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PATRIMÔNIO IMATERIAL
Artistas circenses do DF recebem certificados de Detentores do Patrimônio Cultural
Foto: Mariana Alves / Iphan
Na noite desta terça-feira (24/3), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) prestou homenagem a famílias circenses atualmente em atividade no Distrito Federal. Sob a lona iluminada do Circo Vitória, instalado na região administrativa de Samambaia (DF), artistas de diversas idades – de profissionais com décadas de experiência no picadeiro a palhaços e malabaristas ainda na primeira infância – receberam certificados de Detentores do Patrimônio Cultural do Brasil.
Há duas semanas, no dia 11 de março, o Conselho Consultivo do Iphan aprovou por unanimidade o registro do Circo de Tradição Familiar como Patrimônio Cultural do país. Ontem, para celebrar tal reconhecimento, nove circos tradicionais no Distrito Federal foram homenageados, numa cerimônia que contou com a participação do presidente do Iphan, Leandro Grass, e da deputada federal Erika Kokay. Também prestigiaram o evento o diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Deyvesson Gusmão, e o superintendente do Iphan no Distrito Federal, Thiago Perpétuo.
Grass comentou a importância dos circos itinerantes como fontes de alegria e arte para a população, mas também de renda e trabalho: “Aonde o Circo chega, chega a Cultura, e aonde chega a Cultura chegam oportunidades. Quantas famílias não vivem do Circo, quantas não colocam comida na mesa, graças ao Circo?”, disse o presidente do Iphan.
Já Deyvesson Gusmão notou que o reconhecimento foi a conclusão de um processo iniciado há mais de 20 anos, desde que o Iphan recebeu o primeiro pedido de registro do Circo como Patrimônio Cultural. “Esse registro saiu agora graças a um investimento sem precedentes na política de salvaguarda do nosso Patrimônio Imaterial, que nos permitiu, entre outras ações, priorizar a retomada de processos pendentes", disse o diretor. Desde 2023, a atual gestão já investiu R$ 44 milhões para ações no campo do Patrimônio Imaterial, um valor recorde na história do Iphan.
Uma grande família espalhada pelo Brasil
Mas os convidados especiais da noite foram mesmo os artistas de diferentes gerações que receberam certificados de Detentores do Patrimônio Cultural, em nome de seus circos. Foram eles:
- Carlos Alexandre Tobias de Souza e Isaque Henrique Rocca Tobias, do Circo Dexter;
- Amadeu Barros da Silva Jr. e Gabriel Barros Rocca, do Circo Rayner;
- Ivana e Letícia Portugal, do Circo Real Português;
- Iraildes Rocca e Ana Eduarda Rocca, do Circo Rocca;
- Jefson Benhur Gadilho e Cristiane Gadilha, do Dubai Circus;
- Jana Rabelo, representando os circos Lion e Pop Circus;
- Wellington Portugal e as crianças Ravi e Maria Valentina, do Master Show Circus; além de
- Loiri Teresinha Mocellin e Wilson Gomes de Almeida, do Circo Vitória, anfitrião do evento.
Se a repetição de sobrenomes na lista chama atenção, não é por acaso. Caracterizado pela itinerância, pela organização em torno de núcleos familiares e pela transmissão oral de saberes, técnicas, modos de fazer e formas de convivência, o Circo de Tradição Familiar se perpetua e se multiplica, com frequência, por meio de laços de casamento, ou quando filhos e filhas inauguram novos circos em outras localidades, com o que aprenderam de seus pais, mães e avós, sem nunca esquecer de onde vieram. É como se todos fizessem parte de uma mesma grande família, detentora da missão de levar adiante esse patrimônio.
Dona Loiri e seu Wilson, por exemplo, estão juntos há mais de quatro décadas, desde que o famoso Circo Vostok, do qual ele fazia parte, passou pela Erechim (RS) onde ela morava, nos anos 1970. Apaixonada pela arte do picadeiro (e, mais tarde, pelo seu Wilson), Dona Loiri juntou-se à trupe e hoje é matriarca de uma família circense que já vai em cinco gerações, herdando e repassando as lições dos avós do seu Wilson para seu filho Wellington, hoje à frente do Master Show Circus, e netos Ravi (o palhacinho Ravisco), de 3 anos, e Maria Valentina, aos 7 anos já exímia nos bambolês.
Ela espera que, com o registro do Circo Tradicional como Patrimônio Cultural, certas dificuldades encontradas por famílias como a dela – como demandas burocráticas para se instalarem ou ficarem mais tempo em alguns municípios - sejam diminuídas. “Esse é um reconhecimento que há muito tempo a gente esperava”, diz Dona Loiri.
Carlos Alexandre Tobias de Souza, do Circo Dexter, avalia o registro como uma “grande conquista” - e merecida, já que, segundo ele, "os circos itinerantes são a mãe de todas as artes. Antigamente tinha peças nos circos, vários atores de teatro e televisão começaram nos picadeiros, [assim como] vários cantores, duplas sertanejas, artistas de forró”, diz ele.
Ao final da cerimônia, os participantes ainda foram premiados com uma apresentação especial de trapézio, acrobacia, contorcionismo e palhaçadas de alguns dos mais jovens membros dessa grande família, que leva adiante o Patrimônio Cultural do Brasil com talento e dedicação.
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comunicacao@iphan.gov.br


