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Saúde Única: Na COP15, Governo do Brasil discute monitoramento de animais silvestres como barreira contra novas pandemias
Participantes em evento paralelo durante a COP15 da CMS, em Campo Grande (MS). - Foto: Ueslei Marcelino/MMA
A compreensão de que a saúde humana está indissociável da dos animais e das plantas foi destaque no primeiro evento paralelo organizado pelo Governo do Brasil na 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS). O painel focou na implementação prática do conceito de Saúde Única (One Health, em inglês), estratégia central para antecipar crises sanitárias globais.
A abordagem parte da ideia de que o olhar integrado para animais, plantas e seres humanos permite soluções mais efetivas para desafios como epidemias e pandemias, a exemplo da Covid-19. Segundo a coordenadora substituta de Conservação da Fauna e da Biodiversidade (Cobio) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marília Marinho Banhos Dias, a vigilância constante é urgente. “Cerca de 75% das doenças infecciosas emergentes em humanos têm origem animal. Aí está a importância da One Health: uma força conjunta para que tudo se comunique”, explicou.
Em diversas situações, o ser humano não é o primeiro a demonstrar sintomas, o que faz do monitoramento de animais uma alternativa para detectar desequilíbrios antes que se tornem doenças em escala humana.
“Um exemplo clássico é a gripe aviária, que depende de interações entre países, trocando informações e alertas que nos coloquem em situação de atenção com antecedência, para que as ações reais possam ser tomadas”, afirmou a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita.
Animais sentinelas e alertas precoces
Nesse contexto de prevenção, o debate destacou o papel dos chamados “animais sentinelas”, que atuam como indicadores da saúde de ecossistemas. As onças-pintadas são um exemplo claro. Por ocuparem o topo da cadeia alimentar no Pantanal e em outros biomas, funcionam como uma espécie de alarme.
O coordenador do Instituto Impacto, Paul Raad, ressaltou que a presença de parasitas ou o desaparecimento dessas populações sinaliza que o ambiente está em desequilíbrio, o que pode indicar futuros problemas de saúde para animais e pessoas. O Instituto Impacto é uma organização que atua com onças-pintadas no Pantanal.
O Governo do Brasil também apresentou o sucesso dos Programas de Monitoramento de Praias (PMPs). Esses programas utilizam espécies migratórias como sentinelas e são capazes de detectar precocemente ameaças como o vírus da influenza (gripe), o que permite respostas rápidas das autoridades.
“A Saúde Única depende, portanto, do fortalecimento da cooperação global e regional, que precisa enfrentar fatores determinantes e identificar partes interessadas na tomada de decisão”, destacou a conselheira nomeada pela COP para a Saúde da Vida Selvagem, Ruth Cromie.
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