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IPHAN NO NOVO PAC
Iphan investe mais de R$ 11 milhões para requalificar Praça da Matriz, em Jaguarão (RS)
Foto: Iphan
A Praça Dr. Alcides Marques, conhecida como Praça da Matriz, no Centro Histórico de Jaguarão (RS), passará por um amplo processo de requalificação urbana e paisagística, com recursos do Novo PAC. A ação, no valor de R$ 11,1 milhões, contemplará, ainda, o Largo Bandeiras e seu entorno. Todo processo contará com acompanhamento técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A intervenção vai abranger cerca de 23,1 mil m² e prevê a promoção da acessibilidade das calçadas e passeios, nova iluminação, atualização dos projetos elétricos, implantação de paisagismo com novas espécies, criação de uma pracinha voltada ao público infantil e reorganização dos espaços destinados às lanchonetes, com a substituição dos atuais trailers por estruturas mais adequadas ao conjunto histórico e ao uso da população.
“A requalificação da Praça e do Largo era uma demanda antiga do Município”, ressaltou o superintendente do Iphan no Rio Grande do Sul, Rafael Passos. “A obra vai ampliar os espaços de lazer e convivência, fortalecer o uso coletivo e o sentimento de pertencimento da comunidade, com impactos diretos para o turismo e a economia local”, completou.
O superintendente explicou ainda que medidas de segurança serão necessárias para a boa execução da intervenção. “As obras demandarão o isolamento temporário da praça, do largo e das vias do entorno, garantindo a segurança da população e o adequado andamento da ação, além da compatibilização com a permanência e o funcionamento do comércio local”, afirmou. O planejamento das áreas a serem isoladas em cada etapa será de responsabilidade da empresa contratada, em conjunto com o Município.
Situada em frente à Igreja do Divino Espírito Santo, a Praça Dr. Alcides Marques carrega uma longa trajetória histórica e afetiva. Ao longo do tempo, o espaço já recebeu diferentes denominações, como Praça da Independência e Praça 13 de Maio, refletindo distintos momentos da história local.
Um dos destaques da obra é o restauro da Estátua da Liberdade (Obelisco), inaugurada em 24 de fevereiro de 1891 em homenagem à Lei Áurea. Idealizado pelo escultor Antônio da Costa Silveira, o monumento apresenta quatro fachadas na base, com referências a marcos nacionais como a Independência, a Proclamação da República, a Carta Constitucional de 1891 e a abolição da escravatura, constituindo um importante símbolo histórico e artístico da cidade.
Execução da obra
A execução da obra será de responsabilidade da Prefeitura de Jaguarão, que atua como compromissária da ação. O prazo previsto para a execução é de 18 meses, a contar do início das obras, que depende da conclusão do processo licitatório municipal.
O Iphan atua como órgão técnico e institucional, responsável pelo acompanhamento, orientação e garantia da preservação do patrimônio cultural tombado, conforme as diretrizes do Novo PAC e da legislação de proteção ao patrimônio.
O Iphan no Novo PAC em Jaguarão
Além da requalificação da Praça Dr. Alcides Marques e do Largo Bandeiras, o Iphan investe cerca de R$ 14,8 milhões em Jaguarão por meio do Novo PAC. Entre as ações estão as obras de restauração da antiga Inspetoria Veterinária e o projeto de restauro do Clube 24 de Agosto. A obra de restauro da antiga Enfermaria Militar, que abrigará o Centro de Interpretação do Pampa (Unipampa), está em fase de atualização do projeto e receberá mais de R$ 10 milhões em investimentos.
Jaguarão possui um dos conjuntos históricos e paisagísticos mais bem preservados do Rio Grande do Sul, um dos cinco conjuntos tombados em nível federal no Estado do Rio Grande do Sul. A área reúne edificações coloniais, ecléticas, art déco e modernistas, com diversidade de tipologias e alto grau de integridade urbana. Seu traçado viário marcadamente retilíneo, pouco comum em cidades coloniais brasileiras, evidencia a forte influência espanhola em sua formação.
A constituição do centro histórico está diretamente ligada aos processos de ocupação portuguesa e espanhola na América do Sul, especialmente durante a União Ibérica (1580–1640), quando se intensificaram as rotas de acesso às minas de prata da região andina pelos afluentes do rio da Prata. Entre os bens tombados destaca-se a Ponte Internacional Barão de Mauá, do início do século XX, primeiro bem binacional reconhecido pelo Iphan