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TOMBAMENTO

Publicado tombamento provisório do Edifício-sede da Cruz Vermelha Brasileira

Construído no início do século XX, o prédio remete às transformações urbanas empreendidas no Rio de Janeiro (RJ) e à atuação da Cruz Vermelha no Brasil
Publicado em 09/07/2021 19h27 Atualizado em 14/07/2021 18h02
Cruz Vermelha

Edifício-sede da Cruz Vermelha Brasileira no Centro do Rio de Janeiro (RJ) (Fotos: Tânia Rêgo/Agência Brasil).

O Edifício-sede da Cruz Vermelha Brasileira, que fica no centro do Rio de Janeiro (RJ), agora compõe o Patrimônio Cultural do Brasil. Publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 8, a comunicação do tombamento provisório do prédio reconhece a relevância do bem e protege por lei a edificação. Imponente na praça da Cruz Vermelha, o prédio reúne características arquitetônicas do início do século XX está associado à fundação da Cruz Vermelha no Brasil.

Em virtude do tombamento provisório, todas as intervenções na edificação terão de ser autorizadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal vinculada à Secretaria Especial da Cultura e ao Ministério do Turismo. Caso o tombamento se confirme, o processo será concluído com a inscrição do bem em um dos Livros do Tombo do Iphan.

Diante da necessidade de cuidados humanitários nas guerras do século XIX, a Cruz Vermelha foi instituída no Brasil em 1908. Já o prédio da organização foi concebido a partir de projeto vencedor de concurso público, de autoria de Pedro Campofiorito. Em 1912, o governo federal concedeu o terreno da esplanada do Senado à Sede da Sociedade da Cruz Vermelha Brasileira. Com as obras iniciadas em 5 de outubro de 1919, o prédio foi inaugurado em 1923.

O tombamento provisório reconhece o valor histórico de uma instituição que atua na luta pela garantia de direitos humanos com abrangência internacional. Essa atuação buscou estabelecer condições mínimas de humanidade diante de conflitos armados. Já no Brasil, a instituição esteve vinculada a situações de desigualdade social, catástrofes naturais e acolhida a refugiados. Na cúpula do prédio, está esculpida a cruz vermelha em fundo branco, estabelecendo uma relação imediata com essa história.

Detalhe na entrada do Edifício-sede da Cruz Vermelha Brasileira no Centro do Rio de Janeiro (RJ) (Fotos: Tânia Rêgo/Agência Brasil).A praça da Cruz Vermelha, por sua vez, onde a edificação foi assentada, está relacionada às grandes reformas urbanísticas iniciadas pelo então prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, inspirado nas mudanças de Paris do século XIX. A construção da praça fez parte do projeto de modernização do centro da cidade, criando o cruzamento das avenidas Mem de Sá e Henrique Valadares e rua Carlos Sampaio.

“Com mais esse ato normativo, o edifício-sede da Cruz Vermelha passa a ser acautelado pelo Iphan. A partir de agora, o Instituto atua na preservação das características arquitetônicas e dos significados desse bem para a história e a cultura do Brasil”, afirma a presidente do Iphan, Larissa Peixoto. “De longe, dá pra ver a grandiosidade da edificação no centro do Rio de Janeiro. É um prédio que demarca um importante momento da então capital da República.”

O edifício no centro do Rio

As fachadas, a cobertura, a volumetria do hall e as escadas são características marcantes da edificação, concebida em estilo eclético, com estrutura de pedra e cal e tijolo maciço. A fachada principal da sede da Cruz Vermelha é circular, acompanhando a forma da praça. Ocupando toda a quadra que é delimitada pelas ruas Carlos Carvalho e Ulbaldino do Amaral e avenidas Henrique Valadares e Carlos Sampaio, o bem cultural conserva características da época de sua construção, como elementos escultóricos, fenestração e embasamento.

O pedido de tombamento foi apresentado pela diretoria nacional da Cruz Vermelha Brasileira ao Iphan pela primeira vez em 1988, quando o prédio já era tombado em níveis municipal e estadual. A instrução do processo foi iniciada em 2001, a partir da realização de estudos sobre a edificação.

Tombamento

De acordo com o Decreto-lei nº 25 de 1937, os bens tombados pelo Iphan não podem ser “destruídos, demolidos ou mutilados”. Para intervenções como reparações, pinturas ou restauros também deve ser solicitada prévia autorização ao Instituto. Sem autorização do Iphan, também não poderão ser fazer construções que prejudiquem a visibilidade do bem tombado, assim como cartazes ou anúncios. Ainda segundo o decreto, constituem o Patrimônio Cultural do Brasil os bens cuja conservação seja de interesse público, seja por estarem vinculados a fatos memoráveis da história do país ou por se valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.

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