e Direitos Sociais é uma iniciativa voltada para a formação de lideranças de grupos de culturas populares, comunidades detentoras de patrimônios imateriais e povos tradicionais do município do Serro, Minas Gerais. O objetivo central é capacitar esses integrantes como agentes culturais, fortalecendo seus saberes, memórias, territórios e o sentimento de pertencimento comunitário. A proposta foi articulada pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/IPHAN), em parceria com o Coletivo Flor e Ser no Cerrado.
- Pioneirismo no Patrimônio Histórico: O Serro se destaca desde a criação das políticas de patrimônio no Brasil em 1937, tendo seu conjunto histórico e arquitetônico entre os primeiros tombados pelo IPHAN, em 1938.2 O casário da antiga Vila do Príncipe preserva três séculos de história colonial.2
- Forte Presença Afrodescendente e Quilombola: A região possui uma população majoritariamente afrodescendente, contando com oito comunidades quilombolas certificadas (Ausente, Baú, Vila Nova, Santa Cruz, Capivari, Queimadas, Barra da Cega e Mata dos Crioulos) e mais de 60 povoados rurais.
- Memórias da Diáspora Centro-Africana: Devido a um processo de urbanização mais lento, em comparação com outras cidades mineiras, o Serro guarda "memórias subterrâneas" da diáspora centro-africana (tronco Bantu), preservando falares, cantos (como os Vissungos) e conhecimentos ancestrais.
- Riqueza de Patrimônios Imateriais: O município concentra uma rede interligada de detentores de bens registrados em diversas esferas:
- Federal: Modo de Fazer o Queijo Artesanal, Capoeira, Ofício de Sineiro e Saberes do Rosário.
- Estadual: Folias de Reis, Saberes da Viola e Sistemas Culinários da Cozinha Mineira.
- Mundial: O Sistema Agrícola Tradicional de Apanhadores(as) de Flores Sempre-Vivas é reconhecido como patrimônio mundial.
- Federal: Modo de Fazer o Queijo Artesanal, Capoeira, Ofício de Sineiro e Saberes do Rosário.
- Articulação Local Preexistente: A presença do Coletivo Flor e Ser no Cerrado, sediado no Serro e com décadas de atuação no campo da cultura e formação de lideranças, facilitou a implementação da proposta.
O que é o curso oferecido pelo projeto? Trata-se da formação de Agente Patrimonial de Cultura, um curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) com foco em pesquisa e ação no campo do patrimônio cultural. Os estudantes aprendem a desenvolver inventários culturais participativos e a atuar na salvaguarda de referências culturais.
Quem pode participar? O público-alvo são jovens e adultos de comunidades quilombolas e tradicionais, além de integrantes de grupos de culturas populares do município do Serro. É exigida a escolaridade mínima do Ensino Fundamental Completo.
Como as aulas são realizadas? As aulas possuem caráter itinerante, ocorrendo em sedes de grupos de cultura popular, centros comunitários rurais e comunidades quilombolas. O formato é híbrido, combinando encontros presenciais quinzenais com atividades de campo supervisionadas e tarefas de pesquisa orientadas de forma remota.
Qual é a duração e carga horária? O curso tem uma carga horária total de 160 horas, distribuídas ao longo de 07 meses.
Quais são os benefícios para os alunos selecionados? O projeto oferece 25 vagas, e os alunos selecionados recebem uma bolsa auxílio mensal de R$ 860,00 para cobrir gastos com internet, deslocamento e alimentação durante as atividades.
Quem financia a iniciativa? Os recursos são oriundos do Governo Federal, destinados via Emenda Parlamentar da Deputada Federal Célia Xabriabá, por meio de convênio com o IPHAN.
Qual o perfil do profissional formado? O egresso estará qualificado para atuar como assistente de pesquisa e mobilizador cultural, com conhecimentos em legislação cultural, educação patrimonial e técnicas de documentação audiovisual e fotográfica. Ele terá autonomia para colaborar em projetos de identificação e proteção de bens culturais e territórios tradicionais.
