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Consulta pública: saberes associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca de SC
Foto: Rancho Cultural
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) abriu, na última segunda-feira (02/01), consulta pública para que a sociedade possa se manifestar sobre a proposta de registro dos Saberes e Práticas Tradicionais Associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca de Santa Catarina (SC) como patrimônio cultural do Brasil. Até o dia 4 de março de 2026, qualquer pessoa pode enviar sua opinião, sugestões ou informações sobre o bem cultural que pode ser inscrito no Livro de Registro dos Saberes.
As manifestações podem ser enviadas por e-mail para conselho.consultivo@iphan.gov.br, por correspondência para o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural no endereço SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º Andar, Brasília-DF, CEP 70390-135, ou através do Protocolo Digital do Iphan disponível no site oficial do Instituto. Após o encerramento do prazo, todas as contribuições recebidas serão analisadas pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão máximo de decisão do Iphan para o reconhecimento de bens culturais brasileiros.
A consulta pública representa uma oportunidade para que a população, especialmente quem vive, pratica ou conhece de perto essa tradição, possa contribuir com informações, relatos e opiniões sobre o bem cultural, garantindo que o processo de reconhecimento passe pelas mãos da comunidade detentora.
Saberes e Práticas Tradicionais Associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca de Santa Catarina
A pesquisa para o processo de reconhecimento das manifestações dos Saberes e Práticas Associadas aos Engenhos de Farinha de Santa Catarina vem sendo realizada desde 2023, a pedido de cinco coletivos que compõem a Rede Catarinense de Engenhos de Farinha: Associação Comunitária Rural de Imbituba (Acordi), o Instituto Boi Mamão, a Associação de moradores de Santo Antônio de Lisboa (Amsal), o Núcleo de Estudos Açorianos (NEA/UFSC) e o Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro).
O circuito da produção de farinha de mandioca em Santa Catarina carrega uma trajetória rica e diversa, construída ao longo de milhares de anos por diferentes povos. Presente desde os tempos pré-coloniais, a mandioca é um dos pilares do sistema agroalimentar tradicional da região. Estudos arqueológicos indicam que o litoral catarinense começou a ser ocupado por volta de 3.000 a.C. e que a prática da agricultura se consolidou cerca de 1.000 a.C. Já o conhecimento sobre o processamento da mandioca — um saber desenvolvido por povos indígenas — é ainda mais antigo, com registros que remontam a até 3.000 a.C.
A identidade é reforçada por meio de eventos culturais como as farinhadas, as carreatas de carro de boi e apresentações de Boi de Mamão e Terno de Reis. O engajamento comunitário é representado, sobretudo, pela farinhada, que é o ápice do sistema e só existe na coletividade. Não se faz farinha sozinho, sendo necessário o auxílio de vizinhos, parentes ou amigos, muitas vezes em um regime de mutirão (ou potirõ para os Guarani) baseado na reciprocidade. Os engenhos atuam como espaços de encontro, memória, festa e trabalho, onde os laços sociais são fortalecidos. Nesses momentos, ocorrem refeições coletivas, cantorias (como a "ratoeira") e muita conversa. A relevância do bem transcende o âmbito local, o ciclo da farinha em Santa Catarina foi economicamente relevante, abastecendo populações urbanas, tropas militares e embarcações por cerca de dois séculos (séculos XVIII a XX). A salvaguarda dos "Saberes e Práticas Tradicionais Associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca de Santa Catarina" é vital para a memória e a identidade brasileiras, pois a prática demonstra a contribuição fundamental de povos indígenas, afrodescendentes e eurodescendentes para a formação da sociedade e da identidade brasileira.
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