Poluição por Plástico

- Fotos; Centro Tamar/ IcmBio e Ricardo Gomes /Instituto Mar Urbano
A poluição por plástico é hoje um dos maiores desafios ambientais do planeta. Trata-se de uma questão que atinge rios, lagos, zonas costeiras e chega às profundezas dos oceanos, colocando em risco a biodiversidade, a saúde humana e a resiliência climática. O plástico, produzido em larga escala, é um material de longa durabilidade, cujo descarte inadequado e acelerado tem gerado acúmulo crescente no meio ambiente.
Estima-se que entre 70 e 200 milhões de toneladas de resíduos plásticos já se acumulem no ambiente marinho. Os impactos econômicos são igualmente expressivos: cerca de US$ 8 bilhões anuais, afetando diretamente setores como turismo, pesca e transporte marítimo.
Embora o lixo no mar seja composto por diferentes materiais, os plásticos descartáveis de uso único e de baixa reciclabilidade são os mais encontrados nos ambientes costeiros e marinhos. Devido à sua persistência, fragmentam-se em microplásticos, contaminando toda a cadeia alimentar marinha e comprometendo imediatamente a segurança alimentar das populações.
Em escala global, aproximadamente 1,7 milhão de toneladas de plásticos entram nos oceanos a cada ano, vindos sobretudo das áreas continentais. Embora haja variação entre estimativas devido às diferenças metodológicas, esse número mostra a dimensão do problema e a necessidade de ação coordenada entre países. O acúmulo total de plástico presente no oceano reforça o caráter persistente desse poluente.

- Foto: arquivo MMA
A poluição plástica também está intimamente ligada à crise climática. O ciclo de vida do plástico — da extração do petróleo e gás, passando pela produção e transporte, até a disposição final — é altamente intensivo em energia e emissões. Atualmente, a cadeia do plástico responde por cerca de 3% a 5% das emissões globais de gases de efeito estufa, sendo que mais de 90% dessas emissões ocorrem nas fases iniciais de produção. Projeções apontam que, sem medidas efetivas, essa participação poderá dobrar até 2060.
Impactos sobre o Oceano e as pessoas

- Foto: arquivo MMA
O oceano é o maior sumidouro natural de carbono do planeta, tendo absorvido de 30% a 50% do CO₂ emitido desde a era industrial. No entanto, a poluição por plásticos compromete essa função essencial: microplásticos ingeridos pelo plâncton, que é a base da bomba biológica de carbono, que é o mecanismo que explica as trocas gasosas entre o ar e mar, e a distribuição vertical do carbono, reduzem a capacidade dos ecossistemas marinhos de capturar e estocar carbono.
A presença de resíduos plásticos no oceano:
- diminui a resiliência dos ecossistemas frente a eventos extremos, como o branqueamento dos corais;
- afeta a biodiversidade e aumenta a incidência de ameaças às espécies marinhas;
- agrava vulnerabilidades de comunidades costeiras, especialmente as mais pobres, que sofrem com enchentes, insegurança alimentar e perda de renda.
Ecossistemas costeiros, como os manguezais, sofrem pressões adicionais. Estudos recentes mostram que a presença de microplásticos em sedimentos pode aumentar a emissão de CO₂ e comprometer a capacidade desses ambientes de funcionarem como importantes sumidouros de carbono. Esse fenômeno reforça como a poluição plástica vai além do impacto visível no ambiente marinho, afetando processos globais de regulação climática.
Respostas Globais e Ações do Brasil
O Brasil participa ativamente das negociações internacionais para a adoção de um instrumento global juridicamente vinculante para acabar com a poluição por plástico. Esse acordo deverá considerar o ciclo de vida completo do plástico, ou seja, da extração da matéria-prima até a destinação final. Na pauta das discussões estão a necessidade de impor limites à produção e ao consumo insustentável do plástico, aumentar a circularidade, reduzir descartes inadequados e estimular soluções inovadoras com menor potencial poluidor.
No âmbito interno, estados e municípios brasileiros vêm adotando medidas para restringir o uso de plásticos de uso único, sobretudo em atividades comerciais e turísticas. No entanto, o país ainda carece de uma legislação nacional robusta que estimule a circularidade do plástico e reduza de forma estrutural a dependência de matéria-prima virgem.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima está comprometido em articular políticas públicas, ciência, tecnologia e inovação para reduzir a poluição plástica, fortalecer a resiliência climática e promover um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo, que assegure qualidade de vida para as atuais e futuras gerações.
