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LITERATURA
Patrimônio Cultural é tema de livros lançados por técnicos do Iphan na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas
Ana Cláudia Magalhães, autora de “Igrejas, conventos, cemitérios: um lugar para os mortos de Marechal Deodoro (AL)” (Foto: Iphan-AL)
Nos dias 4 e 5 de novembro, três técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) participaram da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, lançando obras que refletem suas experiências de pesquisa e atuação na preservação do patrimônio cultural. O evento aconteceu no Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Maceió (AL).
O primeiro lançamento ocorreu no dia 4, com o livro “Igrejas, conventos, cemitérios: um lugar para os mortos de Marechal Deodoro (AL)”, da técnica do Iphan, Ana Cláudia Magalhães. Derivada de sua tese de doutorado, a obra propõe uma narrativa sobre a cultura funerária no Brasil colonial e as antigas práticas de sepultamento nas igrejas, abordando sua influência na organização urbana e na arquitetura de Marechal Deodoro, município cujo conjunto arquitetônico e paisagístico é tombado pelo Iphan desde 2006
Na obra, a técnica destaca a importância do Convento Franciscano de Santa Maria Madalena como espaço cemiterial privilegiado, além de abordar as tensões em torno da criação do cemitério público da cidade. “Após tanto tempo trabalhando no Iphan e lidando com o patrimônio material, exercitamos olhar um lugar buscando vislumbrar valores em sua mais ampla dimensão. Um exemplo disso é a forma como a cidade de Marechal Deodoro lidou com a temática da morte”, afirmou Magalhães.
No mesmo dia, o técnico Maicon Marcante lançou o livro “Coleção Perseverança: uma etnografia do processo de patrimonialização”, resultado de sua prática etnográfica realizada ao longo da instrução de tombamento da coleção homônima, composta por 211 objetos sagrados que foram roubados de terreiros alagoanos no Quebra de Xangô, em 1912. A pesquisa teve como foco o processo de interlocução entre o Iphan e as comunidades de terreiro que levou ao tombamento da Coleção Perseverança em 2024. “Esse trabalho se fundamentou no protagonismo do povo de santo no reconhecimento da coleção como patrimônio cultural”, destacou Marcante.
Encerrando as participações da equipe do Iphan na Bienal, no dia 5 foi lançada a obra “Cidade Engolida: relatos de uma tragédia”, que aborda o desastre causado pela exploração mineral da Braskem em Alagoas e é organizado por Natallya Levino. A técnica Gardênia Nascimento aponta, em um dos seus capítulos, parte dos resultados de sua dissertação do Mestrado do Iphan: a identificação das referências culturais impactadas nos cinco bairros em afundamento, utilizando a metodologia participativa do Instituto.
Gardênia propõe o reconhecimento desses locais como Lugar de Memória, instrumento da Política Nacional do Patrimônio Material, destacando o valor da paisagem destruída como documento a ser preservado. “O texto contribui para a percepção da destruição causada pela mineração no Brasil, não só material, mas simbólica e cultural, e a necessidade de sua preservação como testemunho”, afirmou a autora.
As três obras reforçam a contribuição da equipe do Iphan na produção de conhecimento sobre o patrimônio cultural, ampliando o diálogo entre memória, identidade e preservação.
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Assessoria de Comunicação Iphan - comunicacao@iphan.gov.br
Ana Carla Pereira – carla.pereira@iphan.gov.br

