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Iphan lança livro sobre protagonismo feminino na capoeira do Distrito Federal
Foto: Mariana Alves/Iphan
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lançou, na última sexta-feira (27/03), o livro Saberes das Mestras na Capital, obra dedicada à valorização do protagonismo feminino na capoeira do Distrito Federal. A publicação reúne relatos de vida, trajetórias e saberes de 16 mestras e integra a iniciativa de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial alinhada às diretrizes do Iphan.
Coordenada pelo mestre de capoeira Tiago Baldez, que se descreve como um "mediador do processo", a obra nasceu dentro da Secretaria de Educação do Distrito Federal e tem como base a metodologia da história oral. Por meio de entrevistas e registros, o livro constrói um acervo que evidencia não apenas os aspectos técnicos da capoeira, como o jogo, a musicalidade e os rituais, mas também as dimensões humanas, sociais e políticas que atravessam a prática. A obra destaca como essas mulheres enfrentaram barreiras históricas de gênero, de raça e de classe para conquistar reconhecimento em um espaço tradicionalmente masculino.
A voz das mestras
Representando as mestras retratadas no livro, a Mestra Ana Maria emocionou o público ao relembrar as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na capoeira. Ela destacou que o livro e o evento representam um marco de reconhecimento e visibilidade para aquelas que historicamente foram "deixadas de lado". No passado, o espaço para as mulheres era extremamente restrito e marcado pelo preconceito, ela própria ouvia frases como "mulher tem que bater palma e cantar". Para a mestra, a obra valida a trajetória de resistência das 16 mulheres retratadas, que praticaram a capoeira em tempos em que ela era marginalizada e reprimida.
"Fico muito, muito contente de ter a capoeira dentro de mim. Essa foi uma forma das pessoas me conhecerem: a Mestra Ana", afirmou Mestra Ana.
Democratização do patrimônio
O presidente do Iphan, Leandro Grass, destacou a democratização do patrimônio, a relação entre cultura e educação e a importância da memória como ferramenta política. Dirigindo-se à Mestra Ana, ele afirmou que seu relato de luta e resistência é "memória" e "ferramenta de democracia para que a gente não esqueça e não repita o que já vimos nesse país, como a ditadura militar e o 8 de janeiro". Grass também reforçou que o patrimônio são as pessoas. "Não há patrimônio sem participação social. Não há política de patrimônio apenas com a técnica. A ciência tem que ter a essência das comunidades, dos territórios, das pessoas", disse.
O diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI), Deyvesson Gusmão, classificou a publicação como uma reparação histórica. "Mais uma vez a capoeira está ensinando ao Iphan a lidar com o patrimônio de forma justa e como medida de reparação também. A obra atua nessa medida: a reparação histórica do papel das mulheres na capoeira", afirmou.
O superintendente do Iphan no Distrito Federal, Thiago Perpétuo, destacou a importância de os próprios capoeiristas tomarem a iniciativa de preservar e imortalizar sua cultura, cabendo ao Iphan e a outras instituições apoiarem e divulgar esses trabalhos, sempre respeitando a autonomia dos detentores do patrimônio cultural. "A vitalidade dessas iniciativas aqui no Distrito Federal tem mostrado que essa perspectiva da Salvaguarda dá certo. Porque são realmente pessoas da própria comunidade que têm esse envolvimento e que fazem uma mobilização muito forte. E agora se oferece aqui um produto absolutamente fundamental, que é o registro das memórias das mulheres da capoeira", concluiu.
Documentário “Menino, quem foi seu mestre?”
O evento foi aberto com a exibição do documentário “Menino, quem foi seu mestre?” (2025), dirigido e roteirizado por Sandra Bernardes, ex-servidora do Iphan, e Rafael Gontijo. A obra retrata a história da capoeira no Distrito Federal por meio das memórias e trajetórias de mestres pioneiros da região, como Mestre Tabosa e Mestre Adilson, e mostra que a capoeira vai além da luta, consolidando-se como um legado cultural transmitido de geração em geração. Selecionado para a Mostra Brasília no Festival de Cinema de Brasília, o documentário serviu como uma imersão no universo da capoeira antes do início formal das falas sobre o livro.
Presenças
O evento contou com a participação do deputado distrital Chico Vigilante (PT), da deputada federal Erika Kokay (PT-DF) e da assessora Márcia de Alencar Araujo, representando a senadora Leila Barros (PDT-DF). Além da Mestra Ana Maria, estiveram presentes e/ou foram homenageadas outras mestras que integram a publicação: Mestra Edna, Mestra Laíde, Mestra Ana Cláudia, Mestra Basti, Mestra Keila, Mestra Kequeu, Mestra Mel, Mestra Mirinha, Mestra Nega, Mestra Noélia e Mestra Valdirene.
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