COOPSERTÃO
Clivagem étnica/social: Povos e Comunidades tradicionais; Agricultores Familiares;
Natureza do produto comercializado: insumo - matéria prima para indústria farmacoquímica (PVP SOCIEDADE ANÔNIMA) . Cosméticos e fitoterápicos.
Proposta Apoiada: 1) Capacitação em boas práticas em manejo (coleta, proteção a queimadas) e diversificação das atividades extrativistas; 2) Identificar mercados mais justos para a comercialização da fava d’anta (Dimorphandra mollis) e a aquisição de equipamentos para novos produtos; e 3) Realizar o mapeamento e zoneamento da fava d’anta (Dimorphandra mollis) e sucupira (Pterodon emarginatus).
A Cooperativa Sertão Veredas, com apoio do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), está transformando a realidade de comunidades extrativistas no norte de Minas Gerais por meio do projeto "Plantas Medicinais e Cerrado em Pé". A iniciativa que tem como foco as cadeias produtivas da fava d'anta e da sucupira, vem alcançando resultados significativos, mesmo diante dos desafios típicos de um território marcado por secas prolongadas e pressões do agronegócio.
Conservação e Manejo: Conhecimento que Transforma
Um dos pilares do projeto é a capacitação em boas práticas de manejo. Entre março e agosto de 2024, foram realizadas três oficinas sobre coleta sustentável da fava d'anta, reunindo 52 extrativistas em Chapada Gaúcha. Essas formações não apenas ensinaram técnicas para evitar a degradação das plantas, mas também reforçaram o valor econômico e medicinal dessas espécies.
Além disso, em setembro, palestras em escolas rurais alertaram sobre os riscos de incêndios no Cerrado, uma ameaça constante na região. A ação, feita em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), mostrou como a educação ambiental pode ser uma ferramenta poderosa na preservação do bioma.
Infraestrutura e Mercado: Preparando o Terreno para o Futuro
Para agregar valor aos produtos, a cooperativa investiu em infraestrutura. Um caminhão Hyundai HD80 foi adquirido para escoar a produção, e o galpão da cooperativa passou por adaptações para receber uma prensa extratora de óleo de sucupira – equipamento essencial para a produção de fitoterápicos. Apesar do atraso na entrega da máquina (que só chegou em novembro de 2024), a expectativa é que, em 2025, ela impulsione a geração de renda das famílias envolvidas.
Outro avanço importante foi o mapeamento das áreas de coleta na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Veredas do Acari , uma região rica em biodiversidade. Apesar de ter sido necessário reduzir a área estudada de 18 mil para 12,9 mil hectares (devido a ajustes no plano de manejo), o trabalho identificou zonas bem conservadas, ideais para o extrativismo sustentável.
Desafios e Lições Aprendidas
O projeto não está livre de obstáculos. A burocracia para autorizações em áreas protegidas, a demora na entrega de equipamentos e a necessidade de maior engajamento comunitário são alguns dos pontos que exigem atenção. No entanto, a cooperativa tem mostrado resiliência, buscando parcerias e ajustando estratégias para garantir que os objetivos sejam alcançados.



