Porto Nacional (TO)
A área tombada (que inclui o seu entorno) abrange parte da zona central e compreende o sítio natural, a malha urbana e as arquiteturas implantadas desde a fundação do município até a década de 1960.
Neste trecho localizam-se, além das edificações vernaculares, os edifícios mais singulares do centro histórico, como a Catedral, o Seminário, a Cúria e a Casa de Câmara e Cadeia. O local ainda apresenta remanescentes da maior parte do acervo arquitetônico representativo do período da mineração do ouro - metade do século XVIII até meados do século XX.
História
A história de Porto Nacional (TO) está ligada à navegação pelo rio Tocantins e à extração de ouro que trouxe muitos garimpeiros. A mineração foi responsável pela maioria dos pequenos núcleos de habitantes que se estabeleceram na região. A travessia de mineradores, tropeiros, mascates e viajantes era realizada em barcos do português Félix Camôa (barqueiro e primeiro morador do local), onde está o núcleo histórico de Porto Nacional.
Os bandeirantes chegaram à região pelo sul da Província de Goiás, no final do século XVI, quando o capitão Sebastião Marinho organizou a primeira bandeira conhecida que atingiu as nascentes do rio Tocantins, por volta de 1592. Em 1723, Bartolomeu Bueno da Silva anunciou a descoberta de ouro na região e, com o início da exploração desse minério, surgiram vários povoados, entre eles Porto Real (atual Porto Nacional), em 1738. A instalação do destacamento militar encarregado da vigilância da navegação também incentivou o povoamento.Anos mais tarde, em 1791, o cabo Thomaz de Souza Villa Real estabeleceu uma rota de comércio sul-norte e instalou um destacamento militar na região. Com a privilegiada localização entre dois povoados mineradores importantes, Pontal e Carmo, surge Porto Real, que se desenvolve com o comércio e a navegação. Em 1831, Porto Real é elevado à categoria de vila, com o nome de Vila de Porto Imperial.
Com a vinda da família real portuguesa, em 1808, para o Brasil, houve a retomada do crescimento da futura cidade de Porto Nacional. D. João VI, em 9 de março de 1809, criou a Comarca no Norte da Província de Goiás, denominada São João da Barra (atual Marabá, no Pará). Na mesma época, o desembargador Joaquim Teotônio Segurado foi designado para dirigir a comarca e desenvolver a navegação nos rios Araguaia e Tocantins. A vila se transformou em um importante entreposto comercial para os negociantes que faziam a viagem em botes pelo rio Tocantins, de Palmas até Belém do Pará e vice-versa.
No início da década de 1860, Porto Imperial havia se transformado em um importante empório comercial, com muitos comerciantes, comércio fluvial intenso com o Norte e mais de 4.000 habitantes. Em 1861, adquire o título de cidade e recebe o nome de Porto Nacional e, em 1868, Couto Magalhães fundou a Companhia de Navegação do Araguaia, com navios a vapor para desenvolver a economia do norte de Goiás (atual Estado de Tocantins). A cidade passa a viver um período importante para a expansão de sua área construída, com a chegada, em 1886, dos primeiros religiosos da Missão Dominicana vindos da Europa que se instalam na cidade, onde constroem praças, vielas e casarões.
Monumentos e Espaços Públicos Tombados
Catedral Nossa Senhora das Mercês, Seminário São José, Prefeitura Velha e Arquivo Municipal, Caetanato (primeira sede do Colégio das Irmãs Dominicanas, Colégio Sagrado Coração de Jesus, Prédio do Abrigo João XXIII e Biblioteca Municipal Eli Brasiliense, entre outros.Catedral Nossa Senhora das Mercês - Situada nas proximidades da margem direita do rio Tocantins, no mesmo local da antiga capela de Nossa Sra. das Mercês, essa obra monumental foi iniciada em 1894 e concluída 1904. Representa a Ordem Dominicana em Porto Nacional, projetada em pedra e tijolos no estilo românico de Toulouse, França (região de origem dos freis construtores). A maioria das suas imagens sacras foram trazidas da França (como o primeiro sino de bronze) e de Belém do Pará.
Museu Histórico Cultural de Porto Nacional - Único museu do Estado, retrata a história de Porto Nacional e de Tocantins, desde a sua origem até os dias atuais, com acervo permanente referente aos séculos XIX e XX.
Seminário São José - Antigo Convento Santa Rosa de Lima e atual sede da congregação dos padres dominicanos, desde do início da década de 1920.
Fontes: Arquivo Noronha Santos/Iphan e IBGE


