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EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
Alunos da UnB debatem filme sobre restauro de obras de arte vandalizadas no 8 de janeiro
Ajudar uma nova geração de gestores públicos a enfrentar possíveis ataques à democracia, como os ocorridos no 8 de janeiro de 2023. Esta foi uma das razões que motivaram o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Departamento de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de Brasília (GPP/UnB) a organizar uma exibição para alunos, na noite de ontem (23/10), do documentário “8 de Janeiro: Memória, Restauração e Democracia”, seguida por um debate com o presidente do Iphan, Leandro Grass.
Produzido pelo Iphan e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o documentário foi um dos produtos resultantes de uma parceria firmada entre as duas instituições no início de 2024, para o restauro de obras de arte do acervo do Palácio do Planalto que haviam sido vandalizadas durante a invasão do prédio, um ano antes.
Assistido por uma plateia de mais de 50 estudantes no auditório verde da Faculdade de Administração, Contabilidade, Economia e Gestão de Políticas Públicas da UnB, o filme, que retrata o trabalho de conservadores-restauradores da UFPel na recuperação das obras de arte, inspira reflexões sobre os instrumentos, os desafios e, acima de tudo, a importância de políticas públicas culturais em um país democrático.
Cultura como política pública
No debate que se seguiu à exibição do filme, o presidente do Iphan comentou a complexidade logística do projeto, que envolveu a montagem de um laboratório de restauro dentro do Palácio da Alvorada e a articulação constante com a Diretoria Curatorial dos Palácios Presidenciais para movimentação das peças. Também chamou a atenção dos alunos para o Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado entre o Iphan e a UFPel, como um dos instrumentos que órgãos de Estado dispõem para compartilhar recursos e competências, visando maior eficiência.
Avançando para o que foi o principal tema da noite, Grass convidou a turma a pensar nos pilares sobre os quais se apoiam as políticas públicas, lembrando que os ataques do 8 de janeiro de 2023 não foram apenas a prédios tombados e obras de arte, mas a símbolos da democracia. “Democracia só existe quando nos sentimos parte de algo maior, e o patrimônio tem esse papel de construir vínculos, pertencimento", afirmou Grass, defendendo a importância das políticas públicas culturais no Brasil. "O que esgarça a democracia é o individualismo, e cultura é compartilhamento.”
O aluno Davi Paes, que é presidente do Centro Acadêmico de Gestão de Políticas Públicas e participou da organização do evento, diz que a ideia era ampliar a perspectiva de seus colegas sobre o papel que exercerão na sociedade. “Nós, futuros gestores, temos o foco em pensar orçamento. Esse filme nos faz ver a cultura, a arte como uma pauta importante para buscar mais orçamento, mais investimento”, disse.
Já a chefe do Departamento de GPP, Sylan Midlej, pontuou que o documentário combate uma noção equivocada de ineficiência da universidade pública. “A sociedade não costuma ver a universidade como centro de entrega de políticas públicas, e esse filme é uma resposta a isso”, disse a professora, elogiando o Iphan por ter buscado a parceria da UFPel, em vez de escritórios privados de maior renome.
“Nessa época em que falamos muito de soberania, o 8 de janeiro foi um dos melhores exemplos recentes de soberania técnica do nosso Estado", disse Leandro Grass, concordando com a professora. “Depois dos ataques, colocamos tudo de pé de novo pela capacidade técnica dos nossos servidores, dos nossos cidadãos.”
Assista ao documentário 8 de Janeiro: Memória, Restauração e Democracia no Youtube do Iphan.
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