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PATRIMÔNIO AFRO-BRASILEIRO
Projeto leva história da resistência negra na Cidade de Goiás (GO) a estudantes
Foto: Jorge Machado dos Santos/Iphan
Mais de 150 adolescentes participaram de uma série de atividades educativas e culturais que os conectaram à história da presença negra na antiga capital goiana, a Cidade de Goiás (GO). As ações que ocorreram nos dias 7, 8 e 9 de abril integram a Rota da Presença Negra em Goiás, uma iniciativa realizada pelo Escritório Técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Cidade de Goiás (GO) em parceria com a Secretaria Municipal de Equidade Étnica e Racial, o Ministério da Cultura (MinC), a Secretaria Municipal de Educação e a Universidade Federal de Goiás (UFG).
A Coordenação Regional de Educação da Cidade de Goiás, em articulação com o Colégio Lyceu de Goyaz e o CEPI (Colégio Estadual em Período Integral) Professor Alcides Jubé, viabilizou a participação dos estudantes do ensino fundamental e médio no projeto. Eles percorreram as ruas do centro histórico em seis visitas guiadas pedagógicas, aprendendo a ler a arquitetura da cidade como um arquivo da presença africana.
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A representatividade adinkra
O principal guia das rotas foi a identificação dos adinkras, que são ideogramas originários dos povos Akan, da África Ocidental. Na cidade de Goiás, esses símbolos foram inseridos por artesãos negros (pedreiros, carpinteiros, ferreiros e oleiros) em grades de ferro, portões e ornamentos cerâmicos como forma de preservar sua identidade e cosmovisão em um contexto de escravidão. O que à primeira vista pode parecer ornamento se revela como um ato de resistência e inteligência cultural.
Um dos momentos mais simbólicos dos roteiros foi a visita ao Mercado Municipal, cujo portão principal contém o adinkra Sankofa, representado por um pássaro que olha para trás. Na língua Akan, Sankofa ensina que não é proibido voltar para buscar o que ficou para trás, sintetizando a proposta central da rota: olhar para as raízes para compreender o presente e construir o futuro.
“As crianças perceberam que os escravizados não eram pessoas sem instrução ou qualificação técnica, mas muitos possuíam habilidades e talentos relacionados à arquitetura e deixaram seus sinais como se tivessem ‘assinado’ vários projetos arquitetônicos marcantes pela cidade”, contou Phaulo Maciel, auxiliar institucional e chefe substituto do Escritório Técnico do Iphan na Cidade de Goiás. “Isso foi muito escondido por muitos anos e, com essa ação, foi revelado um pouquinho dessa história e influência negra na cidade que temos hoje.”
Para incentivar a exploração autônoma dos trajetos, o projeto distribuiu para os adolescentes e para a Secretaria Municipal de Equidade Étnica e Racial 1.500 exemplares de um mapa impresso da rota percorrida pelos estudantes, que também está disponível em versão digital.
Do centro histórico ao quilombo
Após percorrer o conjunto tombado, os estudantes foram levados ao Quilombo Urbano do Alto Santana, onde participaram de oficinas de cerâmica tradicional conduzidas pelas mestras griôs Dona Xica e Dona Didi. Na oficina, os jovens tiveram contato com saberes ancestrais transmitidos entre gerações e puderam aprender a manusear o barro e produzir peças que carregam a mesma tradição preservada pelas mestras.
A iniciativa reafirma que as mãos negras levantaram Goiás e que os vestígios desse trabalho, inscritos em cada grade, portão e ornamento da cidade, merecem ser lidos, sentidos e preservados pelas novas gerações.
Mais informações
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