Diagnósticos
Diagnóstico da pós-graduação
O diagnóstico da vertente Pesquisa e Pós-Graduação teve como objetivo mapear como inovação e empreendedorismo estão integrados em 235 programas da RFEPCT, dos quais 107 responderam ao levantamento, considerando currículo, corpo docente, infraestrutura, egressos, impacto social e parcerias. Os resultados mostram que a inovação já está relativamente consolidada na matriz curricular (disciplinas específicas, metodologias ativas, produtos técnico-tecnológicos e articulação com ambientes de inovação), mas ainda com baixa formalização em propriedade intelectual, transferência de tecnologia e indicadores de impacto.
Quanto ao empreendedorismo, o estudo indica presença mais incipiente e pouco sistematizada, com muitos programas sem disciplinas formais, baixa integração com o setor produtivo e poucas oportunidades de vivências práticas, embora haja casos promissores de egressos empreendedores e iniciativas sociais. O levantamento evidenciou também infraestrutura heterogênea, com “ilhas de excelência” e espaços de carência, atuação docente desigual em ambientes de inovação e fragilidade no acompanhamento de egressos e na institucionalização de parcerias.
A partir desse quadro, o diagnóstico sistematiza um conjunto de necessidades para orientar a assistência técnica do Assistec Inova, tais como: trilhas de formação em inovação e empreendedorismo, propriedade intelectual, prospecção tecnológica e parcerias; apoio na criação de ambientes de inovação e incubadoras; desenvolvimento de normativas internas, fluxos de PI e de cooperação com o setor produtivo; e produção de guias, manuais e tutoriais para consolidar uma cultura de inovação e empreendedorismo na pós-graduação.
Diagnóstico dos ambientes de inovação da Rede Federal
O diagnóstico dos ambientes de inovação da Rede Federal combinou levantamento documental em 41 ICTs com foco em normativos, maturidade das práticas previstas no Marco Legal de Inovação e demandas de assistência técnica. Os dados indicam ampla presença de políticas de inovação (cerca de 95% das ICTs possuem normativa específica e a maioria foi atualizada nos últimos cinco anos), mas revelam níveis desiguais de regulamentação para incubadoras, espaços maker e empresas juniores, bem como baixa maturidade em temas sensíveis como cessão de espaços, prestação de serviços tecnológicos e compartilhamento de laboratórios com empresas.
As respostas evidenciam que, embora a base normativa exista para grande parte das instituições, há lacunas importantes na implementação prática, na padronização de fluxos e na capacidade de usar plenamente os instrumentos do Marco Legal da Inovação. As ICTs demandam fortemente apoio técnico em prestação de serviços, transferência de tecnologia, acordos de parceria, modelos de pré-incubação/incubação e sistemas de gestão como o CERNE.
Com base nisso, o diagnóstico organiza um portfólio de necessidades que orienta as próximas etapas do projeto, como: mentorias sobre prestação de serviços e TT, desenho de fluxos institucionais, criação de trilhas formativas para pré-incubação e incubação, desenvolvimento de materiais de referência para gestão de ambientes e articulação com o setor produtivo. Esses achados sustentam a priorização de cursos, mentorias e editais específicos do Assistec Inova voltados a transformar ambientes ainda fragmentados em ecossistemas de inovação estruturados e sustentáveis.
Diagnóstico dos polos de inovação da Rede Federal
O diagnóstico dos polos de inovação concentrou-se na análise de relatórios enviados à Setec, discussões no II Encontro de Polos de Inovação e na revisão da normativa vigente, identificando fragilidades na padronização de dados, na governança e na gestão da propriedade intelectual. Constatou-se grande heterogeneidade nos relatórios de desempenho, ausência de indicadores unificados e carência de um repositório único para informações, o que dificulta o acompanhamento sistemático pela Setec e pelos próprios institutos.
Como resposta, o estudo definiu, em articulação com os diretores de polos e a Setec, um conjunto de oito indicadores mínimos (contratos, empresas atendidas, recursos prospectados, ativos de PI, bolsistas discentes, docentes, técnicos e pesquisadores externos), recomendando o uso integrado das plataformas Integra e Nilo Peçanha como bases institucionais para consolidação desses dados. O diagnóstico também aponta a necessidade de fortalecer a governança com a criar GT específico para polos e reconhecer a atuação em rede junto à Embrapii.
Por fim, foram identificadas lacunas relevantes na estratégia de propriedade intelectual, baixa utilização de instrumentos como a Lei do Bem e pouca articulação com outras ICTs, parques e organizações setoriais. Assim, o diagnóstico orienta que a assistência técnica priorize: implantação de escritórios de projetos para polos, formação em transferência de tecnologia e valoração de ativos, apoio ao uso da Lei do Bem e da Lei de Informática, e desenho de modelos de atuação em rede com empresas e parceiros, elevando o patamar de maturidade dos 14 polos existentes.
Diagnóstico das redes estaduais de EPT
O diagnóstico das redes estaduais de Educação Profissional e Tecnológica buscou mapear o estágio de implantação de políticas de inovação, a presença de ambientes promotores de inovação e as principais demandas de assistência técnica dos estados. Os resultados revelam cenário heterogêneo, em que algumas redes já possuem FabLabs, incubadoras, empresas juniores e espaços maker estruturados, enquanto muitas ainda não dispõem de ambientes formais nem de normativas específicas para sua criação e funcionamento.
Em termos de marcos regulatórios, mais de 70% das instituições estaduais encontram-se em fase inicial ou de planejamento em áreas como prestação de serviços tecnológicos, transferências de tecnologia, acordos de parceria com o setor produtivo e incubação, o que limita a consolidação de ecossistemas de inovação robustos. A cultura de inovação e empreendedorismo é percebida, em geral, como regular ou baixa, com carência de infraestrutura adequada e de equipes tecnicamente preparadas para gerir esses processos.
O levantamento sistematiza um conjunto de necessidades de alta prioridade: desenvolvimento de normativas e fluxos para parcerias, convênios, PI e compartilhamento de laboratórios; trilhas de formação em empreendedorismo, incubação e gestão de ambientes; e apoio à implementação de sistemas de gestão como o CERNE. Essas demandas balizam a agenda de mentorias e formações do Assistec Inova voltada às redes estaduais, com foco em apoiar desde a estruturação inicial de ambientes até o fortalecimento de modelos já existentes, buscando reduzir assimetrias regionais.
Diagnóstico de sustentabilidade da Rede Federal
O diagnóstico de sustentabilidade da Rede Federal teve como escopo mapear políticas institucionais, Planos Diretores de Logística Sustentável (PDLS) e adesão à Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), identificando desafios e oportunidades para qualificar a atuação ambiental das instituições. A análise dos PDLS mostra adesão média em torno de 55%, com desempenho mais forte na região Sul e índices significativamente menores nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, revelando desigualdades na institucionalização da logística sustentável.
O estudo aponta a necessidade de fortalecer políticas institucionais de sustentabilidade, ampliar a implementação efetiva de planos e metas e promover maior integração entre as ações ambientais e o planejamento acadêmico e administrativo. Também destaca o potencial de disseminar boas práticas a partir de instituições mais avançadas, bem como de intensificar a formação de equipes responsáveis por sustentabilidade, para que consigam implementar, monitorar e revisar continuamente seus PDLS.
Com base nesses dados, o diagnóstico ancora duas frentes centrais do Assistec Inova: o desenho de mentorias individualizadas para elaboração/atualização de políticas de sustentabilidade, PDLS e adesão à A3P; e a produção de materiais instrucionais e de um compêndio nacional de projetos de sustentabilidade, que reúnem 57 experiências da Rede Federal, inclusive em versão bilíngue para apresentação em fóruns como a COP 30. Essas ações visam transformar o quadro identificado em um plano de intervenção articulado, voltado à consolidação de uma cultura institucional de sustentabilidade.