Notícias
IPHAN NO NOVO PAC
Iphan reinaugura Grande Galpão em Belo Horizonte e lança projeto de memória da capoeira em Minas Gerais
Complexo da Casa do Conde de Santa Marinha - Foto: Mariana Alves/Iphan
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reinaugurou, na última quarta-feira (25), o Grande Galpão da Casa do Conde de Santa Marinha, em Belo Horizonte, após a realização de obras de conservação viabilizadas com recursos do Novo PAC. Na mesma ocasião, foi lançado o projeto Memórias da Capoeira em Minas Gerais: a Voz dos Mestres e das Mestras, voltado à salvaguarda e difusão desse importante bem, reconhecido como Patrimônio Cultural Brasileiro.
A cerimônia reuniu representantes do poder público, instituições culturais e da universidade, além de mestres e mestras da capoeira de diversas regiões do estado. Participaram do evento o diretor do Departamento de Ações Estratégicas e Intersetoriais (DAEI) do Iphan, Daniel Sombra, representando o presidente do Iphan Leandro Grass; a superintendente do Iphan em Minas Gerais, Maria do Carmo Lara Perpétuo; a coordenadora de Apoio aos Bens Registrados, Aline Miranda; além do pró-reitor de Cultura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fernando Mencarelli, da secretária de Cultura da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, Cida Falabella, da presidente da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Boff, e da Coordenadora do Escritório Estadual do Ministério da Cultua (MinC) em Minas Gerais, Ana Tereza Brandão, e Raquel Chaves, da Fundação Nacional das Artes (Funarte).
A reabertura do espaço marca a devolução à cidade de um importante equipamento cultural vinculado ao conjunto arquitetônico da Praça da Estação e parte da sede da Superintendência do Iphan em Minas Gerais. As obras, com investimento superior a R$ 700 mil, incluíram intervenções na cobertura, pintura, forro e melhorias estruturais, consolidando o galpão como espaço multiuso voltado a ações culturais, educativas e de preservação.
Durante a cerimônia, Daniel Sombra destacou que a reinauguração do Grande Galpão é a primeira etapa das ações de recuperação do espaço. "A Casa do Conde também vai passar por um restauro, num processo que pretende fortalecer o eixo cultural que vai do Iphan até a Praça da Estação", afirmou. Sombra ressaltou ainda o papel do investimento público na ampliação do acesso à cultura: "O espaço está preparado para receber diferentes atividades que poderão se executadas tanto pelo Iphan quanto por outras instituições parceiras”.
A superintendente Maria do Carmo Lara Perpétuo enfatizou o caráter simbólico da reinauguração e a destinação do espaço para a cultura. Ela destacou que o galpão “volta a cumprir sua função pública após período de inatividade e que sua ocupação poderá ser muito bem aproveitada, sobretudo, pelas expressões culturais e ao patrimônio imaterial”. Para ela, trata-se de um espaço necessário para encontros, articulações e fortalecimento da cultura em Minas Gerais, contribuindo para a construção da cidadania e da identidade cultural.
Capoeira em destaque
A programação incluiu ainda o lançamento do projeto Memórias da Capoeira em Minas Gerais, desenvolvido em parceria com a UFMG e o Coletivo de Salvaguarda da Capoeira no estado. A iniciativa resultou na produção de 25 registros audiovisuais sobre mestres e mestras de diferentes regiões, com base em metodologias de história oral e abordagem etnográfica.
O projeto busca valorizar trajetórias, ampliar a visibilidade da capoeira e fortalecer ações de salvaguarda, considerando a presença expressiva da prática em mais de 400 municípios mineiros. O material foi disponibilizado na plataforma do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), ampliando o acesso público às narrativas e memórias dos capoeiristas.
Representando os mestres e mestras, a Mestra Codorna, Semíramis Maloni Marques Ribeiro, destacou a relevância da iniciativa, especialmente para dar visibilidade às mulheres na capoeira. “Esse projeto foi de extrema importância, principalmente para as vozes das mulheres na capoeira”, afirmou, ressaltando a importância de que novas histórias continuem sendo registradas e compartilhadas.
Também presente, o mestre Edson Moreira da Silva (Mestre Primo) ressaltou o papel da organização coletiva e das políticas públicas para o fortalecimento da capoeira. Em sua fala, mencionou o avanço de iniciativas como inventários e fóruns de discussão, fundamentais para ampliar o reconhecimento e a valorização da prática no estado.
Casa do Patrimônio
Construído entre o final do século 19 e o início do século 20 pelo industrial português Antônio Teixeira Rodrigues, durante a implantação da nova capital mineira, o Complexo da Casa do Conde de Santa Marinha, que reúne a Casa do Conde e o Grande Galpão, integra o Conjunto Arquitetônico da Praça da Estação e abriga, desde 2005, a Superintendência do Iphan em Minas Gerais. Com a reinauguração do Grande Galpão, o espaço avança na consolidação como Casa do Patrimônio, estruturando-se como ambiente de difusão cultural, promoção do patrimônio e articulação de ações voltadas à preservação do patrimônio material e à salvaguarda das manifestações culturais.
Uma primeira etapa de intervenções de grande monta possibilitou a consolidação do Grande Galpão como espaço multiuso, com auditório, áreas para exposição e laboratório de conservação e restauração. A intervenção mais recente, viabilizada com recursos do Novo PAC, contemplou serviços de manutenção e conservação, incluindo cobertura, pintura, reparos no forro de gesso e melhorias nos sanitários.
A Casa do Conde, por sua vez, também contará com obras de conservação e restauração, cujos projetos estão em elaboração, ampliando as possibilidades de uso do conjunto como espaço de referência para ações educativas, culturais e institucionais.
Em Minas Gerais, o Novo PAC contempla cerca de 70 ações voltadas ao patrimônio cultural, com investimentos aproximados de R$ 300 milhões, evidenciando o papel estratégico do estado nas políticas de preservação no país.


