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PATRIMÔNIO IMATERIAL
Rendeiras de Sergipe participam de oficinas de colorimetria promovidas pelo Iphan
Oficina realizada no dia 24 de julho, na cidade de Maruim - Foto: Jonatas Medeiros
A Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Sergipe realiza nesta quinta-feira, 31 de julho, no campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS) em Laranjeiras, a segunda oficina de colorimetria voltada às rendeiras da renda irlandesa. A atividade reunirá artesãs dos municípios de Laranjeiras e Divina Pastora, dois dos principais núcleos produtores do bem registrado como Patrimônio Cultural do Brasil. A iniciativa dá continuidade às ações de salvaguarda do Modo de Fazer Renda Irlandesa e conta com o apoio da UFS.
A primeira oficina foi realizada no dia 24 de julho, na cidade de Maruim, e contou com a participação de rendeiras de Maruim e Divina Pastora, com apoio do Conselho Municipal de Cultura de Maruim. Ambas as oficinas são ministradas pela arquiteta Samira Fagundes, professora da UFS e mestra em Culturas Populares pelo Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Culturas Populares - PPGCULT - da Universidade Federal de Sergipe (UFS).
O domínio da colorimetria tem se mostrado essencial para o aprimoramento técnico das rendeiras, especialmente diante do uso crescente de linhas e lacês coloridos, este último, componente fundamental da renda irlandesa. A aplicação desses elementos na produção de peças para vestuário, adorno e decoração exige sensibilidade estética e conhecimento técnico. O entendimento dos princípios da combinação de cores permite às artesãs criar produtos com maior harmonia cromática, ampliando seu valor e potencial de inserção no mercado.
As oficinas fazem parte de um conjunto de ações desenvolvido pela Superintendência do Iphan em Sergipe e pelo Grupo Técnico da Salvaguarda do Modo de Fazer Renda Irlandesa, com foco na articulação entre tradição, inovação, moda e sustentabilidade.
Desde o registro do bem cultural pelo Iphan em 2009, o Plano de Salvaguarda do Modo de Fazer Renda Irlandesa busca fortalecer a autonomia das detentoras, promovendo o domínio de todas as etapas do processo produtivo. A iniciativa já contemplou, entre outras ações, a aquisição e doação de máquinas trançadeiras de lacê e a realização de debates sobre a preservação do saber tradicional frente aos desafios e oportunidades do mercado atual.
A Renda Irlandesa, presente em outros municípios sergipanos, encontra em Divina Pastora sua principal referência histórica e cultural. Introduzido na região no início do século 20, o saber-fazer tradicional consolidou-se como uma importante atividade socioeconômica, especialmente para as mulheres, sendo hoje praticado por mais de uma centena de artesãs, tornando-se meio de sustento, expressão de identidade e símbolo da cultura popular sergipana.