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CONGRESSO CONVIVER 2025
Iphan e sociedade debatem habitação popular em centros históricos tombados
Centro histórico da Cidade de Goiás (GO). Foto: Mariana Alves/Iphan
A Cidade de Goiás (GO) foi palco, entre 4 e 6 de novembro, de intensos debates sobre a relação entre habitação popular e preservação do patrimônio cultural brasileiro. Nesses três dias, o Congresso Conviver 2025 reuniu cerca de 250 participantes, entre professores, estudantes universitários, mestres fazedores de cultura, autoridades, técnicos do Iphan e moradores de centros históricos tombados. Com mais de 20 palestras, o evento destacou a importância de unir preservação cultural com a permanência das comunidades em seus territórios.
O congresso iniciou no dia 4 de novembro com discussões sobre como garantir que as políticas de preservação do patrimônio não excluem as populações que vivem em áreas históricas. Professores, pesquisadores e representantes comunitários debateram estratégias para conciliar habitação popular com a conservação de imóveis e conjuntos arquitetônicos tombados, mostrando que é possível preservar a história sem deslocar quem a constrói diariamente.
Segundo dia: vozes das comunidades e canteiros em ação
A quarta-feira (5) começou com apresentação de Pedro Clerot, Coordenador de Identificação do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, sobre "Resistência e Permanência nos Territórios dos Canteiros-modelo de conservação". Logo em seguida, o protagonismo foi das comunidades: representantes comunitários e moradores de centros históricos tombados compartilharam suas experiências, expectativas e demandas.
Um dos destaques foi o mestre ferreiro Edmilson dos Santos, de 74 anos, da Ladeira da Conceição, no centro histórico de Salvador (BA). Com 57 anos dedicados ao ofício, ele representa a Associação dos Artífices do Centro Tradicional de Salvador, grupo procurado pelo Canteiro-modelo de conservação de Salvador para processos de regularização fundiária, publicações sobre os mestres e oficinas construtivas. "Me sinto esperançoso com esse encontro. Nossos saberes precisam ser reconhecidos e os lugares preservados. Nosso local está no mesmo lugar desde 1886, segundo historiadores", afirmou.
O Canteiro-modelo de Salvador, coordenado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (UFBA), conecta acadêmicos e técnicos com as demandas da população. "Melhorou muito para as comunidades do centro antigo de Salvador. Nós sempre lutamos para manter toda a nossa história viva", disse Eliane Lima, moradora do centro histórico.
Já Rafael Lino, doceiro tradicional e morador do centro histórico da Cidade de Goiás, destacou o apoio do escritório técnico do Iphan: "Toda vez que precisamos de alguma ajuda em reforma ou restaurações, sempre recorremos ao Iphan para ter orientações e conseguir a documentação necessária", disse.
Durante o restante do dia, equipes de canteiros-modelo de Salvador (BA), Cuiabá (MT), Xapuri (AC), Igatu (BA) e das Missões Jesuíticas Guarani (RS) apresentaram os resultados do programa, mostrando como professores, pesquisadores, estudantes e técnicos do Iphan trabalham em conjunto com as comunidades.
Terceiro dia: educação patrimonial como pilar
No último dia do congresso (6), foi a vez do canteiro-modelo de Vila Boa (GO), localizado na Cidade de Goiás, compartilhar suas experiências. O projeto está vinculado aos laboratórios de Tecnologias e de projetos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Goiás (UFG) e atua nas áreas tombadas da Cidade de Goiás conectando preservação arquitetônica às práticas do cotidiano.
Os canteiros-modelo de Brasília (DF), Cidade de Goiás (GO), Convento da Penha (ES), Araçatiba (ES) e Tocantins (TO) também compartilharam seus trabalhos. As apresentações destacaram ações de educação patrimonial, um dos pilares fundamentais do Iphan para a proteção do patrimônio cultural, mostrando como o conhecimento sobre preservação pode ser democratizado e compartilhado com toda a sociedade.
O Programa Conviver
Atualmente, o Conviver está implantado em 17 cidades brasileiras, em pactuação em outras oito e em planejamento em mais sete. Desde 2023, quando foi nacionalizado, o programa já recebeu investimentos de cerca de R$ 23,8 milhões.
O programa Conviver vai além do patrimônio material, reconhecendo também os saberes transmitidos de geração em geração que colaboram com a conservação de imóveis históricos. Os Canteiros-modelo de conservação, espalhados por diferentes estados brasileiros, funcionam como laboratórios vivos onde teoria e prática se encontram, sempre com a participação ativa das comunidades locais.
O Congresso Conviver 2025 reafirmou que preservar o patrimônio cultural é, acima de tudo, valorizar as pessoas que o mantêm vivo. A união entre conhecimento técnico, saber tradicional e participação comunitária demonstra que é possível construir políticas públicas mais justas e efetivas para a proteção da memória nacional.
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