Piranhas (AL)
Localizada no sertão do Estado de Alagoas, Piranhas se divide em “cidade de baixo e cidade de cima”, em uma região de caatinga cortada pelos rios São Francisco, Boa Vista (ou Piranhas), Urucu e Capiá. Um dos elementos destacados pelo Instituto, ao tombar este patrimônio, foi a preservação da paisagem do rio São Francisco, importante meio de comunicação e integração entre os núcleos urbanos nordestinos. O perímetro de tombamento possui em torno de 1.000 imóveis.
Piranhas ainda mantém seu casario colonial disposto irregularmente em morros e baixadas, onde a diversidade cultural e as tradições locais atraem muitos visitantes. O percurso turístico-cultural da Rota do Imperador, criado pelo governo estadual de Alagoas, em 2009, incluiu o município de Piranhas, por onde passou D. Pedro II, em 1859, em sua viagem à região do Baixo São Francisco.
São muitos os fatos históricos que fazem do lugar um cenário único e a cidade também tem sido escolhida como locação de filmes e novelas sobre o tema do cangaço. Destaca-se uma área de qualidade paisagística, onde a atração é o ambiente de contemplação do rio São Francisco.
História
A localidade surgiu no século XVII e era, então, conhecida como Tapera. Conta-se que um caboclo pescou uma grande piranha em um riacho chamado “das piranhas”. Ele preparou e salgou o peixe, e o levou para sua casa, onde verificou que se esquecera do cutelo. E, voltando-se para o filho, disse: - Vá ao porto da piranha e traga o meu cutelo. Esta versão - transmitida de geração a geração -, segundo parece, deu origem ao nome Piranhas. A povoação de Tapera, com o decorrer dos anos, se organizou e, ao mesmo tempo, o povoado que surgiu à beira do riacho se estendeu até Tapera.
O estabelecimento da navegação a vapor, entre Penedo e Piranhas, impulsionou o crescimento local com a assinatura de um convênio entre o Governo da Província das Alagoas e a Companhia Costeira Baiana, em 1867. Entretanto, o maior fator de desenvolvimento deve-se à construção da estrada de ferro, anos mais tarde. Em 1887, foi criada a vila com território desmembrado de Pão de Açúcar e Água Branca e, em 1885, Piranhas passou a distrito.A ligação ferroviária entre a capital pernambucana e as cidades ribeirinhas teve relevância nacional. A ativação da linha entre Piranhas e a cidade pernambucana de Jatobá, em 1891, foi determinante para a expansão comercial de toda a região. Após várias mudanças na divisão administrativa municipal, inclusive com mudanças do seu nome, tanto o município quanto a cidade passaram a denominar-se Piranhas, em 1949.
A cidade ficou conhecida, nacionalmente, por ser o local onde as cabeças do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva) e de outros do seu bando ficaram expostas após a decapitação. No Museu do Sertão (antigo prédio da Estação da Rede Ferroviária), há várias fotos de Lampião, inclusive a que registra o empilhamento das cabeças na escadaria da Prefeitura Municipal.
Monumentos e Epaços Públicos Tombados
Na área tombada estão casarios, igrejas e outros imóveis distribuídos pelos morros e baixadas, entre os quais a Estação Ferroviária, Torre do Relógio, Igreja Nossa Senhora da Saúde, Palácio Dom Pedro II, e o cemitério. Na comunidade de Entremontes, destaca-se a Igreja Nossa Senhora da Conceição.Fontes: Iphan/Arquivo Noronha Santos, Sítios Históricos e Conjuntos Urbanos de Monumentos Nacionais - Volume I: Norte, Nordeste e Centro-Oeste (Iphan/Programa Monumenta), Inventário Nacional de Bens Imóveis Tombados - Volume 82 (Iphan/Edições do Senado Federal), Prefeitura Municipal de Piranhas e IBGE


