PATRIMÔNIO EDIFICADO

Museu Nacional (RJ) oferece programação temporária aberta ao público

Exposição sobre os bastidores do restauro está entre as atrações, que podem ser visitadas até 31 agosto

Publicado em 03/07/2025 16:54
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Foto: Divulgação/Museu Nacional
Foto: Divulgação/Museu Nacional

Após quase seis anos fechado, o Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro (RJ), passou a oferecer uma programação especial a partir de quarta-feira (2/7). Com visitas previstas até 31 de agosto, a iniciativa intitulada "Entre Gigantes: uma experiência no Museu Nacional" permite que o público acesse três ambientes internos do Paço de São Cristóvão, sede do Museu, que segue em obras de reconstrução após o incêndio de 2018, responsável pela destruição de cerca de 85% do acervo. 

Um dos destaques do circuito é a sala dedicada à história e à reconstrução do palácio, que revela os bastidores do trabalho de restauro, que está sendo acompanhado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O espaço apresenta aspectos arquitetônicos e técnicas de conservação, além de acervos originais, como duas esculturas de mármore de Carrara, réplicas de ornamentos artísticos e uma série de imagens que documentam o cotidiano da obra. 

Em outro ambiente, os visitantes encontram o meteorito Bendegó, uma pedra de cinco toneladas descoberta em 1784, no sertão da Bahia, que permaneceu intacta após o incêndio e se tornou símbolo da permanência do museu. Próximo a ele, estão obras do artista visual Gustavo Caboco, do povo indígena Wapichana, que estabelecem um diálogo entre memória, território e reconstrução. 

O esqueleto de uma baleia cachalote, com 15,7 metros de comprimento, instalado no pátio da escadaria monumental, também é um ponto marcante. A peça foi afixada na claraboia do edifício após dois meses de preparação, que envolveram pintura, reposição de estruturas, consolidação óssea e um complexo processo de içamento e fixação. 

Restauração em curso  

O Iphan estabeleceu um grupo de trabalho específico para acompanhar de perto a reconstrução do Museu Nacional e contribuir com diretrizes técnicas. Para a superintendente do Iphan no Rio de Janeiro, Patricia Wanzeller, o desafio vai além da restauração.  

“Precisamos devolver à sociedade um prédio histórico que manterá as marcas da tragédia, ressignificando o fato por meio da democratização do espaço, com acessibilidade plena e novas exposições”, concluiu a superintendente.  

O projeto contempla a recuperação completa do conjunto arquitetônico e paisagístico do Paço de São Cristóvão, incluindo a reforma do prédio anexo e a criação do Jardim Norte, um novo jardim contemporâneo de 3.100 m², que se somará aos históricos Jardim das Princesas e Jardim Terraço, reforçando a presença monumental do museu na paisagem da Quinta da Boa Vista. 

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