Natividade (TO)
Natividade apresenta uma estrutura urbana colonial, com ruas irregulares. O conjunto arquitetônico destaca-se por sua simplicidade, com ausência de monumentalidade nas construções públicas, resultando em um conjunto harmonioso, com uma estrutura urbana colonial e casario simples. As fachadas das construções remetem a dois períodos econômicos distintos.
As mais despojadas estão relacionadas à mineração do século XVIII e as mais ornamentadas, à pecuária, a partir do século XIX. Conserva, ainda hoje, seu traçado urbano original assim como as igrejas da Matriz de Natividade e de São Benedito, e as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, considerada um dos símbolos do novo Estado do Tocantins.
História
A cidade de Natividade, em Tocantins, surgiu em 1734, com o nome de Arraial de São Luiz, durante a expansão da atividade mineradora do começo do século XIX, no Centro-Oeste. Fundada por Antônio Ferraz de Araújo ao pé da Serra da Natividade, no Sudeste do Tocantins, recebeu seu nome em homenagem a Dom Luís de Mascarenhas, então governador da Capitania de São Luís e fundador da Vila Boa (atual cidade de Goiás/GO). Anos mais tarde, passa a ser chamada Natividade, em homenagem a Nossa Senhora da Natividade.
Natividade nasceu com a exploração do ouro e ainda existem as ruínas dos primeiros garimpos de ouro da região. Durante muitos anos, a cidade esteve na posição de um dos maiores arraiais da Capitania de Goiás, perdendo somente para Pirenópolis e ocupou lugar de destaque na extração de ouro. Em 1831, Natividade foi elevada à categoria de vila e, em 1901, a município, ao ser desmembrada de Porto Nacional.
O período da mineração, no século XVIII, ficou marcado por edificações simples de fachadas despojadas, enquanto a economia baseada na pecuária, a partir do século XIX, deu origem às construções mais elaboradas e fachadas ornamentadas, refletindo a riqueza trazida por essa nova atividade econômica. Natividade ainda preserva a arte secular da ourivesaria, tradicional desde a época do garimpo de ouro e a produção artesanal faz uso da técnica rara da filigrana portuguesa, que sobreviveu ao tempo pelas mãos de mestres ourives nativitanos.
Monumentos e Espaços Públicos Tombados
Igreja Nossa Senhora da Natividade, Igreja de São Benedito e as ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Centro de Artesanato e Apoio Turístico, Casa de Cultura Amália Hermano Teixeira, Praça do Largo da Matriz, Praça das Bandeiras, Praça das Ruínas, Praça Leopoldo de Bulhões, Praça da Igreja São Benedito e Arruamento, entre outros.Igreja da Matriz de Natividade - Datada de 1759, sofreu algumas alterações no seu interior e fachada. Nele se encontra a imagem de Nossa Senhora da Natividade, santa Padroeira do Estado do Tocantins, possui dois sinos em bronze, datados de 1858.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos - Construída pelos escravos, em pedra sabão, possui os arcos da entrada central feitos com grandes tijolos especiais da época. Obra de admirável arquitetura, ficou inacabada. “Superaria as demais igrejas da capitania do Norte de Goiás se tivesse sido terminada”, escreveu o visitante Pohl, em 1819. Representa o monumento símbolo da raça negra e do trabalho escravo da fase da mineração. Representa o monumento símbolo da raça negra e do trabalho escravo da fase da mineração.
Prédio da Antiga Cadeia Pública - Continua com as características originais da sua construção. Impressiona pelas suas janelas e portas de largas grades e enormes portais em madeiras. Quando da passagem da Coluna Prestes, em 1925 e 1926, seus presos foram soltos pelos membros dessa rebelião. Foi restaurada em 1996, para ser o Museu Histórico Municipal.
Casa do Sr. Salvador José Ribeiro (ten. Salvador) - Foi sede da primeira escola pública de Natividade (Grupo Escolar D. Pedro II), nos anos 1830.
Ruínas de São Luís - Local do antigo povoado no alto da Serra de Natividade, rico em buracos de garimpos de ouro, que no início a história do nascimento da atual cidade, onde também se encontra a Lagoa Encantada, construída pelos escravos.
Igreja de São Benedito - De características coloniais, conserva o sino original e a estrutura do primeiro altar. É possível que tenha sido construída ainda nas primeiras décadas do século XVIII, época em que Natividade vivia a opulência do ouro. Desativada em 1928, voltou a ser utilizada com mais frequência em 2000.
Fontes: Arquivo Noronha Santos/Iphan e IBGE



