Propostas selecionadas
No âmbito do Edital de Chamamento Público nº 02/2025, Arqueologia Viva, foram selecionadas propostas voltadas à preservação, valorização e socialização do patrimônio arqueológico brasileiro, com ênfase no protagonismo comunitário, na diversidade sociocultural e na articulação entre memória, território e desenvolvimento sustentável.
O edital foi estruturado em três linhas temáticas: Gestão e Difusão do Patrimônio Arqueológico, Turismo Arqueológico e Economia do Patrimônio. Essas linhas possibilitam abordagens integradas entre patrimônio arqueológico, memória social, sustentabilidade e geração de renda, orientando o desenvolvimento de ações educativas, formativas, culturais e produtivas, em consonância com as especificidades socioculturais e territoriais de cada proposta.
Oca da Memória Ancestral Tremembé: Arqueologia Viva na Terra Indígena Barra do Mundaú (Itapipoca/CE) - R$158.400,00
A proposta tem como objetivo consolidar a gestão e a difusão do patrimônio arqueológico do povo Tremembé, por meio do fortalecimento da Oca da Memória Ancestral, espaço cultural localizado na Terra Indígena Barra do Mundaú, em Itapipoca/CE. O projeto prevê melhorias estruturais no espaço, como adequações físicas e técnicas, além da realização de oficinas formativas em arqueologia indígena, curadoria, conservação e educação patrimonial. Também contempla a formação e o acompanhamento de jovens Tremembé para atuação como guias culturais, promovendo visitas mediadas, ações educativas e a socialização do acervo sob a perspectiva indígena, com base na autonomia comunitária e na memória viva.
Cuidar do Sagrado: Gestão Participativa dos Sítios Arqueológicos Ancestrais Kapinawá (Território Indígena Kapinawá/PE) - R$238.700,00
O projeto propõe a construção de um programa participativo de preservação dos sítios arqueológicos ancestrais do Território Indígena Kapinawá, no sertão de Pernambuco, fundamentado no protagonismo da comunidade indígena e no reconhecimento do território como referência de identidade, memória e espiritualidade. As ações incluem identificação, georreferenciamento, documentação, pesquisa, formação comunitária, sinalização e socialização de sítios e coleções arqueológicas. A iniciativa articula patrimônio material e imaterial, meio ambiente e rituais tradicionais, fortalecendo práticas locais de cuidado com os lugares sagrados e promovendo estratégias sustentáveis de valorização cultural e economia do patrimônio.
Reserva Técnica e Laboratório de Arqueologia da Localidade São Vitor no Território Quilombola de Lagoas (São Raimundo Nonato/PI) - R$138.800,51
O projeto visa implantar uma Reserva Técnica e um Laboratório de Arqueologia na localidade de São Vitor, território quilombola de Lagoas (PI), fortalecendo a gestão comunitária do patrimônio arqueológico local. A iniciativa garante a permanência, no próprio território, de acervos e pesquisas arqueológicas, históricas e paleontológicas já em curso, em articulação com a futura implantação de um museu comunitário. Ao qualificar infraestrutura, organização e salvaguarda dos materiais arqueológicos, o projeto promove a autonomia local, a difusão do conhecimento e a valorização da memória coletiva quilombola.
Nova Esperança (Olho D’água do Casado/AL) - R$126.500,00
O projeto propõe a valorização do patrimônio arqueológico do Assentamento Nova Esperança, em Olho d’Água do Casado (AL), como estratégia de fortalecimento identitário e preservação da memória coletiva. Com foco na gestão comunitária, a iniciativa aposta no protagonismo da juventude assentada por meio da realização de oficina audiovisual comunitária e da produção de materiais de divulgação cultural e turística sobre o patrimônio arqueológico local. As ações articulam educação patrimonial, comunicação e organização comunitária, promovendo o sentimento de pertencimento e a socialização do patrimônio em um território marcado pela luta por reforma agrária.
Respir-AÇÃO: Reexistência Ancestral no Solo Vivo do Cadaval (Carapicuíba/SP) - R$201.908,00
A iniciativa tem como foco a gestão e a difusão do sítio arqueológico Ilê Asé Odé Ibualamo, localizado em Carapicuíba (SP), território tradicional impactado por processos de urbanização. A proposta articula patrimônio arqueológico, memória ancestral e práticas culturais de matriz africana, promovendo ações de salvaguarda, reexistência e valorização do território como espaço vivo de saberes e espiritualidade. Ao integrar ações educativas, culturais e comunitárias, o projeto reafirma o patrimônio arqueológico como fundamento de identidade, resistência e reconstrução simbólica do território.
Turismo Arqueológico de Base Comunitária na Tekoha Ñemboete (Terra Indígena Guasu Guavira, Terra Roxa/PR) - R$478.550,00
Propõe a implementação de um modelo de turismo arqueológico de base comunitária na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavira, com protagonismo do povo Avá-Guarani. As ações incluem levantamento participativo do patrimônio arqueológico e cultural, elaboração de plano de visitação, capacitação de jovens indígenas como condutores e intérpretes do patrimônio e implantação de infraestrutura básica de visitação. A iniciativa valoriza os saberes tradicionais, promove a preservação dos sítios arqueológicos — com destaque para Ciudad Real del Guairá — e contribui para a geração de renda complementar, a justiça climática e o fortalecimento da identidade cultural indígena.
Os Caminhos do Turismo Comunitário e da Arqueologia Viva no Território Quilombola Pesqueiro do Cumbe (Aracati/CE) - R$303.500,00
Visa fortalecer o turismo comunitário articulado ao turismo arqueológico no território quilombola pesqueiro do Cumbe, em Aracati/CE, como estratégia de proteção, valorização e salvaguarda do patrimônio arqueológico local. A proposta envolve ações de educação patrimonial, cartografia social participativa, inventário e sinalização de sítios arqueológicos, além da implantação de um espaço expositivo comunitário. Destaca-se o protagonismo da comunidade quilombola na construção dos roteiros, na formação de condutores locais e na produção de materiais educativos. A iniciativa articula saberes tradicionais e conhecimento arqueológico, promovendo desenvolvimento territorial, fortalecimento identitário e turismo de base comunitária.
Percurso Cultural Itaipu-Camboinhas (Niterói/RJ) - R$144.000,00
Propõe a valorização e preservação de sítios arqueológicos pré-coloniais e históricos da Região Oceânica de Niterói, por meio da implantação de um percurso cultural que integra arqueologia, meio ambiente e turismo de base comunitária. As ações incluem sinalização acessível dos sítios, visitas mediadas, produção de materiais educativos com tecnologias assistivas e formação de condutores culturais locais. A iniciativa envolve diretamente comunidades pesqueiras tradicionais, fortalecendo o protagonismo comunitário e a geração de renda. O projeto também promove a educação patrimonial e ambiental, ampliando o acesso ao conhecimento arqueológico para diferentes públicos. Ao articular patrimônio cultural, inclusão e sustentabilidade, contribui para a salvaguarda do Complexo Arqueológico da Lagoa de Itaipu e para a qualificação da experiência turística no território.
Caminhos da Comunidade: um novo olhar sobre o Sítio Arqueológico Toca do Salitre (São Raimundo Nonato/PI) - R$109.350,00
Visa promover a estruturação do turismo arqueológico sustentável no Sítio Toca do Salitre, localizado no entorno do Parque Nacional da Serra da Capivara, integrando patrimônio arqueológico, cultura local e turismo de base comunitária. As ações incluem a implantação de passarelas, sinalização interpretativa, recuperação de cercamento e organização das trilhas de acesso ao sítio. Destaca-se a formação de monitores locais, valorizando o protagonismo comunitário e promovendo visitas orientadas para prevenir atos de vandalismo. O projeto também articula a experiência turística com práticas culturais tradicionais, como a farinhada, fortalecendo a economia local. A iniciativa contribui para a preservação do patrimônio rupestre, a educação patrimonial e a inclusão da comunidade rural de Serra Nova no circuito turístico regional.
Arqueoturismo como Mitigação às Mudanças Climáticas – Chapada dos Guimarães (Chapada dos Guimarães/MT) - R$189.000,00
Propõe a implantação do turismo arqueológico no Sítio Fecho do Morro, articulando preservação do patrimônio rupestre, educação patrimonial e debate sobre mudanças climáticas. Desenvolvido em parceria com a comunidade quilombola Lagoinha de Baixo, prevê capacitação de guias, acessibilidade, sinalização interpretativa e produção de artesanato local. A iniciativa busca gerar emprego e renda, fortalecer saberes tradicionais e promover práticas sustentáveis. O arqueoturismo é apresentado como estratégia educativa e de mitigação frente aos impactos climáticos na região.
Patrimônio Ancestral, Futuro Presente: A Arqueologia como Fonte de Memória, Identidade e Economia para os Povos Indígenas de Manaus (Manaus/AM) - R$196.000,00
O projeto promove a valorização do patrimônio arqueológico presente nos museus de Manaus por meio da criação de produtos culturais inspirados em grafismos e referências materiais de povos indígenas. Desenvolvido junto a mulheres do Parque das Tribos, maior bairro indígena urbano do Brasil, a iniciativa articula formação técnica em moda, acessórios, cerâmica e gastronomia, aliada à capacitação em gestão e empreendedorismo cultural. A proposta fortalece a identidade cultural, a autonomia econômica feminina e a ressignificação do patrimônio arqueológico em contexto urbano, culminando no lançamento público e na comercialização das coleções produzidas, com geração de renda associada à memória e aos saberes tradicionais.
Economia da Memória: Juventude e Patrimônio na Rota da Serra da Capivara (São João do Piauí/PI) - R$165.000,00
A iniciativa tem como objetivo formar e engajar jovens de São João do Piauí em ações de valorização do patrimônio arqueológico, histórico e cultural da região da Serra da Capivara, a partir de uma abordagem educativa, criativa e economicamente sustentável. A iniciativa prevê a realização de oficinas formativas, visitas técnicas aos sítios arqueológicos, produção de conteúdos culturais e uma mostra pública final. As ações buscam fortalecer o pertencimento territorial, estimular o protagonismo juvenil e criar oportunidades de geração de renda vinculadas à economia do patrimônio. O projeto também promove a articulação entre saberes locais, turismo cultural e educação patrimonial, contribuindo para a inclusão socioprodutiva em um território marcado por vulnerabilidades sociais.